Pelo cancelamento do Enem, seu adiamento e realização de novas provas – ExNEPe

Pelo Cancelamento do ENEM, seu adiamento e
nova realização de novas provas!

Um grande fracasso, é assim que podemos definir a realização do Enem no último mês. Chovem relatos de problemas decorrentes da falta de condições sanitárias para realização das provas. Havendo até vestibulandos que foram expulsos do exame devido a superlotação das salas, planejadas pelo MEC para terem 80% de ocupação, o que não garantiria o distanciamento social. Chega ao absurdo de não ter havido nenhuma orientação do MEC para a medição de temperatura nos locais, um dos principais indicadores da presença da doença.

Ao contrário, o próprio MEC diz que contava com um alto número de abstenções para “garantir as medidas sanitárias”. O que, primeiro se mostrou falso pois não garantiu as mesmas e em segundo, mostra o caráter nefasto desse governo que, no lugar de fazer o necessário para cuidar da saúde e proteção dos jovens contava com a exclusão destes para a própria realização do exame.

Mas a maior prova do fracasso do Enem foi o acachapante boicote feito pelos estudantes em todos os dias de prova. Se o Enem serve como forma de acesso a milhões de jovens ao ensino superior, sua realização nessas condições, na verdade, serviu a ampliar enormemente a exclusão (que sempre existiu) dos jovens do nosso povo, principalmente os mais pobres de escolas públicas do acesso ao ensino superior público e gratuito.

O boicote atingiu 51,5% dos estudantes inscritos no primeiro dia e 55,3% no segundo, sendo este um recorde em toda a sua história. Para não falar das provas onlines, em que o boicote chegou a 68,1% dos 93 mil candidatos inscritos, além de vários problemas técnicos que prejudicaram muitos dos que compareceram às provas. Tais números representam nada menos que a exclusão de mais da metade dos inscritos no processo do Enem já antes mesmo de lançada as notas e abertura do Sisu. Exclusão que tem sua origem, de um lado, no fato de muitos estudantes preferirem não se arriscar ao contágio do vírus em meio ao aumento do número de casos, afinal, como vimos, o governo não deu nenhuma garantia concreta de segurança. Por outro lado, e principalmente, culpa da falta de preparo necessário que permitisse melhores condições para que os estudantes mais pobres e vindos de escolas públicas pudessem concorrer a uma vaga na universidade, o que seria possível apenas com aulas presenciais. Não é difícil adivinhar quem ocupará as vagas das principais universidades públicas, que mesmo duramente atacadas e sucateadas seguem como as melhores do país.

A causa disso está na imposição da retomada do ano letivo através da EaD junto à vergonhosa aprovação automática dos estudantes sob esse formato, o que, no fundo, fez com que perdessem um ano de conteúdo.

A EaD representa a negação do direito de estudar e aprender. Enquanto uma ínfima parte dos estudantes de famílias ricas possuem toda uma estrutura para estudar em casa e até professores particulares, os jovens de famílias pobres tem que se contentar com “aulas” via WhatsApp, rádio, TV, textos impressos e outras barbaridades. Grande parte não têm acesso à internet, nem computador em casa, a maioria utiliza apenas o celular e mesmo os que possuem tais equipamentos não estão conseguindo acompanhar e aprender de fato. A verdade é que a Educação à Distância imposta pelo governo generais/Bolsonaro impediu que a imensa maioria dos estudantes, os mais pobres, pudessem estudar e aprender e a aprovação automática apenas legitima esse absurdo. A realização do Enem tal como vimos serve de um carimbo a mais nesse processo. Além de perderem o último ano do ensino médio, ainda serão excluídos do acesso ao ensino superior público. Os estudantes dos ensinos fundamental e médio estão sendo impedidos de aprender e os professores impedidos de ensinar.

Dessa forma, esse Enem também mostrou as consequências nefastas da imposição da EaD, ampliando enormemente a desigualdade no ensino e serve de sinal de como as coisas ocorrerão no futuro, caso a EaD permaneça de forma definitiva nas escolas como quer o governo, Banco Mundial e grandes monopólios de ensino e tecnologia.

Diante desse caos devemos nos perguntar: quem são os culpados e a quem serviu a realização do Enem nessas datas e nessas condições? O único culpado de todo esse absurdo é o governo de generais/Bolsonaro que prefere atender os interesses dos grandes conglomerados de ensino privado. Estes, lucram milhões por ano com a venda de cursos aligeirados, tecnicistas e que necessitam da realização da prova do Enem para a entrada de novas matrículas e clientes, em sua imensa maioria são meros mercadores de diplomas. Por isso exigem o quanto antes o Enem. Não a toa que nos dois dias estiveram presentes nos locais de prova vários funcionários de faculdades particulares, oferecendo bolsas, promoções e brindes.

Vale lembrar que, se hoje a maior parte dos jovens que realizam a prova do Enem vão parar nas faculdades privadas e não nas universidades públicas (hoje mais de 90% das matrículas do ensino superior estão no ensino privado), se deve exclusivamente ao processo de privatização do ensino ocorrido nas últimas décadas, dos quais programas e projetos como implantação da EaD, FIES e Prouni tem papel destacado. Tais programas foram inclusive responsáveis pela criação dos tubarões do ensino privado que hoje são os mesmos que atentam contra os estudantes pressionando pela realização do Enem o quanto antes.

Mais da metade dos jovens inscritos no ENEM foram excluídos e prejudicados pela forma como o governo de generais/Bolsonaro conduziu as provas. Sem contar os estudantes que ficaram de fora da realização nos próprios dias do exame pelos problemas de superlotação e outros. Devemos nos perguntar, que validade tem um Enem com esses resultados e feito dessa forma? Nenhuma, companheiros, não tem validade, legitimidade e não deve ser reconhecido por nenhum estudante e professor e trabalhadores do ensino comprometidos com o ensino público gratuito.

Defendemos de forma irrestrita o direito de ensinar, estudar e aprender e o direito ao acesso aos filhos do povo aos conhecimento teóricos e científicos produzidos pela humanidade. Sua exclusão desse processo de forma deliberada pela forma como está sendo realizada o ENEM, além do próprio atentado a vida dos jovens e suas famílias com a exposição ao vírus é um verdadeiro crime e mostra o caráter reacionário deste Estado, devendo ser combatido com unhas e dentes.

Defendemos assim, O CANCELAMENTO IMEDIATO DO ENEM, que o processo seja refeito, sendo adiado para quando tivermos uma diminuição do número de casos de covid e que os jovens, principalmente de escolas públicas e mais pobres possam ter tempo para se preparar e repor presencialmente os conteúdos que perderam durante a pandemia. Além disso, que o governo garanta medidas sanitárias eficazes para a proteção dos profissionais de ensino, os jovens e suas famílias, incluindo testagens em massa e vacinação!

O adiamento também é a vontade da maioria dos estudantes inscritos. É o que comprova a enquete lançada pelo Ministério da Educação em junho de 2020 para que os estudantes escolhessem a data da prova; a data mais votada foi em Maio de 2021, ficando a frente de datas como Dezembro e Janeiro. São esses milhões de jovens, que o Ministro da educação Milton Ribeiro desdenha quando afirma que apenas uma “minoria barulhenta” é quem pedia o adiamento das provas. Sem contar as várias entidades estudantis, de professores, científicas e outras que se posicionaram a favor também do adiamento.

Afinal o Enem não foi cancelado no estado do Amazonas e em outras cidades por conta da calamidade sanitária que vive o estado? Além disso, diversos processos foram protocolados na justiça e uma lei chegou a passar pelo Senado prevendo “a prorrogação automática de prazos para certames seletivos nacionais de acesso ao ensino superior, neste caso o Enem e vestibulares, em casos de calamidade pública ou de evento que comprometam o regular funcionamento das instituições de ensino no país.”. Também não seria novidade no histórico de realização do exame já que em 2009 este foi adiado 2 meses devido ao vazamento das provas anteriormente. E o que é o vazamento de provas perto da enorme catástrofe e suas irremediáveis consequências que observamos na realização das provas em Janeiro? Motivos para seu cancelamento e adiamento não faltam.

Dessa maneira, se coloca como premente aos estudantes de todo o país, secundaristas, vestibulandos e universitários, além dos professores e a comunidade, lutar pelo CANCELAMENTO IMEDIATO DO ENEM e seu adiamento com a realização de novas provas. O cancelamento do ENEM representa justiça para os jovens de nosso povo, uma grande derrota à imposição da EaD e aos interesses do governo e dos conglomerados privados de ensino. Muitos estudantes atenderam ao chamado da Executiva realizando atos em todo o país pelo adiamento do Enem. Seguiremos mobilizando e não desistiremos até que o Enem seja cancelado! Não abdicamos dos nossos direitos e frente aos ataques do Estado responderemos com mais luta e organização!

PELO CANCELAMENTO IMEDIATO DO ENEM
E A REALIZAÇÃO DE NOVAS PROVAS!

PELO DIREITO DE ENSINAR, ESTUDAR E APRENDER!

ABAIXO A IMPOSIÇÃO DA EAD NAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES!

VACINA PARA TODOS JÁ!

Faça o download da nota.

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