MA: Vitória dos estudantes de história contra o EaD!

VITÓRIA DOS ESTUDANTES!

No dia 2 de Junho, foi marcado o colegiado de curso da Licenciatura em História da Universidade Estadual do Maranhão para decidir se nosso curso iria ou não aderir à proposta de aulas em EaD, ou, como preferem, “ensino remoto”. O C.A de História Negro Cosme, em sua Gestão Catarina Mina, através de nota e mobilização de campanha com materiais gráficos informativos dos males do EaD, como também através de questionários disponibilizados aos alunos para conhecer seu acesso aos recursos tecnológicos, se colocou terminantemente contrário a essa modalidade de ensino, visando os males políticos e sociais que esta nos representa, tendo em vista seu rápido avanço de 2016 até aqui. Dessa forma, firmamos nosso posicionamento, enfatizando-o durante a reunião, que terminou com a vitória dos estudantes de licenciatura em História contra essa medida reacionária!

Essa vitória, que muito nos representa, ainda é pouco perante o Brasil, por isso afirmamos: a luta continua!
Saudações a todos os estudantes na luta contra o EaD e em defesa da educação pública!

CAHIS NEGRO COSME – GESTÃO CATARINA MINA

Atualmente o Brasil se encontra em uma das maiores crises de sua história, sendo esta marcada por uma pandemia que além de tirar inúmeras vidas por todo o território, colapsando o sistema de saúde nacional, também acaba por gerar sérias consequências quando se trata de desemprego, moradia e alimentação, visto que desde a notificação dos primeiros casos de Covid-19 no país, o povo tem sentido na pele o despreparo e o notável desamparo estatal em relação às classes populares, sendo estas as principais vítimas das políticas neoliberais e anti-povo aplicadas pelo governo vigente, que tem como principal objetivo o beneficiamento de uma burguesia inegavelmente favorecida pelas desigualdades sociais.

Diante de tal cenário, torna-se notório que os crescentes desafios sanitários e econômicos gerados pela pandemia, de forma alguma podem se desvencilhar das questões de classe, uma vez que temos plena consciência de quem serão as reais vítimas a curto e a longo prazo da crise que assola o país: trabalhadores urbanos, camponeses, moradores de periferia, detentos e toda uma população de baixa renda que não por acaso, corresponde a maioria avassaladora dos brasileiros.
Tais desigualdades podem ser evidenciadas nas mais diversas esferas de nossa sociedade, dentre elas, setores base como educação: enquanto uma classe média e alta tem pleno acesso à uma variedade de videoaulas, apostilas, energia e material completo, outros sequer tem lugar adequado ao estudo em suas moradias ou internet para acessar portais educacionais e variados, gerando assim um gravíssimo déficit educacional neste período de quarentena, e sendo este déficit apenas agravado quando temos por parte de inúmeras instituições de ensino e órgãos do governo o incentivo de cruéis políticas como o EaD, funcionando como grande gerador de desequilíbrio e injustiça em relação a aqueles que não possuem condições físicas ou monetárias para presenciarem as aulas a distância, enquanto apenas uma minoria portadora de poderio financeiro é favorecida com o tal programa, uma vez que o projeto, assim como grande parte das políticas voltadas à educação atualmente, tem uma função clara em nosso sistema: elitizar o ensino e alienar o povo.

O problema geral do EaD, enquanto possibilidade política, é mais denso do que se imagina. Pensa-se, à primazia, somente na situação dos estudantes enquanto um dos principais setores da sociedade afetados pela ociosidade. Mas, este caso, muito debatido em todas as instâncias da educação (e também aqueles que estão de fora de tais instâncias), deverá ser visto do problema mais generalizado da questão, ou seja, através do foco sócio-político, para depois especificar a situação de pandemia em que nos encontramos.

Quando consideramos falar de projeto político para a educação, especialmente quando se trata do governo Bolsonaro, estamos falando de desmantelamento da educação de ensino básico e superior da esfera pública, que acontece de forma sutil e, por vezes, despercebida.

Muitas vezes, em seu discurso, Bolsonaro deixa claro que o EaD é uma forma de deixar a educação mais barata. Logo no último dia de 2018, o MEC lançou uma portaria, de N° 1.428, afirmando que os cursos presenciais poderiam ofertar até 40% das aulas à distância, sendo o limite anterior de até 20%. Dessa forma, aquilo que existia de qualidade no ensino superior vai se desfazendo, já que o Brasil não possui uma educação universal, e, portanto, não garante igualdade perante o acesso ao ensino básico qualificado para que os alunos se mantenham na graduação com o avanço dessa modalidade de ensino.

E, então, as ações se justificam. Não por acaso, mas estrategicamente, quando se inicia a pandemia, uma das primeiras medidas do governo Bolsonaro foi implementar o EaD de forma “emergencial”, desconsiderando as massas estudantis que tem dificuldade de acesso por N fatores. Desta forma, aprofundando seu projeto político disfarçado de “medidas emergenciais”, autoriza o sucateamento do Ensino Público democrático por direito e por dever, já que tudo o que é público, é do povo.

À primazia, somente seis universidades federais aderiram de cara a essa modalidade de ensino das 69 existentes no Brasil, porém, a UFMA, de forma arbitrária, sem considerar a opinião e a mobilização das massas dos estudantes e de suas representações, já se mobiliza nesse sentido para aderir a essa minoria antidemocrática e antipovo.
Arbitrariamente, já está sendo, também, incorporada de diversas formas a implementação do EaD, visando seu avanço, como a campanha do ENEM produzida e amplamente divulgada pelo MEC para que não seja adiado, incentivando os estudantes a estudarem “de qualquer forma, de qualquer lugar, pelos livros, pela internet, com a ajuda a distância dos professores”. Então, pensar politicamente a questão do EaD de forma “emergencial”, mesmo que este se dê sem obrigatoriedade, mas ainda assim institucional, é fundamental para que compreendamos o que virá daqui para frente. A substituição do ensino presencial ao EaD de qualquer forma poderá justificar os discursos posteriores do presidente Bolsonaro acerca da implementação do EaD, que sutilmente avança e retira direitos de ensino qualificado para todas as massas do povo brasileiro, fazendo avançar a marcha do governo Bolsonaro para o que mais o interessa: a privatização da educação pública.

A educação já vem sofrendo ataques diretamente muito antes do governo bolsonarista. Em 2016 foram congelados por mais de 20 anos investimentos no sistema público, fazendo com que o setor privado lucrasse com o sucateamento das instituições públicas. Em 2019 as universidades sofreram “golpe”, que foi o desinvestimento na área da sociologia e filosofia. Tudo isso é mais umas das tentativas de sucateamento na área das ciências humanas, fazendo com que tenha uma migração para o setor privado.
O sistema é uma engrenagem, e faz o encaixe de tudo nesse mesmo sistema, fazendo com que tudo pareça natural e inevitável. Percebe-se o interesse do próprio setor da educação em desmoralizá-la para que possa privatizar, chamando-a de balbúrdia. Fácil escutar a seguinte frase: “o setor público não presta, vai no particular é mais rápido”. Uma das contradições é que o mesmo setor que trabalha por trás da educação pública, também trabalha na educação privada. Elizabeth Guedes, irmã do Paulo Guedes, é líder de uma associação nacional de universidade privada e ensino a distância, já o Paulo Guedes fundou o banco BTG PACTUAL, lucrando com financiamento de instituições particulares como Anhanguera, Estácio e Pitágoras, chegando a capitar 1 bilhão de fundos.

A todo o momento o sistema público é golpeado por lacaios do velho Estado que pensam somente nos seus próprios interesses, em seu lucro, enriquecimento à custa da mazela do povo.

O EaD não é democrático. A educação é um direito de todos, visto aquilo que a velha Constituição federativa do Brasil diz assegurar e defender. Quando pensa-se os caminhos que a educação deve seguir, o mais plausível e sustentado horizonte de finalidade a ser tocado(atingido) é aquele em que a mesma alcança cada vez mais um patamar democrático de inclusão e aumento de possibilidades. Não espera-se que ela por vigor e por caráter de juízo exclua e selecione aqueles que devem ou não ter acesso a aquilo que antes era de direito e que ao fim acaba por se transformar num privilégio de poucos.

O instituto de pesquisa e detalhamento social conhecido como IBGE através do PNAD ( Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios) postou uma pesquisa que através dos
resultados obtidos percebe-se o abismo existente entre aqueles que têm acesso a internet e aqueles que não o possuem (internet essa que é alicerce fundamental para sustentar uma estrutura de ensino EaD), cerca de 1 em cada 4 pessoas não possui acesso a internet, totalizando cerca de 46 milhões de pessoas, quando se seleciona a área rural o índice chega a 53,5% de pessoas que não têm contato com qualquer tipo de serviço de internet.Pessoas que não possuem acesso e nem mesmo dispõem de mecanismos necessários (como tablet, computador e celular) para usufruir de algo que já não tem.

O abismo é gritante e se a ideia utópica do Ead nessas circunstâncias é incluir, vai acabar por excluir e distanciar mais aqueles que não possuem instância estrutural básica para usufruir de uma educação a distância, se os valores que regem nosso Estado são democráticos o EaD nessas circunstâncias deve ser pensado como antagonista a ser combatido e derrotado pois ele não o é.

Faz-se necessário discutirmos também o antagonismo entre a aula presencial e a não-presencial. Ambos trazem rendimentos completamente opostos. Pois, já existem estudos que comprovam que o rendimento em uma leitura online é diferente de um ensino na sala de aula que dura 3 horas. É indubitável, que não dá para simplesmente mudar a engrenagem de uma hora pra outra, e fazer um curso presencial funcionar a distância. Além que, No EaD, muito provavelmente os estudantes também não terão acesso fácil a boas bibliotecas nem ao necessário contato pessoal com outros estudantes e professores da mesma área e, muito menos, com estudantes e professores de áreas diferentes, coisas fundamentais e uma das características essenciais das instituições de ensino presenciais. E ainda nele, levasse que o processo de ensino e aprendizado ocorra, predominantemente, em casa. Ora, o ambiente de moradia não é, em geral, um bom ambiente de estudo, em especial para jovens das camadas menos favorecidas, para os quais uma moradia isolada e silenciosa é algo simplesmente inexistente. As aulas presenciais, nas quais os estudantes ficam imersos em um — e apenas um — assunto, são fundamentais no processo ensino e aprendizado. Portanto, dentro dessa dura realidade, o EaD nada resolverá. Ao contrário, oferecer EaD a uma quantidade de jovens que, já nas atuais circunstâncias, têm dificuldades em ter acesso nesse tipo de ensino, e ainda mais em entender o que é um ensino institucional presencial contribuirá para rebaixar ainda mais os critérios do que sejam um sistema e um processo educacional de formação humana, técnica, cultural, científica e social.

O EAD não é uma possibilidade, devido que este como elencado no corpo do texto, tem um caráter antidemocrático com os alunos que se matricularam em um curso presencial. Além do sistema ser um projeto político elitista que vem sendo pensado, com o intuito de reduzir o número de pessoas pobres na universidade. Assim a adoção neste momento de pandemia poderia ser usada para uma possível legitimação posterior deste sistema excludente.

Estudantes de História contra o EaD!

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