[CE] Trancamento de matrículas cresce e 5,7 mil alunos de universidades públicas param cursos na pandemia

Com informações de Diário do Nordeste

Quando a pandemia teve início e as aulas presenciais foram suspensas, tanto na educação básica como no ensino superior, um dos efeitos projetados era o abandono dos estudos. Nos ensinos fundamental e médio, as escolas saberão se o problema se confirmará, de fato, ao término do ano letivo. Nas universidades, a divisão por semestre faz com que o afastamento dos alunos, durante a pandemia, já seja uma evidência.

No Ceará, dados da Universidade Federal (UFC), da Universidade Estadual (Uece) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) confirmam que, entre o semestre anterior à pandemia e o de início da crise sanitária, se calculada a soma das matrículas nos cursos de graduação nas três instituições e a soma dos trancamentos, a proporção de alunos que se desligou momentaneamente passou de 5,0% para um total de 8,9%.

Ao todo, 77.766 estudantes se matricularam nas três instituições no semestre anterior à pandemia e 63.700, no semestre no qual houve confirmação de casos de Covid no Brasil. Considerando os números absolutos de trancamento nas três instituições públicas de ensino superior, eles passaram de 3.140 – no semestre anterior – para 5.709 no decorrer da pandemia. 

No ensino superior, os alunos têm o direito de parar temporariamente a formação ao suprimirem as disciplinas e registrarem o trancamento da matrícula. Em cada instituição, o estudante tem um tempo limite para permanecer afastado. Essa ação não é excepcional e pode ocorrer por inúmeros fatores. Mas, durante a pandemia, a proporção de alunos que trancou a matrícula, sobretudo, na UFC e na Uece, é maior do que no semestre precedente à atual crise sanitária.

Na UFC, conforme dados da instituição, no semestre anterior à pandemia (2019.2), havia 28.613 alunos matriculados e foram registrados 349 trancamentos. O que representa 1,2% do total de estudantes. Já no semestre de início da pandemia (2020.1), eram 30.154 matrículas, com o registro de 2.154 trancamentos. Uma proporção de 7,1%.

Na Uece, o aumento do número de universitários que suspenderam momentaneamente a formação também foi expressivo. Na instituição, o semestre anterior à pandemia era 2019.1, e tinha 16.990 estudantes matriculados e 630 trancamentos. O equivalente a 3,7% do total de alunos. Já no semestre no qual a crise sanitária teve início (2019.2), havia 16.848 matrículas e 1.447 trancamentos. O que significa 8,5% do total.

No IFCE a variação entre a proporção de matrículas e trancamentos, foi de: no semestre anterior à suspensão das aulas presenciais (2019.2), foram 16.194 matrículas registradas e 2.161 trancamentos ( 13,3% do total de alunos). Na pandemia, foram 16.698 matrículas e 2.108 trancamentos (12,6% do total).

Educação durante a pandemia

Existem muitos motivos que podem explicar o porquê do aumento da evasão neste ano. Com a imposição da Educação à Distância (EaD) pelo governo federal – que visa substituir o ensino presencial pelo ensino remoto -, os estudantes se virão imersos por inúmeros problemas, fazendo com que estudar fosse um verdadeiro desafio.

Com ou sem acesso à internet ou computadores, o ambiente doméstico, em geral, não é adequado para o estudo, principalmente para aqueles que cuidam de crianças em casa ou têm famílias grandes. A própria concepção pedagógica do ensino remoto representam uma minimização da relação entre teoria e prática, que deveria ser indissociável. Ademais, essa modalidade reduz drasticamente o caráter social inerente a todo processo educacional.

Todos esses problemas dificultam enormemente o processo de ensino-aprendizagem. E são causados pela Educação à Distância. Portanto, é a própria modalidade de ensino, a EaD, o principal fator da evasão atualmente. A educação precisa ser presencial, e toda ferramenta de tecnologia ou comunicação que intermediar o ensino deve ter caráter complementar.

Além da EaD estar dificultando e impedindo o direito ao ensino, ela também tem favorecido a privatização do ensino público em todos os seus níveis, abrindo as portas para conglomerados de tecnologias e plataformas digitais. Essa tem sido a forma mais rentável para o capital e o maior ataque à educação da história do país.

Estudantes, trabalhadores da educação e todos aqueles que defendem a educação e o direito do povo a ensinar, estudar e aprender devem se unir contra esse ataque. Devemos boicotar a implementação da EaD e lutar por abrir escolas e universidades para colocá-las a serviço do povo, tornando esses espaços o local de organização popular para se proteger e sobreviver a crise sanitária e econômica!

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