Estudantes secundaristas e trabalhadores em educação resistem às ingerências do governo do Paraná e mantêm abertos seus colégios através da luta combativa!

Desde setembro deste ano a Secretaria de Estado de Educação (SEED) vem tentando impor o fechamento a 19 colégios no estado do Paraná, sendo seis apenas na capital. A secretaria há muito opera no sentido da precarização e fechamento de escolas, sempre com o falso argumento de que não há procura, todavia, é comum a negação de matrículas para jovens em idade escolar, fato relatado por muitos estudantes. Ao passo que diminui a verba do Estado, as escolas veem ano a ano decair a qualidade do ensino, bem como o número de matrículas ofertadas. A secretaria muitas vezes não permite que os colégios renovem algumas turmas e com isso impõe, paulatinamente, o fechamento.

Desta vez, porém, os ataques do governo do Estado contra a educação se intensificaram. Como arremate dessa campanha reacionária, a SEED buscou fechar de uma vez as escolas. Os estudantes, trabalhadores e pais reagiram montando abaixo-assinados, colando cartazes, fazendo discussões abertas, se organizando e executando vitoriosos atos no centro de Curitiba, com direito a fechamento de ruas, panfletagens e colagem de lambes. Derrotada pela luta consequente dos secundaristas, a secretaria mudou sua tática, passou a dizer que não fecharia os colégios, mas sim os transformaria todos em extensões do Colégio Estadual do Paraná (CEP), que passaria a administrar os demais. Tática funesta, uma vez que joga com as aspirações que muitos estudantes têm em frequentar o CEP, por sua reconhecida qualidade, assim como ocorreu com o fim do ensino médio no antigo CEFET, onde ainda se prometeu que seriam abertas novas vagas nos Institutos Federais para suprir tal fechamento, obviamente sem ser cumprido. É preciso, portanto, dizer que não só não é possível fazer tal passagem administrativa, uma vez que o CEP teria que bancar de sua verba própria todos os demais custos advindos dos “novos” prédios e alunos, como que o próprio CEP está enfrentando hoje um processo de precarização e fechamento! Desde o início do ano são públicas as intenções do governo do Estado de utilizar as instalações do Colégio Estadual para abrigar a SEED. Com isso, o colégio tem passado a realocar centenas de estudantes para outras escolas, não por acaso bem aquelas que estão sendo ameaçadas, como o colégio Tiradentes, Zacarias, Barão do Rio Branco e Amâncio Moro, entre outros.

Novamente os estudantes, trabalhadores e pais rejeitaram as propostas da SEED, demonstrando como, na prática, elas significavam o fechamento imediato de seus colégios, por meio da destituição de sua administração própria, autonomia pedagógica e de gestão, bem como o fechamento a longo prazo do próprio CEP. Os únicos a apoiar tamanha canalhice foram, é claro, os representantes da União Paranaense dos Estudantes (UPES), entidade carcomida pelo oportunismo. A luta combativa barrou esses ataques à educação, porém já se pronunciam outros. O governo do Estado tem se pronunciado em favor do fechamento do ensino médio noturno. Como estratégia de antessala, advogou por disponibilizá-lo apenas para estudantes que comprovadamente trabalham, e diante dos protestos de pais, alunos e funcionários, voltou atrás e disse que o critério só seria aplicado em caso de falta de vagas.

O governo do Estado do Paraná, administrado por Ratinho Júnior (PSD), nem tenta esconder suas intenções. Tem intensificado a campanha pela militarização das escolas, medida fascista para a corporativização e controle social, bem como pela privatização. Em uma de suas empreitadas advogou por ceder durante 50 anos o colégio Manoel Ribas, localizado em uma das regiões mais pobres de Curitiba, a Vila Torres, para o grupo Marista, conglomerado econômico associado à Igreja. Tentativa que foi derrubada pela população revoltada. No ensino superior, Ratinho também impôs um corte de 60 milhões a sete Universidades estaduais, equivalente a mais de 20% do orçamento. O governador, nascido em família milionária, ligada ao latifúndio e ao monopólio de imprensa, e com a vida ganha pelo sobrenome do pai, alegou tratar-se de “meritocracia”. A mesma lógica aplica-se à “Reforma” da Previdência do Estado, a ser implantada intensificando as medidas do governo Federal, como a cobrança de 14% da alíquota previdenciária sobre qualquer remuneração que supere dois salários mínimos.

Tamanha situação de aprofundamento da exploração e opressão aponta para o criminoso assalto aos direitos duramente conquistados pelo povo e suas consequências são sentidas por toda a população. O Paraná foi um dos únicos estados onde o índice de analfabetismo cresceu nos últimos anos, passando de 4,6% para 5% de 2016 para cá, e os níveis de escolaridade têm só decrescido. Enquanto que retira da juventude a possibilidade de estudo, o governo investe pesado em maior militarização, polícia e presídios, bem como em sua propaganda reacionária contra tudo que cheire a povo.

A vitória contra as absurdas tentativas de fechamento das escolas deve ser efusivamente celebrada, mas a luta ainda não acabou. A situação de cerceamento constante e a perda de direitos persiste. A ofensiva do Estado contra a nossa educação só será efetivamente barrada pelo incremento da luta combativa, apontando para a justa revolta popular. É necessário, portanto, organizar prontamente todos os colégios e Universidades para resistirem a estes bárbaros ataques e reverter esse cenário por meio de atos combativos, greves de ocupação e construindo co-governo estudantil! Os servidores públicos paranaenses já deram a este governo uma mostra do que está por vir caso persistam suas aspirações anti-povo, ocuparam a Assembleia Legislativa no dia 03/12 passando por cima dos cães fardados de Ratinho e cia. Assim é, também, por toda a América Latina onde nossos irmãos já apontam o caminho da luta intransigente e sem quartel contra os governos do velho Estado e seus ditames!

NÃO AO FECHAMENTO DAS ESCOLAS E O FIM DO ENSINO MÉDIO NOTURNO!

ABAIXO A “REFORMA” DA PREVIDÊNCIA ANTIPOVO
DE BOLSONARO/GENERAIS E DE RATINHO JR!

VIVA A LUTA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS!

VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA, COMBATIVO E INDEPENDENTE!

ExPEPe,

Dezembro de 2019

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