Viva o Vitorioso III Encontro Sul-Mato-grossense de Estudantes de Pedagogia!

No dia 18 de outubro, estudantes de pedagogia, de licenciatura e professores se reuniram no 3º Encontro Sul-Mato-grossense de Estudantes de Pedagogia, realizado presencialmente pela Executiva Sul-Mato-grossense de Estudantes de Pedagogia – ExSMEPe, em um espaço de lazer na cidade de Dourados/MS.

Com o local do evento conseguido poucos dias antes devido ao cancelamento repentino de outro local previamente reservado, a realização do encontro por si só já foi vitoriosa, sustentando-se no apoio de estudantes e professores apoiadores. Ademais, as palestras e debates serviram a politizar e dar maior entendimento sobre os profundos ataques que a Educação, em especial, e o povo vêm sofrendo e qual o papel dos estudantes e demais apoiadores e lutadores democráticos diante deste cenário. Por fim, aprovamos com muito ânimo um grandioso plano de lutas que vai nortear nossas ações no próximo período, impulsionando a luta na defesa de uma educação pública, gratuita, democrática e que sirva ao nosso povo.

Por causa da pandemia e o tamanho do espaço do local do evento, o número de participantes foi reduzido para o máximo de vinte e cinco, para que pudéssemos evitar aglomeração. A Comissão Organizadora seguiu rigorosamente todas as recomendações dos protocolos de prevenção ao coronavírus, como medição de temperatura, distanciamento entre os presentes, uso obrigatório de máscaras e de protetores faciais (os protetores foram incluídos no kit credenciamento), tapete sanitizante na entrada para a higienização dos calçados e também recipientes com álcool 70º foram postos à disposição em todos os ambientes do evento.

 Tivemos duas mesas de debates, a primeira sobre a Situação Política, com um representante do Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia como palestrante. Teve início com saudação aos presentes pela decisão de comparecer a um evento presencial e de lutar presencialmente ao lado do povo, que não teve a opção de realizar a quarentena e que, desde o início da pandemia, teve de batalhar por sua sobrevivência em condições ainda piores.

Em sua análise sobre a situação nacional e internacional, o convidado ressaltou o estágio em que se encontra o imperialismo, final e agonizante, que se reflete na grave crise econômica em nosso país, bem como nos grandes levantamentos de massas no mundo todo.

Contando com cifras altíssimas de desemprego no país, que força a população a sair de casa em busca de emprego para garantir sua sobrevivência, e com o caos sanitário, responsável pela morte de 135 mil pessoas, vemos o povo sendo acurralado e pisoteado. Nesse cenário, Bolsonaro surge com seu Auxílio Emergencial insuficiente, reproduzindo políticas de governos anteriores, atendendo às ordens dos que realmente mandam, a fim de segurar a revolta do povo, ao mesmo tempo que administra a crise cortando as verbas da saúde e da educação e enriquecendo o agronegócio e os monopólios descaradamente, mantendo intactos os privilégios da alta casta do funcionalismo público e atendendo aos pedidos dos generais de aumento de salário.

Reforçou que a saúde e a vida do povo não interessam aos políticos, muito menos aos seus senhores das frações da burguesia e do latifúndio, a estes interessa somente o lucro e a superexploração das massas populares. O descaso com a vida do povo, por sua vez, só fará crescer a revolta popular e, no ímpeto de conjurar essa justa revolta, o presidente fascista e os generais não hesitarão em usar violência e repressão brutais. A resposta para a crise se dará somente através da luta tenaz, combativa e persistente por uma nova democracia, pois que a falsa democracia em que vivemos não serve ao povo e não pode garantir nenhum de nossos direitos.

Como exemplo da crise geral do imperialismo, ainda, citou os levantes populares que acontecem em todo o mundo, em especial no EUA, no seio do imperialismo, mostrando que as massas não aceitam mais as condições às quais são submetidas e que a violência, tão comum contra pobres e pretos, será respondida à altura. Basta somente uma faísca para que o fogo da revolta se espalhe.

Na segunda mesa, cujo tema era: “barrar a EaD impulsionando o boicote”, tivemos a participação de dois convidados, o professor Alcimar Queiroz, da UFGD, que também saudou a presença de todos e ressaltou a importância de se realizar um encontro presencial, visto que as mobilizações virtuais têm suas limitações e os ataques à Educação e às classes trabalhadoras só têm se intensificado.

O professor, que estuda sobre tecnologia aplicada à educação, abordou o aspecto de classe do uso da tecnologia. Resgatando o histórico de invenções a partir da revolução industrial e como o desenvolvimento das tecnologias não correspondia às ocupações que as acompanhavam, levando algumas à obsolescência para dar mais lucro. Assim, pode-se fazer um paralelo com as aulas hoje lecionadas e gravadas, que podem ser reaproveitadas inúmeras vezes e, para além do conteúdo pragmático, tornam o professor num elemento dispensável na prática educacional, um mero tutor. Ainda, ressaltou a ganância dos grandes monopólios de comunicação e tecnologia que mais do que nunca têm lucrado em cima da pandemia, com acordos milionários com governos e demais instituições privadas, em detrimento de outros tipos de tecnologia de comunicação que poderiam ser difundidos e serviriam como auxiliar no processo educacional, mas que, por não dar lucro, são preteridos. As cinco grandes do BigData – Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, as maiores beneficiadas, fazem da tecnologia ferramenta de controle e de lucro, controlando e roubando nossos dados. Portanto, a tecnologia, que não é “nem boa, nem má, nem neutra”, hoje forçada goela abaixo dos professores e estudantes serve às classes dominantes, que lucram e exploram trabalhadores, ao mesmo tempo em que deixam milhares de professores desempregados e estudantes sem a educação adequada. Assim, entendendo o caráter da tecnologia e os interesses em jogo, é necessário lutar, enfrentar às chantagens e ameaças veladas e escancaradas dentro da burocracia universitária, bem como a luta externa, algo que só o corpo presente pode garantir o sucesso. Finalizou, assinalando a importância da unidade de classe, lembrando-nos que estamos numa guerra pela educação e que somente a luta nos levará à vitória.

O segundo convidado, representante da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), discorreu sobre os diversos ataques à democracia e autonomia universitárias, mencionando os cortes de verba e as intervenções, lembrando da intervenção em curso na própria UFGD, que atendem aos projetos privatistas para o ensino público, sobre as implicações da EaD na formação dos estudantes e no sucatamento da profissão docente e sobre a luta que perpassou a histórica da educação em nosso país, em especial nos anos recentes.

Definiu que a Educação, entendida de forma mais ampla que ensino, diz respeito a muito mais que o conteúdo ou mera instrução, envolve também o contato presencial, as relações sociais que se estabelecem, tanto nas salas de aula quanto nos corredores, bibliotecas e demais espaços de convívio. O ensino remoto se constitui, portanto, como um ataque à organização dos estudantes, que são ameaça para os que querem desmontar a educação, e ataque à formação dos futuros profissionais, alijados de seu papel político-social. Ainda, a implementação do ensino remoto é um ataque à democracia pois, com a gravação de aulas, intimida professores a se posicionarem e dá ainda mais ferramentas para a perseguição política de docentes e estudantes. Não é possível ter uma educação de fato através do ensino remoto!

A luta, com novos obstáculos agora, nunca cessou. O representante retomou o histórico de lutas dos estudantes da Pedagogia, relembrando o boicote às taxas de matrículas nas Universidades em diversos lugares do Brasil que responsável por garantir a gratuidade colocada em cheque atualmente. Também a vitoriosa greve da UNIR, em 2011, que derrubou um reitor, fato histórico em nosso país, mostrando a força dos estudantes. Relembrou, também, a importantíssima ocupação do bandejão da UERJ em que estudantes tomaram em suas mãos o restaurante universitário, enfrentando ao mesmo tempo o imobilismo do movimento estudantil e a burocracia da universidade, alcançando vitória após pouco mais de um mês de ocupação. Destacou a luta encabeçada pela ExNEPe barrando a falsa regulamentação da profissão do pedagogo proposta em 2017, levando a atos em diversas localidades do Brasil também no ano seguinte, e, em 2019, a luta travada por estudantes também em todo o país contra os cortes da educação.

Afirmou, também, a importância dos estudantes e professores formarem Comitês Sanitários e lutarem para a conformação dos mesmos como projetos de extensão no ensino superior, pois estes são exemplos de como a universidade e a ciência podem servir ao povo, mesmo em momentos em que o imobilismo grita ser impossível atuar de qualquer forma que não seja virtual.

A luta combativa e independente, em todos esses momentos de ataques, foi e é a resposta e a ferramenta que temos. Assim como a pandemia não cessou os ataques, também não pode cessar nossa atividade. Nesse momento, a principal forma de luta que se apresenta contra a imposição da EaD é o boicote, pois sem estudantes não é possível ter aula, nem ensino à distância. O boicote deve estar na ordem do dia e cabe ao movimento estudantil consequente descobrir as formas particulares pelas quais ele poderá ser aplicado sem o prejuízo dos estudantes e aplicar na prática. É momento de intensificar a luta contra a implementação da EaD no ensino público!

Em seguida, na Plenária Final, votamos o Plano de Lutas da Executiva Sul-Mato-Grossense e elegemos novos representantes para a Executiva Estadual e os indicados a representantes da coordenação nacional da ExNEPe. O plano tem como centro a defesa da Educação, enfatizando a luta pelo boicote à implementação do ensino remoto/Ead, contra as intervenções e corte de verbas e o apoio à luta popular, enfatizando a luta de camponeses, indígenas e quilombolas por suas terras e territórios.

Outro dos pontos é a mobilização da delegação do Mato Grosso do Sul para a ida ao 40º Encontro Nacional, que acontecerá em Curitiba/PR.

Quatro novas companheiras, com muito entusiasmo, se incorporaram à Executiva Sul-Mato-grossense de Estudantes de Pedagogia, tomando para si o compromisso de desenvolver a entidade, visando ampliar e desenvolver a luta dentro das universidades e ao lado do povo! Companheiras valorosas reforçando o movimento estudantil independente, classista e combativo!

Encerramos nosso vitorioso encontro com uma atividade cultural, contando com a participação dos presentes no canto de músicas populares e leitura de poema, selando com ânimo e vigor um encontro construídos por estudantes desde a ornamentação até a alimentação! Para além do reforço na construção da Executiva Estadual, impulsionado pelo evento, reafirmamos nossos votos de compromisso com construção de um movimento estudantil combativo no Mato Grosso do Sul e de luta inseparável da luta de nosso povo!

Derrubar os muros da universidade, servir ao povo no campo e na cidade!

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