[PR]: Paralisação em solidariedade aos funcionários da Unila termina vitoriosa 

Com informações de Movimento Fagulha

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Os estudantes da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) encerraram no dia 22/09 a paralisação das aulas que teve início dia 19/09 por conta da demissão de vigilantes terceirizados e não pagamento das trabalhadoras terceirizadas da limpeza e manutenção.

Em reunião de negociação sexta-feira (22) durante a tarde, a reitoria da Unila assinou um termo de compromisso e com isso passam a ser invalidados os avisos de demissão dos vigilantes e mantidas as atuais condições de trabalho até dia 31 de dezembro deste ano período esse onde serão realizados estudos para viabilizar a permanência definitiva desses trabalhadores. Decorrente da paralisação, também foi assegurado que foi feito o pagamento do salário e benefícios das terceirizadas da empresa Progresso. No dia seguinte as todas atividades da universidade foram retomadas.

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Em nota, o Movimento Fagulha faz um balanço da luta e afirma que esta também faz parte das mobilizações contra o sucateamento da educação, e que foi um grande passo na luta pelo cogoverno estudantil, pela autonomia e democracia universitária e por uma universidade que sirva ao povo. Afirma também as valiosas contribuições que a luta conjunta dos estudantes e trabalhadores da FALT – UFPR trouxeram para esse momento e que esta foi uma vitoriosa conquista da luta conjunta dos estudantes e trabalhadores.

BALANÇO DO FAGULHA ACERCA DA VITORIOSA LUTA UNIFICADA CONTRA A DEMISSÃO DOS VIGILANTES
A tarde de 21 de setembro foi marcada por uma grandiosa vitória na luta por uma universidade democrática e a serviço do povo e na luta pelo cogoverno estudantil. Unidos trabalhadores e estudantes travaram um consequente e decidido combate contra a demissão dos trabalhadores e as condições de precariedade provindas da terceirização. Utilizando a luta combativa, tirando lições da vitoriosa ocupação do Bandejão da UERJ, ocupamos a Universidade sem necessariamente frear a vida universitária, transformamos literalmente o campus do Jardim Universitária em uma trincheira de luta contra terceirização.

Passo a passo a nossa universidade foi sendo tomada por faixas, notas, declarações, panfletos, assembleias, reacendendo a vida política sobre uma luta contundente contra o fascismo e seu caminho corporativista em nossa universidade. Os trabalhadores mesmo em meio ao frágil elo empregatício e forte controle para que não lutassem, foram os maiores combatentes, enfrentaram o pessimismo e o abatimento tomando seu destino em suas próprias mãos, mantendo a moral de todos em volta elevada. Avançando em meio a esse processo de luta em suas formas organizativas e identificando na prática seus reais aliados, separando os que lutam dos imobilistas/oportunistas. Devido a terceirização e a destruição de direitos básicos, estes muitas vezes ficaram receosos de se pronunciar publicamente, porém isso não impediu de lutar bravamente, tendo os estudantes como linha de frente nessa batalha.

Do ponto de vista econômico podemos considerar que foi uma vitória de resistência, garantimos que os terceirizados tenham seus empregos garantidos até 31 de dezembro e abriu-se um período onde se avaliará quais alternativas para que eles permaneçam após essa data. Porém, não viabilizamos a contratação direta e imediata que era o objetivo econômico de maior interesse deles, compreendemos que falta maior maturação na comunidade acadêmica da questão. Baseando-se no princípio de autonomia universitária para defender tal medida, devemos lutar para elevar tal consciência e dar cabo esta necessidade com uma luta decidida e consequente.

Já no ponto vista político, conquistamos uma grandiosa vitória nunca antes vista na história da UNILA, pois esta foi uma luta que foi travada em total unidade entre estudantes e terceirizados, parcela da classe trabalhadora ao qual sabemos que é a mais sucateada e oprimida dentre os setores da Universidade. Durante essa luta aprofundamos nossas relações no real significado de uma luta classista, democrática e combativa, levantando bem alto a bandeira do cogoverno estudantil e atuando a partir dessa, demos dura luta também contra o fascismo e sua forma persecutória daqueles que lutam ao lado do povo. Outro caráter que se expressou é que predominou-se a linha independente e combativa, ponto no qual os trabalhadores já tinham consciência elevada e rechaçavam qualquer postura de “politicagem” como eles mesmos diziam e como bem tentou fazer parecer nossa reitoria chamando o movimento de “aproveitador” ou que estava-se fazendo “uso eleitoral” dos trabalhadores.

Sobre o cogoverno estudantil, desde a manhã da paralisação (19/09) as chaves da universidade ficaram sobre o controle dos estudantes, algo que há muito lutamos para ter, uma vez que partiu da administração da instituição manter todas as salas fechadas o que impossibilita o básico da vida universitária, nesse momento todos sentiram como os estudantes se sentem ao não ter permissão de entrar nos locais como sala de aula sem prévia autorização e intermédio de professores. De toda forma, não paramos as atividades de pesquisa e extensão e fornecíamos o acesso a tais locais sempre que requisitado. A cozinha coletiva finalmente funcionou sob a gerência daqueles que mais necessitam dela, os trabalhadores terceirizados e estudantes, com as chaves obtivemos acesso aos equipamentos caríssimos (panelas magnetizadas) que ficavam encostados sem uso. Os estudantes puderam usufruir de coisas básicas da Universidade. Ficou a cargo dos estudantes também gerir parte da limpeza e o ensalamento para eventos, vale aqui entrar profundamente na questão da limpeza, pois o que estava acontecendo era basicamente um regime de trabalho escravo, onde as trabalhadoras estavam tirando do próprio bolso a passagem para ir trabalhar e eram obrigadas a cumprir suas funções mesmo sem receber salário, sendo coagidas a não participarem da paralisação. Nos posicionamos firmemente junto a elas e nos colocamos a disposição de servir de linha de frente na defesa dos seus direitos caso a coação se mantivesse. Nesse ponto já tivemos a vitória em meio a paralisação com o anúncio de que havia sido realizado o pagamento atrasado das trabalhadoras e trabalhadores dos serviços de manutenção e limpeza da empresa Progresso que está em vias de falência.

Outro ponto importante do cogoverno estudantil foi a luta por transformar uma reunião que para reitoria seria apenas de esclarecimentos, em uma reunião para resolução imediata dos problemas. Uma companheira de nosso movimento dirigiu a mesa e construiu uma proposta conjunta com os demais ocupantes, trabalhadores e estudantes presentes de como deveria se dar tal reunião. A princípio gerou-se um conflito enorme com a administração e reitoria da universidade que não aceitavam a direção dos estudantes, porém mantemos a postura firme e conseguimos conduzir todo o debate arrancando por fim a readmissão dos vigilantes.

Até o momento dreunião a reitoria utilizou-se de táticas nefastas como jogar trabalhadores contra estudantes, falando para estes e também na reunião de negociação para os demais que os trabalhadores estavam realizando aliança justamente com aqueles que haviam “ocupado contra eles em 2016”. Ora, todos sabemos que a ocupação de 2016 foi por causa de auxílio e moradia, não contra os trabalhadores como acusou falsamente a reitoria. Além de acusar também mentirosamente o movimento de fazer “uso eleitoral”. Em nenhum momento o movimento chamou voto para candidato algum, inclusive como dito anteriormente repudiou-se toda forma de “politicagem” (expressão utilizada pelos próprios trabalhadores) e eleitoralismo. Também utilizaram do pós-modernismo para nos acusar de perseguição, porém tal posição ficou logo desmascarada diante da real postura persecutória que cometeu a Pró-reitoria da PROAGI, tirando fotos de estudantes e trabalhadores em luta, pressionando trabalhadores denunciarem as “lideranças” e pedindo para que estes chamassem a polícia para lidar com a situação, porém voltando atrás depois de notarem a força do movimento. Repudiamos tais atitudes e exigimos uma mudança de postura imediata!

Vale pontuar aqui a posição oportunista ao qual um membro do Sindtest tomou em nossa luta, ora dizendo que apoiava, ora negociando diretamente com a reitoria as pautas do movimento, rebaixando a todo momento as propostas ao mínimo possível, sem sequer consultar os terceirizados, tomando novamente uma posição à direita no processo, fazendo coro com a reitoria e inclusive nos atacando em momentos decisivos quando os trabalhadores estavam conquistando vitórias. Atitude repudiável visto que havíamos previamente chegado em consenso sobre elas em um momento de discussão entre os movimentos apoiadores.

Contrapondo-se a isso é importante ressaltar a força que vem ganhando o setor democrático e combativo que junto aos estudantes têm travado a luta por defender a universidade pública e em especial nesses últimos períodos a democracia, autonomia e também a gratuidade. Gostaríamos de saudar e ressaltar a importância dos professores democráticos e classistas, que forneceram apoio jurídico, com alimentos, suspendendo as aulas no PTI em solidariedade a luta e que estiveram presente durante a paralisação, saudamos em especial a professora conselheira Elen Cristiane, que vem apoiando o movimento estudantil e defendendo nossas pautas nos espaços de luta, assim como também grande parte dos técnicos que forneceram informações importantes e prestaram apoio aos trabalhadores de diversas maneiras. Saudamos o apoio do Sesunila que se colocou prontamente a realizar uma assembleia e apoiar a paralisação caso fosse necessário, o Sindicato dos Vigilantes que foram irredutíveis quanto a readmissão de todos e travaram essa luta em aliança tática aos estudantes. Tal unidade democrática, combativa e classista expressada principalmente na aliança entre estudantes e trabalhadores, sendo os estudantes a linha de frente de proteção aos trabalhadores e linha política dirigente, a dos trabalhadores, é o que há de mais positivo do ponto de vista político nessa luta em um contexto geral.

Nossas intervenções foram essencialmente baseadas na unidade com os princípios de combatividadedemocracia e classismo. Lutamos na assembleia estudantil contra a posição de unidade sem princípios, o divisionismo e imobilismo e também reafirmamos que a Universidade Brasileira não se deve submeter a gerenciar a crise para este estado podre e sim se colocar prontamente com base no princípio da autonomia em defesa da universidade pública denunciando e estimulando ações contra privatização sorrateira e progressiva que vem se consolidando em nosso país,cobramos o posicionamento contundente por parte da reitoriapara que o MEC responda as demandas da universidade em meio aos cortes determinados pelos gerentes de estado.

Caminhamos para o amadurecimento e consolidação de um firme movimento estudantil independe e de uma dura luta em defesa de nossa universidade, esse foi um grandioso passo na construção da universidade que almejamos, uma universidade que verdadeiramente serve ao povo e onde esse participa ativamente dela. Precisamos, mais do que nunca, alavancar a força dos Centros Acadêmicos e consolidar a defesa da autonomia da universidade perante o Estado. Essa vitória é fruto desse avanço e acúmulo das forças do movimento estudantil que vem se reorganizando e preparando-se para enfrentar toda essa onda privatista.

 

Por fim, saudamos a FALT/UFPR (Frente de Apoio a Luta dos Terceirizados) e a organização Alvorada do Povo que no ano passado lutaram também ao lado dos terceirizados e nos serviram de inspiração e argumentos para defender os trabalhadores da UNILA, reproduzimos aqui sua breve porém, importante análise:

Nosso país há muito vem enfrentando uma profunda crise político-econômica, nas universidades isso se expressa na intensificação da terceirização dos serviços federais, a manutenção do PROUNI em vagas de universidades privadas e a EBSERH em hospitais de universidades federais. O resultado desse processo é a prestação do mesmo serviço ao público, a um custo maior e com perda de autonomia por parte da federação. A expressão política máxima dessa posição do Estado foi a PEC 55 – conhecida como PEC do Teto – que na prática realizou um congelamento nos gastos com saúde e educação a nível federal por 20 anos, podendo ser revista apenas em 2026.

No que concerne à terceirização dos serviços públicos federais, esta vem sendo realizada desde a década de 80 nos cargos de atividades-meio (que incluem limpeza, manutenção, recepção, vigilância, cozinha e outros). No ensino público, encontram-se as Universidades Federais, e essas são obrigadas a terceirizar mesmo que o custo seja maior, visto que encontram-se impedidas de abrir concursos para os postos de trabalho das atividades-meio. Como se não bastasse o alto custo para os cofres públicos, como também é o caso das privatizações dos Restaurantes Universitários, ocorre uma retirada brutal de direitos dos trabalhadores, perseguição política às reivindicações econômicas, e assédio moral aos funcionários. Isso sem contar diversas outras práticas nefastas que fragilizam as categorias que realizam as atividades-meio.

Esse processo histórico de esmagamento dos trabalhadores torna-se mais evidente quando nos deparamos com as reformas recentemente aplicadas pelo Estado, como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência, a Reforma do Ensino Médio, e tantas outras medidas que são colocadas como formas de “conter as crises”. Na realidade, tais medidas apenas minam a formação dos futuros trabalhadores, consagrando ainda mais o Brasil como um país politicamente submisso, semicolonial e sem tecnologia e conhecimento científico para utilizar adequadamente seus recursos naturais.”

Abaixo o imobilismo! Abaixo o fascismo!

Em defesa da autonomia da Universidade Pública!

Contra a privatização da universidade pública!

Todo apoio a luta dos trabalhadores terceirizados!

Paralizamos y Ocuparemos cada vez que sea necesario!

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