MOÇÃO DE APOIO A LUTA PELA EDUCAÇÃO E SAÚDE PARA O POVO GUARANI-KAIOWÁ

Nós, da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, reunidos no II Seminário de Educação, viemos por meio desta moção, prestar solidariedade e apoio a luta do povo guarani-kaiowá pela retomada de seus territórios tradicionais, roubados pelo latifúndio, e junto a isso, a luta pelo acesso à educação e saúde, direitos que estão sendo sistematicamente negados pelo velho Estado a esse povo.

Os guarani kaiowá da Aldeia Te’yi kue no município de Caarapó tem enfrentado enfrentam várias dificuldades de transporte das crianças do tekoha[1] Itagua para a escola localizada na Aldeia, que fica muito distante, fazendo com que fiquem longe também de suas famílias. Assim, reivindicam a construção de uma escola na retomada para estas crianças. Assim, apoiamos e nos solidarizamos com esta, que é uma luta pelo acesso do povo ao conhecimento, uma luta importante para levar o conhecimento onde o povo vive e trabalha.

Dentro dessa situação, denunciamos o descaso do Estado para com o povo guarani kaiowá, pois impede o acesso dos indígenas à saúde nas 9 retomadas de Caarapó, que esperam há 5 anos que a SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) atenda melhor suas comunidades. Ao invés disso, as retomadas são discriminadas e os agentes de saúde são proibidos de entrar nas retomadas com ameaças de perda de emprego. Dessa forma, os guarani kaiowá exigem que a SESAI contrate uma equipe volante para atender somente áreas de retomada e a contratação de três agentes de saúde indígenas para isso.

Denunciamos também, a decisão do governo de invalidar a formação dos cursos de Licenciatura Intercultural Indígena, afetando muitos professores indígenas que estão entrando e entraram na universidade, para ter acesso ao conhecimento científico e poder lecionar em suas aldeias e retomadas. Diante disso, decorre a ameaça de fechamento dos próprios cursos de Licenciatura Intercultural Indígenas, como é o exemplo o da Universidade Federal da Grande Dourados que tem grande importância para os povos indígenas do Mato Grosso do Sul, formando inúmeros professores indígenas para atender as necessidades de suas escolas e fazendo, dessa forma, com que a universidade realmente sirva ao povo.

Este se configura como mais um ataque a autonomia do povo guarani-kaiowá, de ter professores do seu próprio povo para lecionar em suas escolas. Sendo que por décadas nestas escolas predominou professores não indígenas, que desrespeitavam seu modo de ser, impondo valores alheios a este e impedindo que aprendessem seus costumes, tradição e língua. Assim, a formação de professores indígenas se coloca na luta pelo fortalecimento da cultura indígena e de sua autonomia dentro de seu território.

Diante disso, nós da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, expressando se caráter classista, nos comprometemos a divulgar e apoiar estas lutas, entendendo que são direitos do povo que estão sendo negados e que estão ligadas de forma inseparável a luta sagrada dos guarani kaiowá pelo seu território, seu tekoha. Sendo as retomadas, grandes trincheiras em que este povo luta por um lugar onde possa viver com suas famílias tendo acesso aos direitos mais básicos como educação e saúde, conforme suas tradições e costumes.


[1]  Literalmente, “lugar onde se pode ser”, onde os guarani kaiowá podem viver seu modo de vida conforme seus costumes. 

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