CNE aprova BNCC na surdina

cne

O Conselho Nacional de Educação (CNE), sem nenhum aviso prévio, aprovou na manhã da última terça-feira (4/12) a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) do Ensino Médio. O documento segue agora para homologação do Ministério da Educação (MEC).

A aprovação do documento foi realizada numa Sessão Pública do CNE que estava agendada sem o anuncio de que a pauta seria votada. Evidentemente, o motivo de tal omissão é o grande rechaço que profissionais da educação, estudantes e inúmeras entidades demonstraram à BNCC em audiências públicas e manifestações.

Com a BNCC, 60% da carga horária do Ensino Médio será dividida pelas chamadas “áreas de conhecimento” (Linguagens; Matemática; Ciências Humanas; e Ciências da Natureza), sendo obrigatórias somente Português e Matemática. Os outros 40% (com perspectiva de ampliação ao longo dos anos) serão destinados aos itinerários formativos, ou seja, especialização em uma das quatro “áreas do conhecimento” ou em curso técnico profissionalizante. Os 40% alardeados pela propaganda do MEC como “direito de escolha” significam na verdade, um grande esvaziamento científico e de conteúdo dos currículos das escolas de Ensino Médio. Além disso, a parte “flexível” do currículo poderá ser ofertada por empresas privadas que ofereçam cursos profissionalizantes, ensino técnico como Pro-natec, e o sistema S (Sesi, Senai, Senac…), ampliando o processo de privatização da Educação Básica.

Este projeto privatista está no bojo das contrarreformas educacionais do Banco Mundial, que buscam, acima de tudo, controlar ideologicamente as massas. O Projeto de Lei Escola Sem Partido e a falsa regulamentação da profissão do pedagogo se somam aos ataques como propostas que fiscalizam e punem os profissionais em educação, cerceando ideologicamente aqueles que não aceitam reproduzir as cartilhas educacionais do imperialismo para a juventude. Sem contar o crescente processo militarização das escolas, que tendo como maior expressão o Estado de Goiás, vem ganhando espaço no discurso fascistóide de parlamentares como modelo último de educação.

A ExNEPe vem se posicionando contra esse odioso projeto em grandes lutas travadas de norte a sul do país, como no Dia D Contra a BNCC e na intervenção em Audiência Pública convocada pelo CNE/MEC no dia 14/09. O Vitorioso 23 de Novembro, que é o Dia Nacional de Luta em Defesa do Ensino Público, Gratuito, Democrático e a serviço do povo, evidenciou o completo rechaço de estudantes de pedagogia, licenciatura, e profissionais em educação de todo o país ao processo de fascistização do Estado, à criminalização do direito de lutar expressa no processo aos 23 ativistas do Rio de Janeiro e às contrarreformas educacionais do Banco Mundial, particularmente à BNCC e ao Escola se Partido.

Demonstramos mais uma vez nosso repúdio a esse ataque e reiteramos que somente a luta do nosso povo, especialmente dos estudantes combativos e independentes, unificada com os trabalhadores da educação poderá defender as escolas desses ataques. É preciso transformar as escolas em verdadeiras trincheiras de combate, impondo nelas a democracia e o co-governo, para garantir ao nosso povo o direito de estudar e escolher seus currículos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s