[SP]Deputados criam CPI para intervir nas universidades

Com informações de UOL.

A Assembleia Legislativa de São Paulo será palco de uma ofensiva da base do governo João Doria (PSDB) com abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o que os deputados definem como “aparelhamento de esquerda” das universidades públicas paulistas e “gastos excessivos” com funcionários e professores. Entre as mudanças que eles querem discutir estão a escolha do reitor e a forma como o Estado repassa recursos às instituições, ambas garantidas hoje pela chamada autonomia universitária.

Apresentada pelo deputado Wellington Moura (PRB), vice líder do governo, a CPI das Universidades Públicas será instaurada nesta semana. O objeto divulgado no Diário Oficial é vago: “investigar irregularidades na gestão das universidades públicas”. Entre as justificativas apresentadas oficialmente está o fato de as universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e Estadual de Campinas (Unicamp) receberem 9,57% da arrecadação do ICMS do Estado. O valor atual está em torno de R$ 9 bilhões.

“Vamos analisar como as questões ideológicas estão implicando no orçamento. Eu percebo um predomínio da esquerda nas universidades. Infelizmente, muitos professores levam mais o tema ideológico do que o temático para a sala de aula”, disse Moura.

Os parlamentares querem ainda mudar o modelo de governança. Hoje, o reitor é escolhido a partir de lista tríplice enviada ao governador, que opta por um dos nomes. Quem escolhe os ocupantes da lista é a comunidade universitária, com mais peso para o voto dos professores. Para deputados da base governista, até o Conselho Universitário, órgão máximo das instituições, seria dominado pela esquerda.

“Depois da CPI, muitas ideias vão surgir. Um projeto de decreto legislativo pode alterar a forma de escolher os nomes da lista tríplice. Pode ser um nome indicado pelo governo, outro pelos deputados e um terceiro pela universidades”, disse Moura.

COBRANÇA DE MENSALIDADE

A CPI também trouxe de volta a ideia de se cobrar mensalidades em universidades públicas, que surgiu durante as eleições presidenciais, como forma de diminuir a participação do Estado no orçamento.

Daniel José, líder do Novo e vice-presidente da Comissão de Educação da Casa, defende a mudança. “O conceito de universidade pública, gratuita e estatal deveria deixar de existir.”

ATAQUE À AUTONOMIA

Com toda essa pompa nos lábios, os deputados esbravejam sobre uma suposta “esquerda” dominando as universidades. Eles, defensores ávidos da educação, -principalmente a educação privatizada -, utilizam-se de toda sorte de argumentos esdrúxulos e megalomaníacos como justificativa para seu real objetivo: atacar a educação pública, em sua gratuidade e sua autonomia.

Querem nos tirar o mínimo de democracia que existe dentro das universidades e torná-las ainda mais atrasadas, dignas da Idade Média. E com os cortes de verba que têm recebido, levá-las ao limite com a precarização. Mas no interior da educação existe luta, e se de um lado desejam aplicar essas reformas, de outro, existe o interesse de uma educação gratuita, democrática, científica e a serviço das classes populares.

Para fazer essa defesa desse segundo caminho de forma contundente e para não vacilarmos, só um movimento independente, classista e combativo pode ser vitorioso. Um movimento que siga com a greve de ocupação, sob direção dos estudantes, em conjunto com os professores e técnicos-administrativos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s