[GO] Movimento estudantil da UFG lança manifesto e abaixo assinado contra a implementação do EaD!

Link para o abaixo assinado: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd4lr7_FQvJSo815vlBqGfd1rX-bAKbNjhpuPXQWKBrkiXbkQ/viewform

Nós, estudantes da UFG, não nos sentimos contemplados com a forma com que as decisões acerca do retorno do ano letivo de 2020 foram encaminhadas. Trata-se, em primeiro plano, de um grave ataque à democracia universitária, um dos pilares das universidades brasileiras (democracia, autonomia e gratuidade) e, principalmente, aos direitos dos e das estudantes.

No último Consuni do dia 03/07/2020, que visava tratar da oferta de disciplinas no formato de Núcleo Livre em período de Inverno, o reitor Edward Madureira abriu arbitrariamente para votação o retorno do ano letivo, atropelando a construção democrática do espaço e ferindo a constitucionalidade da decisão.

Sabemos da importância do amplo debate antes de tomarmos esse tipo de decisão, e acreditamos que a proposta não encontra-se completamente debatida entre toda a comunidade acadêmica. Em vista disso, o trabalho que pode ser oferecido para minimizar os danos que estão sendo impostos pela conjuntura é inconsistente, insuficiente e frágil.

Entendemos que tal ação desconsidera a situação real de discentes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados – já analisada a partir de questionários feitos pelas unidades e entidades estudantis -, uma vez que piora a situação de uma grande parcela de sujeitos que não se encontram em condições de cumprir tal tarefa, forçando-os a darem encaminhamentos ainda mais excludentes, como o de cogitar o trancamento da matrícula. De acordo com o último relatório da PRAE (Pró-reitoria de Assistência Estudantil), 76% dos estudantes da UFG possuem rendimento de até 1,5 salário mínimo. Dos 18.300 estudantes da UFG, 12.904 foram atendidos pelas políticas de assistência estudantil somente em 2019. Dados como esses só comprovam que a realidade dos estudantes da UFG não comporta a possibilidade de qualquer modalidade de Ensino Remoto ser aplicada!

Entendemos, também, que essa ação tende a ser mais um passo na ofensiva privatista em curso na educação, visto que diversas empresas aproveitarão este momento de grave crise política, econômica e sanitária para inserirem seus projetos em nossas universidades. Destacamos aqui que é preciso atenção às ações “solidárias” que os monopólios tecnológicos e de educação possam ofertar às universidades públicas através de parcerias com empresas de plano de internet, celulares e computadores, entre outros, naturalizando sua existência dentro das universidades públicas, abrindo caminhos para os projetos privatistas da educação – já em curso no Brasil e intensificado no governo Bolsonaro-Mourão – e atacando mais um pilar da universidade brasileira: a gratuidade.

 Além dos questionamentos acimas citados, nos preocupamos com 3 aspectos a serem levados em consideração ao discutirmos o ERE (Ensino Remoto Emergencial): 1) estudante: teremos interação entre nós? O apoio da Câmara Municipal de Goiânia para a campanha de inclusão digital (UFGID) garante que todos os discentes desfavorecidos estejam ativos neste processo antes da retomada do semestre? De que forma será consolidada a seguridade destes estudantes? Como sanaremos nossas dúvidas? Como saberão se estamos conseguindo acompanhar os conteúdos? Quanto tempo será necessário em frente às telas (computador, celular)? como será a inclusão de estudantes camponeses, indígenas, quilombolas e com deficiências (PcD, surdos e cegos)? 2) ambiente: nossa universidade possui estrutura adequada para tantos alunos conectados? Nossas casas possuem um ambiente adequado ao estudo? Com quantas pessoas teremos de compartilhar o computador ou celular? 3) professor: conseguirá ter didática? Se sentirão a vontade de serem gravados na frente de uma câmera? E a liberdade de promover debates e expor seus ideais? Perderá sua liberdade de cátedra? Serão sobrecarregados? Pois é de amplo conhecimento que a experiência de ensino remoto nas escolas municipais demonstra uma grande sobrecarga.

Queremos dar especial atenção em relação aos estudantes. Há os que moram em áreas rurais e, por vezes, não possuem condições de acesso à internet, e necessitam de assistência estudantil para a permanência na universidade. Também pessoas com deficiência (PcD), como alunos surdos e cegos, que já enfrentavam problemas nas aulas presenciais, e agora, com o ERE, teriam ainda mais dificuldades, com a falta de materiais eletrônicos adaptados que permitiriam o processo de ensino/aprendizagem em sua integralidade. Por fim, os moradores das CEUs (Casa de Estudantes Universitários), que há anos debatem suas condições de moradia, a eles serão garantidos materiais eletrônicos, terão espaço para estudo com distanciamento social adequado?

Além disso, ações como a aprovação do ERE apenas reforçam o projeto neoliberal de sucateamento e precarização da educação brasileira, defendido pelo atual governo, que, através de projetos como o Future-se, pretende enfraquecer outro pilar da universidade, a autonomia universitária. Percebemos que  muitos são os discursos que erroneamente e anacronicamente endossam a proposta de retorno das atividades; discursos, estes, que escondem a realidade daqueles/as que serão automaticamente excluídos – se já não estão – e se pautam na falsa ideia da urgência dos/as estudantes em se formarem, ou da existência de um grande desejo da maioria de retomar os estudos, o que contraria o resultado dos questionários realizados pelas Unidades e Entidades Estudantis, referidos anteriormente.

Faz-se necessário questionar também o empobrecimento do ensino, bem como a inexistência de uma extensão a partir da perspectiva do tripé universitário (ensino, pesquisa e extensão). Argumentos que propõem “deixarmos as aulas práticas para depois e apenas realizar as teóricas” evidenciam ainda mais os problemas nessa trama. Não acreditamos que qualquer matéria possa se dizer teórica sem que haja uma relação com prática no momento em que é lecionada e aplicada, visando uma formação científica crítica, sócio referenciada e ligada à nossa realidade diária. A premissa contrária também é verdadeira: não existe aula prática sem uma boa fundamentação teórica.

Paralelamente, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), em uma lógica pragmática e enganosa de “redução de danos”, vem vergonhosamente se alinhando à reitoria e auxiliando na implementação do ERE, cumprindo o papel institucional de requisitar apenas demandas para a operacionalização da proposta de retorno.  Como entidades estudantis de luta, reiteramos que a melhor política dentro dessa lógica é que se busque a superação crítica do problema, e não a exigência de questões técnicas para a aplicação da proposta, que nada mais é que a lamentável aceitação de um projeto excludente e que não representa os estudantes!

Dito isso, expomos nosso total descrédito na falsa proposta de “melhor saída” para o retorno do ano letivo. Não podemos permitir que nossa universidade vire ainda mais as costas para estudantes e trabalhadores que precisam de amparo nesse momento histórico e inédito que estamos enfrentando. Vale lembrar que as Instituições Federais (IFs) vêm cumprindo um papel importantíssimo no enfrentamento ao coronavírus e no amparo às populações mais pobres de nosso país. Cumprindo com a função social da universidade de pautar um desenvolvimento científico que seja para resolver as demandas mais urgentes da população.

Ainda há muito trabalho a fazer! Defendemos uma Universidade Pública, Gratuita, Científica, Democrática, com Autonomia, verdadeiramente Popular e a serviço da nação, que caminhe cada vez mais para atender às demandas apresentadas pelos trabalhadores e trabalhadoras de Goiás e do Brasil. Precisamos garantir, também, um contato maior com toda a comunidade UFG, principalmente com os que apresentam alguma vulnerabilidade social. Só uma Universidade preocupada com as demandas da nossa classe será capaz de fortalecer sua democracia e autonomia frente aos ataques que vem sofrendo nos últimos anos. Por um projeto de Universidade alinhado a um projeto de sociedade verdadeiramente justo, que saia na defesa do bem comum, a todos e todas que o constroem!

     É com esta convicção que convidamos as/os estudantes, professores/as, técnicos/as e terceirizados/as a se posicionarem:

– Por assembleias e plenárias em seus Institutos e Faculdades, buscando identificar as questões objetivas para retorno das atividades e os reais interesses e possibilidades por trás da nova proposta;

– Pela necessidade de nos unirmos em uma Assembleia da Comunidade Acadêmica, com todas as categorias presentes e dispostas a debater: que DCE, ANDES-SN, ADUFG, SINT-IFES e demais entidades ligadas à comunidade acadêmica se posicionem;

– Em favor do retorno do ano letivo com matérias obrigatórias apenas quando for seguro e a crise sanitária que se instaura no país esteja controlada, e que esse retorno aconteça pensado de forma coletiva por todos os setores que compõem a comunidade acadêmica (estudantes, professores, técnicos e terceirizados). Pela suspensão do calendário em todo o ano de 2020;

– Pelas ofertas de serviços e atividades que amparem os/as discentes, docentes e trabalhadores, como a ampliação de bolsas e auxílios para quem precisar;

– Retorno das aulas presenciais apenas quando a universidade possuir estrutura adequada:

1)  ampliar a oferta de moradia nas CEUs e com a garantia do distanciamento social de segurança;

2)  aumentar o número de salas de aulas para a ofertas de disciplinas em grupos menores e com a garantia do distanciamento social de segurança;

3)  aumentar o número de professores para garantir as aulas em número reduzido de estudantes;

4)      aumentar o espaço físico nos RUs para garantir o distanciamento social;

Só um espaço como uma Assembleia da Comunidade Acadêmica pode garantir a participação ampla daqueles que não estão sendo ouvidos e precisam, com urgência, pautar suas demandas para que não sejam esquecidos/as e massacrados/as pela política excludente de educação que está colocada.

ASSINAM ESTA PETIÇÃO

  • Diretório Acadêmico de Educação Física e Dança (DAEFD/UFG)
  • Centro Acadêmico de Economia
  • Centro Acadêmico de Historia
  • Centro Acadêmico de Ciencias Sociais Matutino  
  • Diretório Acadêmico da Escola de Música e Artes Cênicas
  • Centro Acadêmico de Enfermagem 
  • Centro Acadêmico de Serviço Social Goias 
  • Centro Acadêmico da Veterinária
  • Centro Acadêmico de Geografia
  • Centro Acadêmico da Letras
  • Docentes de luta pela base
  • Centro Acadêmico de Relações Públicas 

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