Carta de União dos Palmares/AL

Carta de União dos Palmares – Serra da Barriga – 20 de novembro de 2017

ExNEPe é pra lutar! Pelo classismo e contra o imobilismo!

Cai orvalho do sangue do escravo,
Cai orvalho na face do algoz,
Cresce, cresce seara vermelha!
Cresce, cresce vingança feroz!
(Castro Alves – Bandido Negro)

I

Há 321 anos, caía em combate, o mais importante chefe político e militar dos Quilombos no Brasil. Zumbi dos Palmares tombou na guerra, mas seu espírito segue vencendo batalhas após a morte. Zumbi está vivo na heroica luta camponesa contra o latifúndio, na brava resistência quilombola contra os ataques das mineradoras imperialistas e no grito de guerra de nossos povos indígenas em sua resistência secular contra a colonização de suas terras. Zumbi, Dandara e Ganga Zumba não morreram, nossos corações seguem a batida de seus tambores, os mastros de nossas bandeiras vermelhas tem o peso de suas lanças. A classe operária brasileira é a mais legítima herdeira de sua história e de sua cor.

Desde aqui, da Serra da Barriga, coração do histórico Quilombo – que hoje se encontra sob o domínio de um usineiro, mas que em breve será reconquistada por nosso heroico campesinato – desde essa terra de luta, encerramos a nossa participação no XIV Encontro Alagoano dos Estudantes de Pedagogia. Encontro esse que se iniciou no dia 17 de novembro na UFAL, em Maceió. Aqui nessa Serra, mais uma vez, reafirmamos nosso compromisso de luta, pois somos parte da juventude combatente que se levantou em junho de 2013. Não tememos o fascismo, o oportunismo nem a velha ou “nova” direita, os vômitos dos reacionários nem nos impressionam nem nos assustam. Somos continuadores das legiões de ferro do proletariado russo, que há cem anos realizou a Grande Revolução Socialista de Outubro, façanha memorável na história da humanidade. Somos continuadores da heroica juventude brasileira que verteu seu valoroso sangue na luta armada contra o regime militar fascista.

II

Nosso país vive momentos históricos, que cobram de sua juventude uma atitude firme e de vanguarda. Por um lado, temos a ofensiva de parte do podre poder judiciário associado ao imperialismo ianque, que sob o falso lema do “combate à corrupção”, pretendeu reformar a fachada desse velho e podre Estado com fins a recuperar um mínimo de legitimidade. Por outro lado, temos as diversas siglas do partido único, lutando contra essa ofensiva jurídica e visando manter seus privilégios de casta. Por ora, a aliança do partido único da reação, cujas principais siglas são PMDB, DEM, PSDB e PT, conseguiram “estancar a sangria” e deter a ofensiva do judiciário. Como moeda de troca ofereceram para o imperialismo a aprovação da “reforma” trabalhista e previdenciária.

Nessa disputa com o poder judiciário, o mundo político oficial salvou o mandato de Temer, de Aécio e costura a garantia da candidatura de Lula em 2018, que visando uma aliança com o PMDB de Renan Calheiros já fala em “perdoar os golpistas”. Essa unidade da direita tradicional é apenas aparente, se unem contra o judiciário e como resposta reforçam os ataques aos direitos do povo; mas na verdade as classes dominantes nunca estiveram tão divididas. O imperialismo ianque, através do judiciário, ao tentar reformar a fachada desse velho Estado com sua campanha anticorrupção só conseguiu gerar mais instabilidade; afinal, sua lógica é “provocar distúrbios e fracassar”. O cenário de guerra civil, que já vivemos em nosso país – com mais de 60 mil homicídios por ano (sendo a enorme maioria de jovens, pobres e pretos) é sinal da total falta de legitimidade desse Estado apodrecido.

A falsa democracia burguesa está completamente desmoralizada e a farsa eleitoral não representa nenhuma esperança para nosso povo. É preciso ter claro, que da parte dos reacionários, não existe qualquer diferença fundamental em seus propósitos, vejamos a questão da gratuidade do ensino superior no Brasil: temos tanto um judiciário que, em 2017, legalizou a cobrança de mensalidades na pós-graduação nas universidades públicas, como um gerente do tipo Temer (PMDB) que, em 2016, congelou por 20 anos os investimentos na educação, e até um deputado do PT (André Sanches) que apresenta agora uma proposta de emenda à Constituição (PEC-366) para instituir a cobrança de mensalidades nas universidades públicas brasileiras. Judiciário e políticos são todos farinha do mesmo saco!

Diante desse descalabro, setores ainda mais reacionários, viúvas do regime militar, defendem uma intervenção militar no Brasil. Essa direita escancarada se apoia na total desmoralização e corrupção dos poderes executivo, legislativo e judiciário e tenta apresentar o Exército como se esse estivesse acima desses poderes e não fosse justamente a medula central do Estado reacionário. Diante da divisão das classes dominantes no Brasil e da deslegitimação do velho Estado, o risco de um golpe militar de fato é real. Recentemente assistimos o desenrolar de uma crise militar, com um general do alto comando do Exército defendendo a necessidade de um golpe diante do silêncio covarde do gerente Temer (mais preocupado em salvar seu mandato) e das outras siglas do partido único (mendigando às FFAA garantias para as eleições em 2018). Mas esse Exército vende-pátria, lambe-botas dos Estados Unidos, nada tem a oferecer à nosso povo a não ser o aumento da repressão e a entrega de nossas riquezas nacionais.

Nesse quadro de crise sem precedentes, setores vacilantes de organizações estudantis ditas independentes acreditam que na luta contra um possível golpe militar deveríamos agora defender a Constituição de 1988 (como se essa fosse uma grande conquista popular) ou defender essa democracia podre e corrupta como se esta representasse qualquer tipo de contraposição a um regime militar. Só setores vacilantes, pequeno-burgueses, se veem obrigados a escolher entre as opções apresentadas pelas classes dominantes como se essas fossem as únicas possíveis. Como disse a juventude de 1968: “Sejamos realistas, exijamos o impossível” e como sintetizou o Presidente Mao: “Nada é impossível no mundo para quem se atreve a escalar as alturas”. Nos colocamos firmemente contra a possibilidade de um golpe militar, mas para isso não nos alinhamos com esses partidos políticos imundos que justificam e referendam essa velha ordem assassina que pisoteia os direitos de nosso povo e desmoralizam nossa nação. Somos a terceira margem do rio, somos aqueles que seguem o indicado pela Guarda Vermelha durante a Grande Revolução Cultural Proletária na China (1966-1976): somos os que sempre nadamos contra a corrente!

III

O movimento estudantil brasileiro deve, como em outros momentos da história do Brasil, se apresentar na linha de frente contra todo os reacionários de plantão, e contra aqueles que querem assumir o novo turno. Para cumprir esse papel, os estudantes brasileiros devem ter claro a necessidade de se aliarem firmemente à classe operária e ao campesinato, só com essa aliança podemos efetivamente ser revolucionários. Isso é o que se chama classismo, só com classismo nossa luta em defesa do ensino público e gratuito pode ter consequência e perspectiva revolucionária. E estamos falando de qual classe operária e de qual campesinato? Evidente que não tomamos por referência o movimento sindical domesticado que está morrendo de medo do fim do imposto sindical e está disposto a vender a alma e mesmo abrir mão da defesa da previdência social para garantirem essa via de seu financiamento estatal. Também não estamos falando dos movimentos de luta pela terra que se transforaram em distribuidores de cestas-básicas do Incra em seus acampamentos de beira de pista. Quando falamos de classe operária, falamos do proletariado rebelde brasileiro, daqueles operários que, em 2011, atropelaram a burocracia sindical nas históricas greves de Suape (Pernambuco), Belo Monte (Pará) e Jirau (Rondônia). Estamos falando dos camponeses, indígenas e quilombolas que tomam ou reconquistam suas terras e não esperam o governo, ao contrário, fazem o corte popular, dividem as terras e começam a trabalhar imediatamente nelas.

São nessas lutas que o movimento estudantil brasileiro deve se inspirar. Só com o classismo a pedagogia irá derrotar a falsa-regulamentação da profissão, imposta pelo governo Temer, bem como barrar a privatização e o fechamento das universidades brasileiras. Temos que ter ação, disciplina, organização. Com preguiça, imobilismo, paralisia ou covardia não sairemos do lugar e assistiremos da janela a banda passar. Também não derrotaremos o governo Temer ou a ameaça fascista com performances pós-modernas, ou com o lixo cultural da burguesia envernizado de “progressista” e “não-conservador”. Os fascistas têm que ter medo do povo, o governo reacionário tem que temer o povo, e o povo só pode se impor como força, como poder de fato, com decisão, organização e disciplina. Como disse Engels: “existem dois poderes sobre a face da Terra, o poder organizado da reação e o poder desorganizado das massas”; o que se coloca como necessidade peremptória é organizar esse poder das massas, pois estas são as únicas capazes de fazer a história.

IV

Nesse sentido, qual balanço fazemos do XIV Encontro Alagoano de Estudantes de Pedagogia? Avaliamos que ele representou o velho caminho do movimento estudantil brasileiro, representou o estilo da Une (que agora é ex-governista, mas continua oportunista). Representou, por parte de seus “idealizadores” (um pós-anarquista e uma ex-estudante da pedagogia), a rendição completa aos ataques do governo Temer às Universidades. A começar por sua programação: nenhuma mesa sobre a falsa-regulamentação da profissão do pedagogo! A própria divulgação anterior ao encontro dava mostras da falta de ânimo de seus organizadores; mesmo na UFAL não haviam cartazes divulgando o evento e a maioria dos alunos nem estava sabendo que ele iria ocorrer. A divulgação do encontro, propriamente dita, só se iniciou quando a Executiva Nacional passou nas salas de aula convocando os estudantes para o encontro que iria acontecer em sua universidade. Numa sala do 1º período da UFAL, onde foi organizado um debate sobre a falsa-regulamentação da profissão, os membros do CA depois de justificarem seu imobilismo e dizerem que haviam sim passado nas salas de aula, foram desmentidos pelos calouros, que afirmaram que só ficaram sabendo do encontro através da ExNEPe.

E o mais surreal aconteceu na semana que antecedeu ao Encontro, incomodados com a propaganda e a agitação feita pela ExNEPe, um dos “idealizadores” do evento passarou em sala dizendo que a ExNEPe não estava autorizada a divulgar o “encontro deles” (?!), afirmaram também que já haviam se encerrado as inscrições com alimentação. Ou seja, a primeira vez que passaram em sala de aula foi para desmobilizar o próprio Encontro! Ao que tudo indica, o que queriam era fazer um encontro fake, pegando carona no evento da psicologia, marcado para o mesmo período, com o único objetivo de elegerem representantes para a Executiva Nacional. Não possuem de fato nenhuma preocupação com a pedagogia, com a urgência da luta contra a falsa-regulamentação da nossa profissão, muito menos com a organização do dia 23 de novembro (dia nacional de luta), e da audiência pública que acontecerá, em Brasília, no dia 07 de dezembro, quando poderemos pressionar o Congresso a barrar o projeto de Temer/Banco Mundial para nosso curso.

E de fato, o Encontro seria mais ou menos um micro Congresso da Une, se as delegações do interior, da UNEAL de Araparica e União dos Palmares, e da UNINTER não estivessem presentes. Essas delegações vieram em peso, num ônibus arrancado da reitoria da UNEAL e chegaram na sexta-feira, no final da tarde num clima de muita animação e combatividade apesar de termos enfrentado todo o tipo de dificuldade no credenciamento. Uma semana antes, após enviarmos mensagem de texto para a CO solicitando alimentação para a delegação do interior, fomos informados que não era mais possível pois já havia se atingido o número máximo de refeições negociadas com o RU. No dia seguinte, a ExNEPe foi ao restaurante universitário e lá fomos informados sobre a reserva de 70 refeições pelos “idealizadores” do encontro, e de que havia sim muitas vagas de refeições. Ou seja, a CO estava mentindo e dificultando a participação dos estudantes do interior. Diante disso, a ExNEPe procurou a reitoria da UFAL e a Proest, onde conseguimos 40 refeições para os dias do Encontro. Assim estava garantida a participação dos estudantes do interior e mesmo os da capital, que já “não cabiam” na lista da CO.

Mas o pior ainda estava por acontecer: em nosso ônibus, haviam 7 camponeses alunos da Escola Popular, pessoas de luta da LCP e do MLT, que foram participar do Encontro Alagoano como parte de sua formação e fortalecimento dos laços da pedagogia com as organizações populares. A CO cobrou desses camponeses R$20,00 da inscrição sem alimentação, exigiu deles a entrega de xerox de suas carteiras de identidade e depois informou a eles que os mesmos não poderiam dormir no CEDU porque não eram da pedagogia! Pressionada, a CO informou que essa era uma norma do CEDU (?!). Os camponeses e a ExNEPe, então, procuraram o diretor do Centro que nos informou que a proibição do camponeses dormirem ali havia sido uma solicitação da organização do Encontro e como eles estavam responsáveis pelo prédio ele, o diretor, não poderia intervir. As camponesas, algumas com crianças de colo, ficaram revoltadas, mas não recuaram; decidiram que dormiriam na universidade mesmo que fosse necessário armar barracas de lona ao relento. Mais uma vez a ExNEPe atuou e conseguiu junto ao professor Flores, vice-diretor do ICHCA, que o espaço fosse aberto para que os camponeses pudessem utilizá-lo como alojamento. Os estudantes da Uneal e da Uninter, em solidariedade aos camponeses também foram dormir nesse prédio.

Essa posição anti-povo e anti-classista de parte da CO é inadmissível! De boca dizem que são contra o “Escola sem Partido”, na prática aplicam a “Universidade sem Camponeses”! Dentre esses 7 camponeses, estavam muitos dos que haviam apoiado firmemente a ocupação da UFAL, em 2016; dentre eles, estavam justamente as companheiras que sustentaram a cozinha da ocupação; estavam os companheiros que vieram apoiar os estudantes no fechamento da avenida em frente à UFAL na principal manifestação do ano passado. Uma das “idealizadoras” do Encontro Alagoano sabe que o que estamos falando é verdade, pois ela, enquanto ainda cursava pedagogia, estava na ocupação… Foram esses os camponeses proibidos de dormir no CEDU! Logo o pós-anarquista, que se diz continuador de Paulo Freire e questionou em sua palestra a proposta de cassação do patronato da educação brasileira, logo ele chamando a segurança da universidade para impedir que os camponeses se alojassem no CEDU. Que diria Paulo Freire sobre isso? Inadmissível! Exigem o pagamento de R$20,00 para cada um desses camponeses e os proíbem de dormir na universidade!

No dia seguinte, na mesa sobre o racismo, dois camponeses fizeram uma intervenção comovente, falando de suas histórias de vida, de sua cor, de como são hoje os continuadores dos quilombos. Com muito jeito, bem à maneira camponesa, eles criticaram a CO por terem sido proibidos de dormir no CEDU, e afirmaram que consideravam isso uma atitude discriminatória. Estranhamente, nenhum dos três palestrantes comentou a intervenção dos camponeses, e uma representante da CO, outra ex-estudante de pedagogia, sem qualquer consideração pela fala dos camponeses, mentiu dizendo que a responsabilidade deles não terem sido alojados no CEDU era do diretor do centro. Mesmo que houvesse uma regra proibindo a dormida de camponeses no CEDU, era obrigação da CO lutar e reivindicar o direito daqueles trabalhadores, previamente credenciados no Encontro, de dormirem dentro da universidade.

Revoltada com a mentira dessa responsável da CO, uma camponesa no dia seguinte, mais uma vez retomou o ponto. Após a palestra organizada pela ExNEPe sobre a falsa-regulamentação da profissão, ela criticou duramente a CO afirmando que os camponeses haviam sido tratados como “cães sarnentos”; relembrou que eles haviam participado da ocupação no ano passado, tanto na cozinha como nas manifestações, e cobrou um posicionamento da CO. A mesa, mais uma vez de modo surreal, deu continuidade às discussões sem ao menos responder a camponesa. O pós-anarquista, então, tomou a palavra e iniciou sua pauta única: o ataque ao MEPR, o “espectro que ronda a UFAL”. Diante disso, a própria professora da UFCG, que havia feito a palestra sobre a regulamentação, cobrou uma resposta da CO; a camponesa então solicitou uma retratação. Foi quando, desesperados com o desmascaramento de sua posição anti-classista, os membros da CO, que não foram capazes sequer de pedir uma simples desculpas àquela camponesa, iniciaram uma confusão, procurando justamente inverter os fatos e colocar a ExNEPe como responsável por aquelas circunstâncias. Após um bate boca, eles se retiraram do espaço. Nós que continuamos lá, fizemos uma avaliação do encontro, debatemos o calendário de manifestações do dia 23 de novembro em Alagoas, marcamos uma plenária da pedagogia para o próximo dia 25 de novembro na UNEAL de Arapiraca, para discutirmos a audiência em Brasília, e consideramos encerrado o XIV Encontro Alagoano.

V

O Encontro Alagoano teve, portanto, duas plenárias finais. Essas duas plenárias representam de maneira sintética os dois caminhos do movimento estudantil brasileiro. Na plenária democrática-revolucionária, a principal deliberação foi a aprovação do calendário de lutas para barrar a falsa-regulamentação e derrotar a privatização e o fechamento das universidades públicas. Na plenária reformista-pós-moderna, a principal decisão foi o rompimento de um tal “MEPE – Alagoas” com o MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário); essa decisão, além de ser completamente estranha aos estudantes de pedagogia e totalmente inofensiva para o governo Temer, representa uma contradição em termos. Como o MEPE-AL pode romper com o MEPR sendo que nunca esteve vinculado a esse movimento. É como se o Brasil, de maneira retumbante, decretasse sua independência da África do Sul, sendo que na verdade somos colônia dos Estados Unidos! O que o tal MEPE-AL quer esconder é sua condição de semi-colônia da Une, entidade reformista e inimiga dos estudantes; querem esconder seu projeto eleitoral comum para 2018; sua capitulação diante dos ataques do governo Temer. Não por outra coisa, suas intervenções só sabem exaltar a direita, de como “essa está unida”, e mesmo chegando ao cúmulo de dizer que devíamos “aprender com a direita”. Não enxergam um palmo de distância à sua frente, não percebem que nunca a direita esteve tão divida, não percebem que todas essas contrarreformas, apesar de representarem derrotas para o povo, serão, também, o combustível da rebelião popular.

A pedagogia vive hoje um momento decisivo em sua história. Por uma lado, temos o maior ataque do governo federal à independência de nossa profissão, com o pacote: BNCC, reforma curricular e falsa-regulamentação. Por outro lado, temos uma aguda luta de correntes nos encontros estudantis de pedagogia. O que está em jogo não são meras disputas de grupinhos estudantis; o que está em jogo é o futuro da luta estudantil e de nossa profissão. São os dois caminhos da pedagogia: o primeiro é o caminho de esquerda, das posições classistas, combativas e verdadeiramente independentes, que organizam a luta na pedagogia e estarão nas ruas no dia 23 de novembro e em Brasília no dia 07 de dezembro. O outro caminho é o reformista, ocultado por uma casca pós-moderna e existencialista, que diante do fracasso de sua plataforma política, se escondem agora sob uma fraseologia supostamente profunda e pseudo-radical, revoluções linguísticas, corporais, sexuais. Pensam mesmo que estão fazendo uma revolução mais radical que a revolução Russa; existe um problema porém, ninguém do povo toma conhecimento dessa sua revolução comportamental! E esse projeto é totalmente inofensivo e nem arranha a dominação de nosso povo; não representa uma posição de classe e suas palestras, posições e condutas geram aversão do proletariado e do campesinato. Do ponto de vista de classe, representam a degeneração pequeno-burguesa que acredita na possibilidade de transformar a universidade em seu paraíso artificial. Do ponto de vista cultural, qual a diferença deles para as novelas e programas de auditório da Rede Globo ou propagandas do governo? Os termos, os gestos e a pauta são os mesmos!

Na palestra do pós-anarquista, por exemplo, o que ele quer dizer com “corpos vomitados” e “identidades mortas”? Uma intervenção patética que ao término não foi sequer aplaudida, porque os estudantes não sabiam se havia terminado! Falam em “descolonização”, em “epistemologia do sul”, são todas teorias “novas” transcritas, muitas vezes plagiadas, das academias reacionárias da Europa. Termos confusos e abstratos para parecerem profundos, mas a confusão é para ocultar uma prática centrada no individualismo e no arrivismo de pseudo-intelectuais que têm por objetivo máximo, um dia, serem professores de uma Universidade Federal. No entanto, a própria crise vai minando a base objetiva para ilusões como essas, não haverão concursos e muitas universidades fecharão as portas. A meta dos verdadeiros intelectuais do povo é a vitória da revolução nacional e democrática em nosso país, que destrua a dominação imperialista, o latifúndio, a grande burguesia e avance para a construção socialista.

Essa pelegada existencialista quer arrastar a pedagogia para o divã! Ser ou não ser – essa é a questão deles! Como parte da classe operária, os estudantes do povo não têm dúvida de sua condição de existência. Pensamos, existimos e lutamos! Karl Marx, brilhantemente, afirmou: “Os filósofos até hoje se limitaram a interpretar o mundo de diferentes formas; o que cabe é transformá-lo”. Transformação é revolução, e a revolução se constrói com certezas, como afirmou um grande comunista peruano: “as massas seguem os que afirmam e não os que duvidam!” No dia 23 de novembro, a pedagogia verá quais foram aqueles que acordaram para lutar e saberá diferenciar daqueles ativos no mundo virtual, verdadeiros militantes do imobilismo na luta de classes!

Assinam:

Delegação Uneal – União dos Palmares
Delegação Uneal – Arapiraca
Delegação UNINTER
Escola Popular de Alagoas
ExNEPe – Seção Pernambuco

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