28 de Março: Dia do Estudante Combatente

A luta por uma educação pública e gratuita é uma luta histórica extremamente importante em nosso país. É uma luta cotidiana e que atualmente, neste governo militar, tem tomado grandes proporções. Milhares de pessoas sempre defenderam essa educação com unhas e dentes: às vezes realizando panfletagens e conversas; às vezes ocupando escolas e universidades; e às vezes enfrentando a polícia com paus e pedras nas mãos. Se formos buscar na nossa memória, com certeza lembraremos de momentos em que estudantes e trabalhadores da educação ergueram suas bandeiras e resistiram bravamente à repressão das tropas policiais em atos, manifestações e ocupações. Basta relembrarmos do assassinato do estudante Edson Luís há 52 anos atrás durante o regime militar, secundarista que participava de uma manifestação contra a privatização do ensino público e contra o aumento do preço do restaurante universitário.

Edson Luís era filho de uma família pobre e veio de Belém-PA para o Rio de Janeiro com o fim de cursar o segundo grau. O estudante travou duras lutas contra a privatizaçao do ensino público no período que o fascismo estava na direção do Estado brasileiro – mesma época em que ocorreu os acordos MEC/USAID e a ofensiva privatista na educação se intensificou. Até que no dia 28 de março de 1968, após enfrentar a PMERJ com paus e pedras numa manifestação que ocorria no restaurante do Calabouço, Edson foi baleado por policiais militares. O crime cometido durante o regime militar foi o estopim para que a população tomasse as ruas e manifestações numerosas explodissem por todo o país. As camadas mais populares e progressistas da sociedade se solidarizaram com a causa dos estudantes e a luta contra a precarização e privatização do ensino público prosseguiu intensivamente por todos os cantos. Reitores de diversas universidades recuaram com suas medidas privatistas e os estudantes triunfaram. Mas para que chegássemos a isso, duras lutas foram travadas e muitos foram presos – estudantes em sua maioria. Até a União Nacional dos Estudantes (UNE), quando esta era uma entidade que defendia os nossos interesses, foi posta à ilegalidade.

Analisando a nossa história, observando o exemplo de Edson Luís e de muitos outros, devemos rememorar que aqueles que sempre estiveram na linha de frente em defesa da educação pública e gratuita foram os(as) estudantes. Por isso, nós da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, em memória do heroico estudante secundarista Edson Luís, escolhemos o dia 28 de março como o Dia do Estudante Combatente! Neste dia, realizamos atos, panfletagens, debates e manifestações para relembrarmos o exemplo de Edson, recordarmos de todas as lutas estudantis que aconteceram e acontecem em nosso país e de reafirmarmos que nós somos a principal força de combate nas escolas e universidades. Somos nós que na Pedagogia sempre estivemos a frente de diversas lutas nacionais, sempre nos colocando contra as medidas privatistas dos governos de plantão que buscavam transformar o currículo da Pedagogia e das Licenciaturas em um currículo tecnicista, aligeirado e pragmático. Também somos nós que desde antes do regime militar defendemos a gratuidade do ensino e a democracia estudantil com um punho de ferro. Basta vermos o que foi a grandiosa Greve do 1/3 em 1962 (greve nacional que reivindicada 1/3 da participação estudantil nos conselhos universitários) e basta vermos as inúmeras greves de ocupações que ocorreram nas últimas três décadas. Partindo de todo esse acúmulo histórico de lutas, seguiremos empunhando a bandeira do Co-governo Estudantil e avançaremos firmemente na luta contra a privatização do ensino público e gratuito!

VIVA A JUVENTUDE COMBATENTE!

VIVA A LUTA COMBATIVA, CLASSISTA E INDEPENDENTE!

ABAIXO A PRIVATIZAÇÃO DO ENSINO PUBLICO!

EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA, DEMOCRÁTICA E A SERVIÇO DO POVO!

Sugestão de leitura do texto “Co-governo Estudantil: Caminho da Conquista da Autonomia e Democracia Universitária.”

https://exnepe.org/2019/08/22/co-governo-estudantil-caminho-da-conquista-da-autonomia-e-democracia-universitarias/

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