[RO] Acampamento Manoel Ribeiro é atacado novamente e camponeses resistem

Repercutido de Resistência Camponesa

Segue a escalada da violência reacionária do latifúndio e o Estado contra os camponeses do Acampamento Manoel Ribeiro.

Camponeses relataram uma movimentação atípica no latifúndio Nossa Senhora, entre 18h e 20h da noite do dia 20 de janeiro: uma viatura policial entrou na sede; 4 caminhonetes, carros e motos ficaram rondando pela estrada principal que dá acesso à Chupinguaia (Linha MC01) e nas estradas dentro do latifúndio; um drone sobrevoou próximo ao acampamento. Acampados denunciaram que em seguida, pistoleiros dispararam com arma de grosso calibre contra um posto de segurança do Acampamento Manoel Ribeiro.

Devido à presença da viatura policial na sede do latifúndio, estes crimes cometidos por pistoleiros do latifúndio Nossa Senhora teve a conivência de policiais. Isto é certeza, mas pela história do Brasil, especialmente de Rondônia, é certo que este foi mais um caso em que a polícia atua como segurança privada do latifúndio.

As famílias do Acampamento Manoel Ribeiro seguem firmes na luta pelo último pedaço do solo regado com o sangue dos heroicos combatentes de Corumbiara.

CAMPONESES DO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO RECHAÇAM POLICIAIS E PISTOLEIROS EM UM DIA INTEIRO DE RESISTÊNCIA

Famílias do acampamento Manoel Ribeiro resistiram com firmeza à ataques da polícia e do latifúndio que se estenderam por todo o dia 18 de janeiro.

Após a vã tentativa do latifúndio de intimidar os camponeses enviando pistoleiros até a área ocupada, dezenas de policiais de diferentes órgãos de repressão empreenderam dois ataques contra as famílias.

Os trabalhadores conseguiram registrar em vídeo o momento das agressões.

PISTOLEIROS DO LATIFÚNDIO, TENTAM INTIMIDAR OS CAMPONESES

Segundo relato das famílias, na manhã do dia 18, 2 homens do latifúndio Nossa Senhora, portando armas curtas na cintura, um deles encapuzado, se deslocaram em direção ao acampamento em uma caminhonete (bandeirante branca) e se aproximaram de uma das porteiras da área ocupada.

Ao perceberem que os camponeses não se intimidaram, disseram que desejavam apenas conversar e que queriam que os trabalhadores desocupassem a área alegando que precisavam retirar parte do gado do latifundiário. 

Frente à intimidação, reunidos, os camponeses se mantiveram firmes e recusaram-se a sair do local.

EM AÇÃO COORDENADA COM LATIFÚNDIO POLÍCIA FAZ TENTATIVA FRUSTRADA DE DESPEJO ILEGAL

Na tarde do mesmo dia, por volta das 15 horas, as famílias avistaram 7 viaturas policiais chegando à sede do latifúndio. Depois, junto com caminhonetes do fazendeiro, os policiais se dirigiram para o acampamento Manoel Ribeiro com o objetivo de expulsar os camponeses da Fazenda Nossa Senhora.

Participaram do ataque viaturas da polícia militar e outras escuras camufladas, de tropa especial, mas que os camponeses não conseguiram identificar.

Cerca de 30 policiais portando escudos e em formação de ataque confrontaram as famílias acampadas em uma odiosa operação ilegal.

Respondendo ao avanço das forças de repressão que ameaçavam invadir parte da área ocupada, os camponeses ergueram barricadas em chamas e lançaram fogos de artifício.

A todo o momento os camponeses denunciaram o caráter criminoso da operação feita sem qualquer mandado, como se já não fosse absurda por sua própria natureza antipovo. “Lutar não é crime!”, “Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!”, “Se o camponês não planta, a cidade não almoça nem janta!”, “1, 2, 3, 4, 5, mil, avança a Liga por todo o Brasil!”, “Pistoleiros do latifúndio!”, “Estas terras não tem documento. O fazendeiro grilou tudo“, “Estas terras são da antiga Santa Elina! Estas terras são do povo“, bradaram os trabalhadores em meio à canções de luta.

POLÍCIA BLOQUEIA ESTRADA

Em seguida, os policiais e as viaturas bloquearam a principal estrada que corta as áreas vizinhas e que dá acesso ao acampamento. Foram identificados veículos do batalhão de choque da polícia militar e da polícia ambiental.

Organizadas, as famílias empunharam bandeiras, entoaram canções de luta, palavras de ordem e ergueram suas ferramentas de trabalho.

Diante da vibrante resistência, após cerca de meia hora, as viaturas suspenderam o bloqueio, se dirigiram para a sede da fazenda Nossa Senhora Aparecida, onde fizeram uma parada, e se retiraram para a cidade Chupinguaia.

Policiais retiraram bandeiras e placas indicando a entrada do Acampamento Manoel Ribeiro – mais uma ação ilegal, pois elas estavam colocadas em propriedades particulares de camponeses. Na manhã seguinte as bandeiras já voltavam a tremular, recolocadas nos mesmos lugares pelos camponeses.

CAMPONESES DENUNCIAM ARTICULAÇÃO DE LATIFUNDIÁRIOS LOCAIS

As suspeitas por parte dos trabalhadores de que outros latifundiários da região estão apoiando o latifúndio Nossa Senhora Aparecida aumentam. 

Segundo denúncias de camponeses das áreas vizinhas, desde os 3 dias que antecederam os ataques, a sede da fazenda Nossa Senhora tem apresentado movimentação atípica de diferentes carros e caminhonetes.

A rápida e constante entrada e saída de veículos relatada pelos moradores seria resultado de uma possível reunião dos latifundiários locais, um dos quais é o ladrão de terras Antenor Duarte, conhecido por ser um dos mandantes do crime hediondo ocorrido em 1995 conhecido como “Massacre de Corumbiara”. 

Além disso, também foi denunciada a presença de pistoleiros durante a noite parados na estrada, próximo à entrada da sede do latifúndio.

Conforme apontamos em nossa última matéria, esta articulação dos latifundiários se dá pelo medo de que mais camponeses sem terra, e desempregados dos municípios vizinhos sigam o exemplo do acampamento Manoel Ribeiro e tomem outros latifúndios, empurrados pela grave crise.

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