Tragédia em Janaúba revela o sucateamento do ensino e saúde públicos!

Manifestamos nossa solidariedade às famílias das crianças, funcionários e professores feridos e tragicamente mortos no incêndio da creche “Gente Inocente”, em Janaúba, Norte de Minas Gerais e repudiamos este velho Estado, principal responsável por este terrível episódio que se consumou como o desfecho de uma tragédia anunciada. Mais uma vez, os operários e camponeses pagam com a vida dos seus filhos pelo completo descaso deste velho Estado burguês-latifundiário!

Enquanto os políticos, desde Brasília, choram lágrimas de crocodilo, os monopólios de imprensa escondem por meio de suas notícias sensacionalistas mentirosas que são creches como estas e crianças como as vítimas de mais esta tragédia os principais atingidos pelos recentes cortes de verbas impostos pelo gerente Temer/PMDB/PSDB e sua quadrilha. O oportunista governador Fernando Pimentel/PT, que posou de bom samaritano viajando de helicóptero para aparecer na televisão afagando os familiares das vítimas aos prantos, não demonstra a mesma sensibilidade quando se nega a pagar o piso salarial dos professores e, muito menos, na sua criminosa conivência com os sucessivos despejos contra comunidades camponesas e quilombolas que lutam pela retomadas de suas terras roubadas pelo latifúndio neste mesmo esquecido Norte de Minas.

Todos estes políticos não passam de carniceiros que buscam se cacifar eleitoralmente com mais uma tragédia, como o hipócrita ministro da educação Mendonça Filho que se apresentou em rede nacional perplexo e comovido perante os corpos carbonizados das crianças de Janaúba e que, em seu demagógico pronunciamento em celebração ao “dia do professor” teve a desfaçatez de utilizar do nome da pedagoga Heley de Abreu Silva Batista, ao mesmo tempo em que anunciava a continuidade dos cortes de investimentos em educação e imposição de mais medidas privatistas para encher os cofres do imperialismo (sistema financeiro) com bilhões tirados do suor de nosso povo. Para se ter uma ideia, segundo dados oficiais (INEP/2016) escamoteados pelo ministro, o Brasil possui 2.407 instituições de ensino superior: 87,7% são privadas e 12,3%, públicas (federais, estaduais e municipais), sendo que 75,3% dos universitários estão no setor privado e 24,7%, no público. Este é o projeto de educação dos quadrilheiros Temer/Mendonça Filho e cia. Este é o “crescimento” da educação que buscam impor com as suas contrarreformas.

São esta canalha os verdadeiros responsáveis pela tragédia em Janaúba e tantas outras tragédias que se perpetuam como o próprio cotidiano de nosso aguerrido povo. A creche “Gente Inocente” é mais uma destas instituições de ensino abandonadas pelo “poder público”, que tem a sua precária estrutura permanentemente sucateada, professores mal remunerados e em péssimas condições de trabalho. Não são estes mesmos políticos corruptos os responsáveis pelo congelamento dos investimentos em educação e saúde para os próximos 20 anos? Não são eles que, ao negarem condições dignas de trabalho e tratamento de saúde no serviço público criam, diariamente, doentes mentais como o porteiro Damião Soares dos Santos? E o que dizer dos hospitais em Janaúba que não tinham condições mínimas de atender aos feridos, sequer possuíam luvas cirúrgicas, agulhas, gaze, dipirona ou pomada bactericida para queimaduras. Acaso não é justamente este o “modelo” de serviço público que se reproduz por todo o país como o resultado de suas nefastas políticas anti-povo, situação calamitosa cinicamente utilizada em suas demagógicas campanhas em defesa da privatização dos hospitais e escolas? Quantas crianças não morrem diariamente pela falta de atendimento médico adequado e por problemas de saúde de tratamento relativamente simples agravados pela fome, falta de saneamento básico, etc.? CRIME PREMEDITADO DO ESTADO! A culpa é do presidente Michel Temer/PMDB! A culpa é do governador Fernando Pimentel/PT! A culpa é do prefeito Isaildon Mendes/PSDB!

Mas, enganam-se aqueles que, contaminados pela versão sensacionalista da Globo e sequazes, veem no povo de Janaúba meras vítimas dos infortúnios provenientes duma pobreza endêmica nos sertões do país. Não, senhores! O povo do Norte de Minas nunca se resignou diante à retrógada e miserável realidade social imposta por séculos de domínio semifeudal do latifúndio. Pelo contrário, foi justamente no Norte de Minas, mais precisamente, em Janaúba, no ano de 2000, que o I Congresso da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas encetou o caminho da Revolução Democrática, agrária e anti-imperialista em irrefreável crescimento no país. Congresso histórico, que levantou a bandeira da Revolução Agrária e da retomada das terras de Cachoeirinha, regadas com o sangue dos bravos posseiros e das 62 crianças mortas de fome, frio e sarampo em consequência do covarde ataque das tropas do 10º Batalhão da PM comandadas pelo Coronel Georgino Jorge de Souza, durante o regime militar fascista, no ano 1967.

Da mesma forma, os trabalhadores em educação e estudantes de Janaúba e do Norte de Minas sempre estiveram ativos na luta em defesa do ensino público, gratuito e a serviço do povo e por uma profunda e radical transformação social de nosso país. Os professores da cidade e região sempre estiveram presentes nas mobilizações e greves, como na histórica greve da rede estadual em 2011. Já os estudantes secundaristas de Janaúba, que se mobilizam desde o período do regime militar, a partir do início da década de 1990 tomaram parte no contingente histórico de jovens revolucionários de todo o país que, rompendo com o oportunismo de UNE/UBES, se lançaram no tortuoso caminho da construção de um novo movimento estudantil democrático, combativo e a serviço do povo, lutas estas que tiveram papel imprescindível para a criação da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros). No início dos anos de 2000, os estudantes universitários norte-mineiros participaram ativamente da luta contra a privatização das universidades, nas históricas jornadas contra a cobrança de taxas de matrícula na Unimontes que culminaram na extinção destas taxas na instituição e contribuíram decisivamente para que fosse decretada a sua inconstitucionalidade por todo o país. Neste mesmo período, uma estudante do curso de História da Unimontes figurava entre os presos políticos anti-imperialistas que realizaram combativa manifestação no consulado dos USA na cidade do Rio de Janeiro contra a invasão ianque ao Iraque. Confirmando a tradição de luta de nosso curso, os estudantes de Pedagogia do Norte de Minas e de Janaúba têm participado ativamente da luta, puxada pela Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), em defesa do ensino público gratuito e por uma formação científica e unitária para o pedagogo, enviando representantes para os encontros e fóruns regionais e nacionais e lutando por aplicar os planos de lutas aprovados nestes eventos. Neste sentido, em 2011, quando então compunham a diretoria da Executiva Mineira, as companheiras de Janaúba sediaram o VII Encontro Mineiro de Estudantes de Pedagogia e, no ano anterior, contribuíram decisivamente para a realização do I Encontro Norte Mineiro de Estudantes de Pedagogia em Montes Claros. Vale lembrar que, no ano passado, em Janaúba e por toda a região, os estudantes secundaristas promoveram uma avassaladora onda de ocupações de escolas que se estendeu por dezenas de campus do IFNMG – Instituto Federal do Norte de Minas.

A coragem demonstrada pela companheira Heley de Abreu Silva Batista,ao salvar dezenas de crianças das chamas na creche pagando com a sua própria vida, foi um indiscutível ato de heroísmo e sua decisão em dar a vida pelos filhos do povo ficará para sempre marcado nos corações e mentes dos camponeses, operários e de todo o povo de Janaúba e região. Este é um exemplo maior do heroísmo cotidiano dos trabalhadores desta categoria super-explorada que, com os seus hercúleos esforços e enfrentando as piores condições de trabalho, garantem a alfabetização e aprendizagem das crianças e jovens filhos do povo, no campo e na cidade!
Não aceitaremos que os nossos algozes chorem os nossos mortos! Todas as comendas e homenagens vindas deste velho Estado, verdadeiro responsável pela destruição do ensino e saúde públicos no país, não são mais do que insultos a nossa combativa categoria de professores e à memória da companheira Heley de Abreu Silva Batista, ao sofrimento de seus familiares e entes queridos! Honrar a memória da pedagoga Heley de Abreu Silva Batista é seguir lutando por um ensino público, gratuito e a serviço do povo! Homenagear as crianças mortas nesta terrível tragédia é lutar por construir um novo mundo onde os filhos do povo terão os seus direitos verdadeiramente garantidos!

Abaixo o criminoso corte de verbas no ensino e saúde públicos!
Companheira Heley de Abreu Silva Batista: presente na luta!
Ousar lutar, ousar vencer!

ExMEPe – Executiva Mineira dos Estudantes de Pedagogia
Belo Horizonte, 21 de outubro de 2017

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