Estudantes da Universidade Estadual do Paraná se posicionam contra a imposição do ERE/EaD!

Publicamos a seguir a nota produzida pelo Centro Acadêmico de História Remís Carla/UNESPAR campus Paranavaí.

A REITORIA DA UNESPAR É CÍNICA COM OS ESTUDANTES

O documento a seguir se refere à minuta que será votada na CEPE para a aprovação do ensino remoto durante a pandemia na Universidade Estadual do Paraná. A reitoria, formada por pessoas graduadas, possui problemas com interpretação de texto? Desde o começo desse ensino remoto enfiado goela abaixo dos estudantes com a desculpa de não “prejudicar” as aulas, a maior parte dos alunos esteve contra essa modalidade de ensino por entender, enquanto graduandos, o quão inviável e precarizado o ensino remoto é.

Isso foi apontado nos incontáveis questionários que os alunos tiveram que responder. Se fala repetidamente das questões tecnológicas, como se o problema fosse apenas ter ou não o computador x ou y, como se a questão fosse doação de celulares para ensino. Por acaso a reitoria já fichou um livro pelo celular? Tem ideia do que é? Pois se têm, parece ter convenientemente esquecido.

A minuta só regulamenta um ensino que os estudantes em maioria não têm condições nem tecnológicas e nem psicológicas para realizar.

Quem é a favor do ERE/EaD constantemente relembra, como senão soubéssemos, que estamos em uma pandemia e por isso devemos nos adaptar. Mas por qual razão a adaptação deve precarizar o ensino? Por qual motivo a adaptação não pode entender a não viabilidade de aulas em um país onde morrem mil pessoas por dia? A reitoria não explica o motivo de não se importar com a qualidade do ensino pois está, como sempre, ao lado do governo. Esse governo que não surpreende pelo caráter anti- científico, pois:

“A oferta de Ead, em caráter excepcional, abriria precedente para o que de fato é o objetivo do MEC: transformar a exceção em regra. Atendendo a uma necessidade das grandes empresas e corporações, suprindo-os de mão de obra barata, surge o EaD como formação aligeirada e tecnicista. O EaD reduz o papel do docente em sala de aula a mero tutor, representa o fim do debate de idéias que ocorre no espaço de sala de aula e outros ambientes da universidade. Sem o debate de ideias – pressuposto fundamental da elaboração científica, independente da área, exatas ou humanas – reinará uma única linha de pensamento, linha essa em total submissão aos mandos e desmandos do Governo Federal/Banco Mundial. É nisto que reside o pragmatismo. O fim da produção científica nacional. O conhecimento desenvolvido nas universidades brasileiras a serviço dos monopólios internacionais. O EaD também aponta diretamente para a tentativa de pôr fim ao direito dos estudantes de se organizarem como movimento estudantil, uma vez que nos últimos anos os estudantes têm dado exemplo de seu vigor em travar lutas importantes de norte a sul. O que o MEC quer são professores despolitizados, inofensivos politicamente, incapazes de compreender os fenômenos sociais além da sua superficialidade. Essa dominação político-ideológica é parte fundamental do plano das classes possuidoras de destruir os direitos do povo, de jogá-los cada vez mais na miséria. Sem essa dominação, sem a transformação dos professores em meros “dadores de aulas”, sem a criminalização da organização dos estudantes, professores e profissionais da educação, sem a destruição da autonomia universitária, o caminho para aplicação do plano do Banco Mundial para nossa educação terá um grande empecilho: a luta combativa dos estudantes, professores, gestores, profissionais em educação, e todos aqueles que se lançam na defesa do ensino público, gratuito, democrático e que sirva ao nosso povo. Não queremos Ensino a Distância! Queremos debate de idéias,formação científica, e politizada. Não queremos uma universidade corporativizada e submissa aos ditames do MEC/Banco Mundial! Queremos co-governo estudantil! Não queremos uma educação passiva, pragmática, queremos uma educação que seja científica e atenda aos interesses do povo e da nação, que seja uma ameaça aos interesses das classes exploradoras.”

(Bolsonaro/Militares/MEC aprofundam ataques em meio a crise agravada pelo coronavírus! – ExNEPe 26/03/2020).

Pois que fique claro a reitoria que resistiremos! Que não estudaremos a distância. É de aluno em aluno, de sala em sala, de curso em curso, de campi em campi. É seguindo o exemplo dos estudantes de teatro do Amazonas que boicotaram as aulas, dos alunos de matemática da UNESPAR que iniciaram abaixo assinado, do curso de serviço social da UNESPAR que trocou as aulas remotas por cursos/palestras de horas complementares, é apoiando os alunos de contábeis que ainda falam de suspensão do calendário, é continuando com o nosso boicote em história, apoiando os alunos de enfermagem dos 3 primeiros anos, críticos ao ERE/EaD e comprometidos com sua futura promissão, enfim, se colocando ao lado de todos os estudantes que não só estão contra o ERE/EaD como estão em luta constante desde março contra essa implementação suja e cretina de “ensino”.

Minuta da Reitoria em anexo:

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