CE: Crise militar atinge escolas públicas da capital!

Foto: José Leomar/SVM

Duas escolas públicas, localizadas em Fortaleza, Capital do Ceará, foram alvos de repressão e ocupação militar por parte de policiais e seus respectivos familiares “grevistas”. A primeira instituição pública de ensino envolvida na crise militar pela qual passa o Estado, foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) José Bezerra de Menezes, que esteve ocupada desde o dia 20 de fevereiro por policiais militares “grevistas” – leia-se amotinados – que arrombaram o cadeado e invadiram o local.
A Secretaria da Educação do Estado (Seduc) chegou a enviar um ofício ao comandante da 10ª Região Militar (10ª RM), o general Cunha Mattos, solicitando apoio do Exército para garantir a normalização do funcionamento da escola. Segundo o ofício enviado pela Seduc, a instituição de ensino possui 565 estudantes matriculados e os policiais amotinados ocupavam um bloco de cinco salas de aula, além da cozinha e dos banheiros que são utilizados pelos alunos. Em resposta, o Exército comunicou que não poderia atuar na reintegração de posse da escola.
Os policiais votaram pelo fim do motim no dia 1º de março e começaram a desocupar os batalhões e a Escola José Bezerra de Menezes a partir do dia 2. O Sindicato dos Professores e Servidores da Educação e Cultura do Estado e Municípios (Apeoc) lançou duas notas denunciando os acontecimentos em que escolas públicas estaduais foram envolvidas: “O Sindicato […] APEOC, vem por meio desta nota repudiar veementemente a invasão e ocupação do espaço da Escola Estadual José Bezerra de Menezes, situada na Rua Anário Braga, próxima ao 18º Batalhão da Polícia Militar, que teve o cadeado arrombado na entrada e foi invadida.”

A nota continua: “não podemos conceber ultrajante ação contra a Educação Pública Cearense, a liberdade e a democracia. Diante dos prejuízos pedagógicos, riscos de segurança, cerceamento do processo de ensino e aprendizagem aos quais estão submetidos profissionais da Educação, alunos e pais, tomaremos todas as iniciativas necessárias para libertar a Escola José Bezerra de Menezesdo espectro do obscurantismo, da repressão e da intimidação feita por homens que deveriam resguardar a lei e a ordem democrática.”


PM-CE comete seu primeiro ato de truculência em escola pública após o fim o motim.

Estudantes e funcionários da Escola Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Waldemar Falcão foram vítimas de uma abordagem violenta e imprópria para uma instituição pública de ensino. O Sindicato Apeoc denunciou: “Inaceitável a postura da Polícia Militar, na ação truculenta ocorrida na manhã da segunda-feira (2), na referida Escola. A instituição de tempo integral foi surpreendida com uma equipe da PM pedindo autorização para entrar em uma sala de aula, com o argumento de um diálogo com os educandos sobre supostos gestos e xingamentos proferidos contra eles policiais.

No entanto, para surpresa de todos, o que se viu foi uma abordagem grotesca para o ambiente escolar, os garotos foram colocados contra a parede, revistados, dado buscas em seus pertences enquanto ouviam palavras chulas e ofensivas por parte da força policial. Uma situação que expôs a coordenação a um sentimento de impotência sobre a ação, onde todos ficaram em estado de choque com a cena.”

Em meio à uma aguda crise política, jurídica e militar e na esteira das grandes pugnas entre frações de grupos das classes dominantes e as forças policiais do Estado burguês-latifundiário, nosso povo sofre com mais repressão e violações de direitos básicos, mesmo dentro de escolas públicas. A resposta para tal situação é a luta consequente, sem as amarras dos setores imobilistas do movimento sindical e estudantil, o único caminho pelo qual as massas podem encontrar os meios possíveis para se defender de toda a reação violenta e antipovo do aparelho de repressão do estado.

Encerrado o motim, a polícia militar voltará a fazer o que sempre fez na história de nosso país: reprimir a ferro e fogo as lutas populares, principalmente aqueles que ousarem ultrapassar os limites impostos pelas classes dominantes para a luta do povo.

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