Gestor é exonerado por ser contra ensino militar na rede pública

Com informações de G1.globo.com

O secretário de Educação do Distrito Federal, Rafael Parente, exonerou no último dia 25 o subsecretário de Educação Básica Sérgio Elias Machado, nomeado no início de janeiro, dia 4.

Tudo começou quando Elias elaborou um parecer no qual se coloca contrário à educação militar nas escolas públicas. O projeto, fruto de uma parceria da pasta com a Polícia Militar, deve entrar em vigor ainda neste ano. “Ele colocou um parecer escrito por ele no sistema da secretaria, se colocando contrário ao nosso projeto-piloto das escolas com a PM, sem ter discutido com ninguém previamente. Por regras internas, teria que ter discutido”, diz o secretário.

Segundo o secretário, foi a conduta profissional de Elias que motivou seu desligamento da pasta. Em conversa com o jornal, disse que o subsecretário “não estava se adequando ao ambiente de trabalho”. Entretanto, outros três assessores ligados a ele também devem ser exonerados.

 

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Rafael Parente, secretário da educação do Distrito Federal.

Educação Militar

Além disso, o secretário também contou sobre a “parceria” com a PM, para seu projeto de ensino militar, que, até o momento não tem um modelo definido. “Essa coisa do convênio com a PM a gente não criou ainda, estamos criando agora. Não tem um modelo que vamos fazer igual, não é o modelo de Goiás, vai ser um projeto-piloto criado por nós”.

Quatro escolas foram escolhidas para a ação teste: CED 7 de Ceilândia, CED 1 da Estrutural, CED 308 do Recanto das Emas e CED 3 de Sobradinho. Segundo o governo do DF, essas regiões foram escolhidas a partir de quatro critérios:

  • Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador sobre a qualidade do ensino no Brasil;
  • IDH, índice medido anualmente que tem como base indicadores de saúde, educação e renda;
  • mapa da violência do local;
  • estrutura das escolas.

A iniciativa estabelece que, com um aplicativo de celular, os pais possam ter acesso ao que os alunos fizeram durante o período de aulas. Além do monitoramento por meio do aplicativo, também estão previstas as seguintes medidas:

  • Estudantes deverão usar um uniforme diferente, que será distribuído de forma gratuita.
  • Meninos terão que usar cabelo curto; meninas, coque;
  • Cada escola vai receber de 20 a 25 militares – PMs ou bombeiros que estão na reserva ou sob restrição médica.
  • A gestão vai ser compartilhada: professores, diretores e orientadores vão continuar cuidando da parte pedagógica. Os militares, das atividades burocráticas e da segurança, como controle de entrada e saída, horários e filas;
  • Os policiais vão dar aulas, no contraturno, de musicalização, ética e cidadania

Como já pontuamos anteriormente (no artigo Militarização das Escolas não melhora educação), a militarização do ensino, que vem como saída para resolver a precarização da educação pública é engodo, feito para enganar o povo e ainda reprimi-lo. Como concluí o artigo, não há qualquer prova que a militarização melhore o ensino, pelo contrário, “o que de fato aumentou dentro dessas escolas foi a censura, a repressão, as torturas psicológicas e o índice de evasão.”

Esse processo tem se intensificado desde 2013, como parte da militarização do velho Estado, com o propósito de controlar ideologicamente a juventude, que tem se mostrado um grande perigo nos últimos anos, nos quais sempre se levantou em defesa de seus direitos e se colocou na linha de frente da luta. Esse projeto farsesco vem como uma tentativa de frear novas revoltas. Mas será em vão! A cada dia que se passa ocorrem mais levantes, frutos das condições precárias enfrentadas por estudantes e professores nas escolas e universidades do país e nada que esse governo anti-povo faça irá mudar esse cenário caótico.

2019 será um ano de grande lutas para o povo brasileiro e a ExNEPe reafirma que o caminho para defender nossos direitos e conquistar uma educação verdadeiramente pública, gratuita, democrática e a serviço do povo é perder qualquer ilusão com os discursos pacifistas e conciliadores, daqueles que cruzam os braços diante de cada ataque à educação, e dizem que não há o que fazer. Isso é pura enganação. Ninguém pode nos tirar o direito de lutar, ou o povo deve pedir permissão para se manifestar? Nada conseguirá impedir os levantes que virão, mas a garantia de seu sucesso será sua independência e sua organização para seguir o caminho combativo e consequente.

 

 

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