[RO] DCE da UNIR lança nota pública em rechaço à implementação do EaD!

Encaminhamos em anexo, nota da Diretoria Executiva do DCE/UNIR, acerca da implantação de aulas remotas. O DCE/UNIR, Centros Acadêmicos e Conselheiros Discentes tem realizado uma luta intensa contra esta política orientada pelo Banco Mundial e defendida pelo MEC e os mercadores da Educação. A luta contra a EaD é parte da luta intransigente pela defesa de uma universidade comprometida com a ciência, que sirva ao povo, não ao mercado. Se a voz dos estudantes não têm sido escutada nos ínfimos espaços de democracia da universidade, nos órgãos colegiados da UNIR, seguiremos bradando em alto som: Não daremos nenhum passo atrás na defesa da universidade pública e do nosso direito ao conhecimento científico. Faremos frente aos ataques à autonomia e democracia universitária, que visam golpear a gratuidade.


Contudo, sabemos que a verdadeira democracia na Universidade Pública se dará apenas com um amplo processo de mobilização dos estudantes, a exemplo das históricas lutas estudantis, como da Juventude de Córdoba ou mesmo com a ampla luta dirigida pela Juventude combatente na histórica greve da UNIR de 2011. Seguimos firmes na luta. Não importa se as aulas remotas terão algum aproveitamento e se o aprendizado será remotíssimo. O que importa é avançar no calendário letivo, conforme orienta o MEC. Este é o discurso de alguns docentes e, diga-se de passagem, dentre estes, figuras históricas da UNIR, que jogam sua trajetória na lata do lixo. Agora, o discurso que se difunde é o do tecnicismo, da crença no “progresso tecnológico” que “nos salvará da pandemia”, sem qualquer análise crítica dos impactos e implicações de migrar nossas salas de aula para a infraestrutura da Google e outros monopólios que estão ávidos por coletar e vender nossos dados.

Em abril deste ano, o Movimento Todos pela Educação (TPE), movimento empresarial com forte influência no MEC, realizou dois debates virtuais em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE) em que participaram o Banco Mundial (BM), o Conselho de Secretários de Educação (Consed) e a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). No mesmo dia, o TPE lançou Nota Técnica sobre aulas remotas, simultaneamente à publicação de documentos do Banco Mundial, da Unesco e da OCDE. O objetivo dessa articulação era difundir a perspectiva de ensino remoto durante a pandemia. O argumento utilizado foi o de que ensino remoto na rede pública de Educação Básica e superior deverá assegurar o “direito de aprendizagem” aos indivíduos “vulneráveis”, para os quais a escolarização é a única alternativa de superação das desigualdades socioeconômicas. Utilizam o discurso de “solidariedade” para difundir a ideia de uma educação tecnicista, fragmentada e sem qualidade.

O que os organismos multilaterais do imperialismo e os grandes capitalistas querem é transformar o fechamento das escolas e universidades em oportunidade para o mercado. A perda de vidas humanas se transforma em oportunidade para o capital. As soluções mágicas propostas pela direita e pela extrema direita em nosso país para a retomada das aulas são: aulas pela TV local; videoaulas por redes sociais; aulas on-line; plataformas on-line; materiais digitais para professor e aluno; uso de redes sociais; tutoria on-line; tarefas por whatsapp; podcast; kits; blogs; bancos de aulas prontas, aplicativos, etc.

Os verdadeiros beneficiados com o ensino remoto e EaD são as emissoras de televisão e telefonia, organizações sociais (OS), setor privado de tecnologia, emissoras de rádio, consultores com seus pacotes de aprendizagem digitais ou impressos. Serão beneficiadas grandes empresas transnacionais do mercado de tecnologia digital, as cinco grandes do BigData – Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft. O ensino remoto possibilita ofertar uma série de produtos e serviços que pretendem instrumentalizar processos de ensino-aprendizagem.

Enquanto o mundo pensa formas de combater a pandemia, os setores empresariais da educação se movimentam e pressionam o Estado para aprovar sua agenda de financeirização e mercantilização da educação. Esse processo ocorre na educação básica e superior por meio da redução de investimentos públicos, com cortes de verbas cada vez mais acentuados; por meio da precarização do trabalho com a escalada do crescimento da informalidade com as reformas trabalhistas e da previdência; pela homogeneização do currículo já imposta pela reforma do Ensino Médio e a BNCC à educação básica e criminalizando o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas com pautas obscurantistas sobre o currículo escolar e universitário; pela privatização das escolas e universidades e ataque à Gestão Democrática. A tentativa de repassar para as Organizações Sociais a gestão das universidades, institutos federais e escolas da educação básica é um ataque à autonomia e à Gestão Democrática das instituições públicas no Brasil. E por fim, a Educação a Distância como instrumento da mercantilização da educação básica e superior. É nesse contexto que se movimentam os grandes grupos privados de educação.

Que fique claro: nem o governo do fascista de Bolsonaro e Mourão, nem os que aqui nas terras rondonienses reproduzem seu discurso, serão vitoriosos. É papel do Movimento Estudantil defender o direito a uma educação científica e de qualidade. Defenderemos a UNIR com unhas e dentes nesse momento em que RESISTIR É PRECISO!

O texto na íntegra, em anexo, também está disponível na página.
Sintam-se à vontade para aproveitar parte ou a totalidade do texto para seu uso e divulgação.

NOTA DA DIRETORIA EXECUTIVA DO DCE/UNIR SOBRE A IMPLANTAÇÃO DO “ENSINO REMOTO” E A EAD

Diretório Central dos Estudantes da UNIR – DCE/UNIRGestão “Resistir é Preciso!” 2019/2020
Universidade Federal de Rondônia – UNIR

Campus – BR 364, Km 9,5 – Porto Velho – RO

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