Estudantes da UNILA/PR exigem democracia nas eleições para reitoria

Segue nota assinada por CA’s da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, denunciando o processo antidemocrático pelo qual a universidade tem passado na escolha da reitoria, sem qualquer consulta ou participação dos estudantes.

 

QUEM TEM MEDO DA DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIA?

NOTA CONJUNTA DO CENTROS ACADÊMICOS FRENTE A SUSPENSÃO DA CONSULTA A REITORIA DA UNILA

Depois das tentativas de desmonte da UNILA (possível transformação em UFOPR), do sucateamento crescente de um dos pilares de nossa universidade que é a união dos povos da América Latina e Caribe, nos últimos dias estamos vivendo momentos inflamados diante da posição de setores que já conspiram para barrar a consulta a reitoria em contraponto ao espírito democrático que pulsa na comunidade universitária.
Em 8 anos de sua existência a nossa universidade luta por se consolidar e em todas suas possibilidades de ser transformadora, se conforma de maneira conservadora e muitas vezes atrasada com relação todo cenário nacional de produção de ciência, seu potencial é sistematicamente tolido.
Com isso, a vida acadêmica torna-se um verdadeiro fardo para os estudantes, que dia após dia perdem seu entusiasmo com os estudos. A maioria dos estudantes começam a seguir uma rotina cega, apenas para assistir às aulas e entregar trabalhos. Nossos currículos cada vez mais conservadores, não entusiasmam, não provocam debates e nem instigam novas perguntas e críticas.
Nossos ansiosos calouros pouco a pouco vão perdendo o seu ânimo, quando assistem às aulas e logo as comparam com todas promessas da bonita propaganda institucional da UNILA, suas expectativas em aprender coisas novas vão ao chão. Muitos desenvolvem uma angustiante dúvida se pretendem continuar o curso, visto a agravante dificuldade de permanecer na universidade que carece de coisas básicas como R.U, Moradia e Campus, quando estes decidem por continuar, apenas passam pelas disciplinas a fim de o mais breve se formar. Outro reflexo na vida dos universitários é o adoecimento por doenças de caráter mental. Outros pulam de curso em curso na esperança de encontrar algum estímulo para continuar a estudar, vide os números de evasão da UNILA.
Tudo isso é reflexo direto de uma estrutura permeada por um espírito comercial disfarçado de ciência. A ciência é em essência transformação, pois conhecer é transformar e a manutenção dessa velha ordem de coisas já falidas em nossa universidade tem barrado o progresso dela. Apenas uma universidade verdadeiramente democrática e autônoma, onde todos possamos decidir pelos seus rumos, tem condições de produzir uma ciência transformadora que modifique a realidade de fato e sirva ao povo.
Logo, a consulta para definição de nossa reitoria é um passo determinante e a tanto tempo pendente em nossa história, é parte do exercício da democracia e autonomia. Uma das partes que nos cabe na construção do co-governo estudantil é definir de forma democrática junto aos trabalhadores da educação e a comunidade externa, quem queremos que tome a direção de nossa instituição e qual o caminho que estes devem seguir. É um absurdo que os covardes e reacionários que não se revelam, queiram fazer o papel MEC/Temer de definir de forma autoritária e individualista todo esse processo.

Desde o início deste ano se mobiliza uma consulta com diversos mecanismos antidemocráticos altamente contestado pelos estudantes e pela maior parte da comunidade acadêmica desde de sua formulação: duas formas de cálculo para o resultado; voto secreto de quais candidatos serão indicados pelo CONSUN mesmo após resultado da consulta; voto pela internet via sigaa. Agora a comissão eleitoral sofre assédios e muitos deixam o cargo de condutores da eleição pelo absurdo de serem perseguidos nessa condição, ameaçados de sofrerem processos e perderem seus empregos. Diante desse impasse e com omissão proposital do CONSUN em retificar esses problemas o processo de consulta foi suspenso.
Se o CONSUN é composto por nossos “representantes”, por que o voto não deveria ser de acordo com o que seus representados definem previamente? Por que o voto de uma categoria pesa mais que outras, por acaso não somos também parte da comunidade universitária (e a mais expressiva, a universidade com 29 cursos de graduação, 08 cursos de pós-graduação, conta com 3.575 alunos de graduação, 314 de pósgraduação, 513 técnicos administrativos e 361 docentes)? Por acaso não passamos grande parte de nossas vidas sendo conduzidos por essas decisões? Quem garante que o voto será mesmo feito pelo votante, sem coação ou falsificação em um processo tão importante? Quem tem medo da democracia universitária?

Este setor reacionário que aposta no obscurantismo como solução de seus problemas, sofreu um duro golpe quando na terça passada, onde no lugar de um previsto debate a comunidade universitária se mobilizou e encheu o auditório Martina para debater de forma clara e ativa o porquê desses problemas e suas possíveis resoluções. Para que o processo de consulta continue e esse seja feito da melhor forma possível, definiu-se que é preciso:

“1- Garantir condições de trabalho para a CEC, o que implica melhor detalhamento do artigo 28 da resolução, especialmente no que se refere ao afastamento por tempo limitado dos/as candidatos/as, e um ambiente de trabalho não assedioso. Para isso, os sindicatos presentes pedem para ter assento, como observadores, junto da Comissão Eleitoral, a fim de evitar, coibir e agir em caso de assédio.
2- Que o processo obedeça princípios democráticos e de transparência. Para isso, será necessário que a votação seja presencial com o uso de urnas, mesários e fiscais e não via SIGAA e que a consulta seja paritária. Ainda, a comunidade acadêmica pede a consideração paritária dos votos.
3- Que haja segurança e legitimidade no processo, para o que é fundamental que o voto dos/as representantes da comunidade no CONSUN, para referendar a consulta pública, seja declarado, isto é, não seja secreto.

A comunidade acadêmica pede ainda que todas as reuniões do CONSUN para tratar da consulta para reitor/a sejam realizadas no auditório Martina.”
(Relato do dia 14/08/18 encaminhado a reitoria a fim do chamamento da reunião extraordinária do CONSUN)

Em mais de 70% das universidades brasileiras se realiza a consulta de forma paritária. Esse direito, apesar de contraditório visto que caberia às universidades definir seu dirigente e não o MEC, em geral é acatado pelo órgão. Portanto, não cabe a Universidade tomar uma posição que vá contra seu próprio direito de escolha, sua autonomia, o que coloca sobre toda â comunidade acadêmica a necessidade de tomar posição diante disso.

Todos aqueles que conspiram e agem contra o princípio de democracia e autonomia ou se omitem conscientemente para manterem-se na comodidade, tomam diretamente o lado daqueles que levaram ao suicídio político do Reitor da UFSC, ou seja, tomam lado da fascistização, do atraso e do modelo colonial de Universidade.

Até o presente momento, contrário ao interesse e exigências que foram feitas pela comunidade universitária, não houve nenhum chamado por parte do Reitor Gustavo Oliveira à reunião do CONSUN extraordinário para resolver essas questões e dar continuidade ao processo.
A ciência é marcada pela ousadia e essa deve ser também usada para defendê-la partindo da defesa da democracia e autonomia universitárias em busca de uma universidade que realmente una e sirva ao povo de toda América Latina! Para os estudantes, trabalhadores da educação e comunidade externa que possuem o verdadeiro espírito democrático e autônomo, o caminho da luta independente e classista e a consolidação material dos espaços democráticos é que nos defenderá de todo fascismo, obscurantismo e entreguismo!

VIVA A GRANDIOSA LUTA EM DEFESA DA GRATUIDADE, DEMOCRACIA E
AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA!

PRÓ-TEMPORE NUNCA MAIS!

Assinam esta nota:
CAECI – Centro Acadêmico de Engenharia Civil e Infraestrutura
CAENFIS – Centro Acadêmico de Engenharia Física
CELAG – Centro Estudantil Latino Americano de Geografia
CAEQ – Centro Acadêmico de Engenharia Quimíca
CACE – Centro Acadêmico de Ciências Econômicas “Gentil Corazza”
CARIIEG – Centro Acadêmico de Relações Internacionais e Integração Eduardo Galeano
CELAPS – Centro Estudantil do curso de Ciência Política e Sociologia

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