[Convocatória] Atos em defesa do adiamento do ENEM

A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) convoca todos os estudantes, professores, trabalhadores e demais interessados na defesa da educação pública para participarem de atos pelo adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que será realizado nos dias 17 e 24 de janeiro.
Baixe o panfleto em PDF.

A Realização deste ENEM é Absurda e Criminosa!

A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia repudia veementemente a realização deste Enem. Por um lado, não houve ano letivo para a imensa maioria dos jovens do povo; Por outro, o Exame acontece em plena 2ª onda da pandemia de COVID-19 que já ceifou mais de 208 mil vidas do povo pela incapacidade do Estado de garantir o mínimo de proteção e tratamento à população.

O Ensino Remoto Emergencial ao contrário de ser a solução para o ensino público no momento em que as aulas presenciais foram suspensas em decorrência da pandemia, na verdade, foi a brecha para o Estado generalizar a modalidade de Educação À Distância, precarizando as instituições públicas de ensino, para posteriormente privatizá-las.

A EAD também representa a negação do direito de estudar e aprender. Enquanto os filhos das classes exploradoras tem aulas remotas e professores particulares, nos bairros de periferia do campo e da cidade a juventude é abandonada pelo Estado. As atividades escolares são entregues impressas e as orientações chegam via grupo de WhatsApp. Muitos estudantes não têm acesso à internet, não têm computador em casa, a maioria utiliza apenas o celular e mesmo os que possuem tais equipamentos não estão conseguindo acompanhar e aprender de fato. O que está acontecendo é um pacto da mediocridade, as escolas públicas fingem que ensinam, os estudantes fingem que aprendem. Os filhos dos trabalhadores são impedidos de ter acesso aos conhecimentos teóricos e científicos mais elementares.

Como podemos ver, a imposição do Ensino Remoto nas escolas aprofundou a desigualdade na disputa de uma vaga na universidade. Não é difícil adivinhar quem ocupará as vagas das principais universidades públicas, que mesmo duramente atacadas e sucateadas seguem como as melhores do país.

Além disso, é preciso destacar que o Ministério da Educação lançou em junho de 2020 uma enquete pública para que os estudantes escolhessem a data da prova; a data mais votada foi em maio de 2021, mas o governo dos generais e Bolsonaro, formado por reacionários de todo tipo, estão impondo o ENEM pelo mesmo motivo porque as fábricas, obras, comércio, correios e transportes nunca pararam de funcionar, desde o início da pandemia. O ENEM precisa acontecer a qualquer custo para manter girando as engrenagens de um sistema de ensino a serviço dos grandes conglomerados educacionais e de tecnologia, mostrando claramente a submissão do Estado em servir aos interesses dos grandes monopólios, que há anos são financiados com o dinheiro público da educação por meio de programas como FIES e ProUni. Hoje, mais de 90% do ensino superior brasileiro é privado.

Para esses genocidas, não importa que estejamos numa 2ª onda da pandemia, com mais de mil assassinatos por dia por parte do Estado. O que desejam é isso mesmo, destruição de forças produtivas como forma de ganhar fôlego em meio à grave crise de superprodução que atinge o mundo e o país. Num cinismo afirmam que as condições sanitárias serão garantidas, mas esse Estado é incapaz de garantir ao povo medidas protetivas. Vemos a que pé está a vacinação para o povo.

Defendemos a reabertura das escolas, não para continuidade goela abaixo do ano letivo, mas para que elas sirvam ao povo. Pesquisas para produção de insumos, de equipamentos médicos, de EPI’s, produção em larga escala de álcool gel, de máscaras, protetores faciais, sabão, organização e politização da população, treinamento de jovens para atuar como agentes sanitários, organização de advogados para defender a população fustigada pelo Estado, aulas de reforço para os alunos do ensino básico, são inúmeras ações que poderiam ser tomadas tanto para defender a população quanto para defender o ensino público. É o que demanda a realidade objetiva.

Denunciamos a imposição do ENEM como mais um crime desse governo de generais e seu capitão! Conclamamos a todos os estudantes, professores e comunidades a seguirem boicotando a EaD, em defesa do ensino público e gratuito e a serviço do povo. E nesse momento entendemos também, dado o já exposto, a necessidade do boicote ao ENEM. Somente a luta organizada, combativa e independente dos estudantes, pais, professores e todo o povo pode garantir proteção frente a pandemia e os direitos mais básicos face aos ataques do Estado.

Pelo cancelamento do ano letivo e adiamento do ENEM!

Barrar a imposição da EAD impulsionando o boicote!

Em defesa do direito de ensinar, estudar e aprender!

Derrubar os muros da universidade, servir ao povo no campo e na cidade!

Por uma educação pública, gratuita, democrática e com autonomia, que sirva ao povo!

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