Programa de computador monitora notebooks emprestados a alunos da UFSB

Repercutido de Universidade à Esquerda

Na quarta-feira (21), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) publicou em suas redes sociais um vídeo denunciando que os notebooks emprestados pela universidade para a inclusão no ensino remoto estão sendo monitorados em tempo real por um software.

Segundo o vídeo, o DCE fora informado por um estudante de que seu notebook estava com o programa KidLogger. Este é um programa, de código aberto, de monitoramento parental que compila diversos dados de uso, como captura de tela, vídeo da webcam, som do microfone e até mesmo teclas digitadas, disponibilizando os resultados para uma conta online.

Com a notificação, membros da gestão que estavam usando computadores emprestados pela reitoria confirmaram que seus aparelhos também contavam com o programa. Os estudantes encontraram capturas de telas do Whatsapp, gravações da webcam em que estavam trocando de roupa e até mesmo dados pessoais de e-mail, senhas e contas bancárias.

A orientação do DCE aos estudantes é que registrem boletim de ocorrência, denunciem na ouvidoria da UFSB e entrem em contato com o DCE. Até o momento, a universidade não se pronunciou sobre o caso.

O edital de empréstimo dos notebooks não está disponível no site institucional da UFSB. Mas os relatos dos estudantes são de espanto com a invasão de privacidade cometida pela universidade contra seus próprios estudantes — indicando que essa informação foi omitida pela universidade, não pedindo consentimento para os estudantes.

Segundo o comunicado de empréstimo da universidade, os estudantes não poderiam desinstalar qualquer software existente no computador. “Não instalar novos softwares nem substituir os já existentes no equipamento, atividade que apenas poderá ser realizada pelo Setores de TIC dos Campi da UFSB, ou, em caso de impossibilidade do setor, com anuência prévia deste, por escrito”.

Outro trecho do comunicado também chama atenção ao delimitar o uso do equipamento “para fins exclusivamente acadêmicos”.

Há ainda o caso grave de violação da intimidade e de dados pessoais de diversos estudantes. Quem é o responsável pela conta online que recebe os dados dos notebooks? Qual a necessidade de uma universidade ter tais dados de seus alunos?

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