Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia realiza vitorioso pós-FoNEPe especial!

No dia 1º de junho a ExPEPe realizou o pós-FoNEPe, conforme deliberação do FoNEPe especial, com a temática “EaD e a Privatização da Educação”. O espaço contou com as intervenções das Professoras Camila Grassi e Carolina Lobo, ambas formadas em pedagogia na UFPR. Por conta da pandemia o espaço teve de ser realizado na forma de live, mas ainda assim contou com grande participação de estudantes e professores, com mais de 50 pessoas presentes durante o debate.

A professora Camila, doutoranda em pedagogia pela UFPR, centrou sua intervenção na análise das raízes históricas do EaD, explicitando-o primeiro como modalidade de ensino, método, que surge com o objetivo de alcançar segmentos da população que não tinham possibilidade de realizar um estudo presencial, em partes por dificuldades próprias e em partes pelo descaso do Estado em fornecer educação fora dos principais centros urbanos. A professora demonstrou, todavia, que conforme avançou o projeto privatista para a educação nos países dominados pelo imperialismo o EaD se tornou uma ferramenta para fazer avançar o interesse de empresas privadas e organizações internacionais nestes países, como atesta a interferência do Banco Mundial no Brasil (ver o documento Um Ajuste Justo de 2017), os acordos MEC/USAID da década de 60, entre outros. A professora foi enfática em dizer que embora esses mecanismos internacionais sejam os principais articuladores de tais politicas eles fazem parte de uma complexa rede de organizações e indivíduos, nos quais estão envolvidos também agentes “nacionais” como os lobbys Todos Pela Educação e o Fundação Lemann, em estreita ligação com os governos locais.

A professora Carolina, que hoje é vice-diretora de uma escola de periferia em Curitiba, expôs principalmente sobre o cotidiano prático de sua escola e vida profissional, contando sobre a situação de incrível descaso do governo estadual, que não dá as condições de trabalho mínimas para os profissionais. A vice-diretora denunciou a relação incestuosa que o Estado mantém com empresas privadas no campo educacional, como as que produzem livros didáticos que nunca chegam aos estudantes e fornecem serviços de internet tão ruins que frequentemente cabe aos professores usarem seu 3G para sustentar a internet das escolas. Além disso, Carolina demonstrou que nas escolas o controle ideológico e político do Estado tenta a todo momento surrupiar a organização independente de professores e alunos, bem como o debate democrático em sala de aula, citando como exemplo os mais de 100 processos que seguem contra professores e estudantes que se envolveram com as ocupações secundaristas de 2016. Sobre o EaD falou das dificuldades na implementação das atividades remotas, que em seu colégio não chegam a abarcar nem metade dos alunos, embora a propaganda do governo fale em 92% de adesão. Para ela é uma estratégia fadada ao fracasso.

A ExPEPe aproveitou também para reafirmar a todos a necessidade de manter-nos firmes na luta classista e combativa, combatendo um a um todos os ataques à educação nacional e científica de nossas escolas e universidades, centrando também a luta nos bairros e favelas, onde o povo sofre os efeitos mais draconianos desse crime premeditado chamado pandemia do coronavírus, que até hoje já matou mais de 65 mil brasileiros, chamando todos portanto a comporem comitês sanitários para organizar a defesa do povo e a luta política. Chamado este que as professoras também endorsaram.

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