[SC] Estudantes da Universidade Estadual de Santa Catariana denunciam imposição do EaD!

Reproduzimos a seguir a nota de repúdio dos estudantes de geografia da UDESC contra a implementação antidemocrática do EaD em sua universidade.

Nota de Repúdio dos/das estudantes de Geografia da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC).

Considerando a forma antidemocrática e autoritária que a nova gestão da UDESC aprovou às pressas a Resolução 032/2020, via ad Referendum, na qual decreta o início das aulas remotas a partir do dia 22 de junho de 2020 e inicialmente estabelecendo as aulas presenciais para iniciarem em agosto do mesmo ano, as/os estudantes de Geografia da Faed – UDESC vêm a público denunciar essa postura impositiva, tendo em vista que não passou pela deliberação máxima do conselho universitário (CONSUNI) e que professores, estudantes e técnicos foram comunicados através da imprensa catarinense e de e-mails vinculadas a conta universitária (lembrando que muitos não recebem esses e-mails). Desse modo, o retorno e a acessibilidade das atividades via remota não foram planejadas adequadamente e tais medidas podem, já estão e ainda vão gerar consequências negativas no processo de ensino-aprendizagem.

O retorno às atividades remotas, implementada de forma prematura e autoritária, demonstra que a nova gestão está de acordo com as propostas educacionais do Ministério da Educação (MEC), que no dia 1 de junho de 2020 homologou um conjunto de diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE), documento que tem o objetivo de orientar estados, municípios e o Distrito Federal, escolas e instituições de ensino superior sobre as práticas que devem ser adotadas durante o período de distanciamento e na retomada das aulas presenciais. O MEC sugere que as instituições busquem medidas para diminuir a necessidade de reposição presencial de dias letivos. No entanto, a preocupação parece estar mais em completar calendário acadêmico do que na qualidade da educação e nas condições em que se dará o processo de ensino e aprendizagem, além de desconsiderar abertamente a amplitude excludente de boa parte da comunidade que não possui acesso. A preocupação do MEC em definir, de maneira apressada, parâmetros e regulamentação do calendário escolar de forma padronizada, ignora as distintas realidades e condições dos/das estudantes, atendendo apenas os interesses mercadológicos, em especial das instituições privadas.1

Visto que os cursos presenciais não estão estruturados para aulas a distância, as/os estudantes de Geografia da UDESC se colocam contrários ao posicionamento da reitoria, pois a implementação das atividades remotas não atendem as necessidades materiais de boa parte de alunas e alunos, considerando-se que o auxílio inclusão digital, no valor de 80 reais, além de não suprir o valor total de uma banda larga de qualidade, será depositado apenas no início de julho de 2020, ou seja, uma semana e meia após o recomeço das aulas. Outra problemática é toda a burocracia para comprovar que o/a estudante é apto ao auxílio, pois boa parte da documentação, principalmente a de renda, modificou-se por conta da pandemia.

Ademais, há defasagens no edital da solicitação ao empréstimo de materiais digitais pois não considera diversas situações, tais como: locomoção até a universidade devido ao baixo fluxo de transporte público; passe estudantil/social atualmente inativo; pôr em risco a vida do/da estudante e dos trabalhadores mesmo não sendo grupo de risco; estudantes da classe popular não terem os devidos documentos comprovando que fazem parte do grupo de risco; estudantes que dividem casa com pessoas do grupo de risco; estudantes que dividem terrenos com pessoas de todas as idades e que não sabem do histórico de doenças dessas pessoas. Enfim, podemos citar inúmeras problemáticas que os/as estudantes estão passando para terem acessibilidade e que a gestão não planejou quando aprovou às pressas a Resolução 032/2020, logo ferindo gravemente a qualidade de ensino-aprendizagem de uma parcela estudantil e assim desrespeitando os 3 pilares da educação pública: ensino, pesquisa e extensão.

Diante do exposto acima, defendemos que as atividades remotas devam ser complementares as aulas presenciais e não substitutas. Um processo de adaptação é inevitável, portanto pedimos o adiamento das atividades remotas até termos uma melhor proposta, elaborada com a participação dos professores, estudantes, técnicos e servidores, e que os prazos e as demandas sejam contempladas a todas e todos alunos e alunas.

1 Disponível em:
https://exnepe.org/2020/06/19/mec-valida-diretrizes-para-ensino-durante-a-pandemia-e-autoriza-que-atividades-remotas-sejam-computadas-como-carga-horaria/

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