Máfia das creches em SP usou ONGs de fachada para desviar milhões da educação infantil

Repercutido de ig.com.br

Investigação aponta para grupo que criou entidades de fachada para gerir creches, de acordo com apurações revelada pela Polícia Civil de São Paulo

A polícia do 10º Distrito Policial (Penha), o Ministério Público e a Controladoria Geral do Município (CGM) estão investigando um esquema que envolve desvios de creches terceirizadas pela Prefeitura de São Paulo . Os indícios apontam para uma ‘máfia’ que criou indústrias de ONGs de fachada para gerir as unidades, segundo a Polícia Civil da capital paulista. 

As investigações resultaram em mandados de busca e apreensão, no descredenciamento de mais de cem creches e descoberta de prejuízos milionários, de acordo com a Folha de São Paulo. 

As entidades receberam, juntas, um montante de R$ 170 milhões ao mês da prefeitura de São Paulo. Falhas teriam permitido que grupos criminosos usassem brechas para realizar desvios. Escritórios de contabilidade estão envolvidos no esquema e foram autuados durante a investigação, com a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos. 

O telefone de um dos donos de escritório de contabilidade revelou conversas que explicam como acontece a negociação para que uma entidade seja criada, segundo os registros policiais. O procedimento, quando realizado corretamente, precisa ser aprovado em diversas etapas. A realização de uma assembleia, a criação de um estatuto e o registro em cartório compõem as fases.

Laranjas também eram usadas para abertura de algumas entidades. Em conversas que a polícia rastreou, as ONGs custavam entre R$ 8 e 13 mil. O tabelamento dependia de certidões, credenciamentos e autorizações de uma para a outra. 

Empresas envolvidas

Os registros da polícia apontam que Isaque Gomes dos Santos, do escritório Prime SP está entre os envolvidos na máfia das creches . O endereço foi alvo de mandado de busca e apreensão. 

O escritório de Santos prestava serviços para sete entidades com ao menos 30 creches. Problemas na prestação de contas envolvendo o recolhimento de contribuições sociais de funcionários não condizem com os extratos, segundo aponta a Controladoria Geral do Município (CGM). 

O contador também era presidente de uma das unidades, o Instituto Educacional e Social Viva a Vida, responsável pela gestão da creche CEI Margarida.

De acordo com as investigações, o escritório que mais aparece entre as unidades que cometeram fraudes é o FGM Contabilidade, de Jefferson Alves Ferreira e Thiago da Silva Soares. 

A empresa oferece soluções contábeis “com qualidade, agilidade e confiabilidade para Associações do Terceiro Setor, com parceria com a Prefeitura de São Paulo no âmbito da Secretaria Municipal de Ensino”, de acordo com informações disponíveis no site da empresa. 

A polícia suspeita que a FGM e outros escritórios, como Elion Contabilidade, estão envolvidos na abertura de uma série de ONGs e empresas de fachada. A intenção delas estava focada na atuação dentro do ramo educacional . A pessoa responsável pela Elion é Cláudio Dias Fermino.

As empresas também serviam para fornecer notas falsas. A polícia tem encontrado dificuldades para apurar o caso, devido às notas fiscais não ficarem sob a posse da Prefeitura de São Paulo, mas sob a guarda das entidades.

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