Estudantes de História da Unespar justificam o boicote ao EaD

Os estudantes de história esclarecem por que prosseguiram com seu boicote ao ensino EaD.

“Continuaremos:

  1. Pelos estudantes que não possuem a tecnologia necessária para participar das videoaulas e realizar atividades;
  2. Quando falamos de tecnologia, não estamos apenas falando sobre acesso a celulares. Estamos falando de computadores, acesso à boa internet e impressoras. Nosso curso é teórico, é sempre necessário que estejamos lendo apostilas dificilmente curtas. E ainda que sejam pequenas, a leitura exige uma grande disciplina para que o aluno não apenas leia, mas absorva o que leu. O documentos google não permite que os trabalhos sejam colocados em todas as normas abnt e não fomos escolarizados em word para celular na disciplina de metodologia.
  • Por estarmos em uma pandemia que exige isolamento social.
  • Sendo o COVID-19 transmissível através do simples contato com outro ser humano infectado, o isolamento social é necessário para que o número de casos não aumente ainda mais. Isso significa que o Estado, ainda que aplique sua política genocida, foi forçado a paralisar algumas atividades, dentre elas as escolas, onde também se tenta empurrar o EaD guela abaixo. Os alunos da rede pública possuem horários estipulados e atividades a serem realizadas. É impossível que se espere haver dentro de uma casa mais de um computador, quando na verdade é difícil que haja um na residência. O ambiente acadêmico oferece silêncio para a concentração dos estudantes. Dentro de casa, isso não acontece. A não ser que sejamos cínicos o suficiente para achar que os estudantes de história vivem em casas enormes e/ou sozinhos, sem pais e crianças.
  • Porque o ambiente acadêmico é necessário ao desenvolvimento da ciência.
  • Se concordamos que história é uma ciência e logo somos cientistas, é necessário que tenhamos a compreensão de que o debate, a dúvida e a autocritica são preceitos necessários para o nosso curso. Se engana quem pensa que haverá um real debate historiográfico dentro de ferramentas como o google meet. Se engana também quem acredita que os alunos não debatem o conteúdo entre si durante os intervalos das aulas presenciais. Estudantes se reúnem para trocar percepções dos conteúdos repassados pelos professores, não devemos começar a fazer isso pelo starleaf. Não há troca dentro dessas ferramentas que possibilite um debate verdadeiro que questione as nossas ideias de história e nos levem até a verdade.
  • Porque a pandemia já fez mais de 70 mil vítimas.
  • Até a presente data, a COVID-19 já matou 80,120 pessoas. São nossos amigos, parentes, ex-professores e nada impede que no futuro também possamos fazer parte desta estatística. O momento não é de se tentar levar a vida como se nada estivesse acontecendo e não fôssemos vítimas duplamente, de um vírus e de um Estado estruturado para nos matar. As pessoas sempre argumentam que devemos entender a situação atípica. Nós entendemos. Entendemos que há 80 mil mortos e um cinismo da reitoria e de quem está acima dela nos pressionando para dar continuidade a atividades como se quem perdeu um pai, uma mãe, um amigo, que seja, estivesse preocupado com o conteúdo de alguma disciplina.
  • Porque nos matriculamos dentro de uma universidade presencial.
  • Independente do que a reitoria diga, somos uma universidade presencial ONDE o ensino EaD está sendo imposto (vide minuta a ser discutida no CEPE). Nós temos o direito ao ensino presencial e renunciar a ele seria beijar os pés da precarização da universidade. O ensino EaD vêm como um fedor dentro da universidade pública há anos. É inocência, para não dizer oportunismo, achar que apontar isso agora é fazer ‘conjecturas’. No final de 2018, o governo autorizou que 40% da carga horária pudesse ser ofertada a distância dentro da universidade pública. O gerente de turno Bolsonaro, defende desde a campanha, que o ensino desde o fundamental seja a distância. Não é coincidência que o ministro da educação de março tenha imposto o EaD. Não é ser paranoico ver que isso é uma desculpa sendo usada pelo governo. Inocente é quem acredita que o Estado perde seu caráter ideológico dentro de uma pandemia e é oportunista quem defende que o Estado se aproveita do COVID para empurrar sua agenda fascista em todos os setores da sociedade, exceto no da educação. Respondemos também o argumento de que se o Estado quiser impor o EaD, isso é uma discussão e uma luta para depois da pandemia. Se a situação está posta, não há motivos para não lutar agora. Se não for quando impõem o ensino remoto, mesmo  a maior parte dos estudantes dizendo NÃO, a resistência não se dará nunca. A resistência é agora.

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