Estudantes lutam por democracia e direito de aprender e ensinar em todo o mundo

Repercutido de A Nova Democracia

Estudantes da Turquia, Grécia e França travaram lutas combativas durante todo o mês de janeiro em defesa da democracia e autonomia universitárias, assim como pelo direito de aprender e ensinar. Os alunos combateram, ainda, a repressão dos Estados reacionários em seus respectivos países.

TURQUIA: ESTUDANTES CONTRA REITOR INTERVENTOR!

Seguindo com os protestos iniciados em janeiro, cerca de mil estudantes da Universidade Boğaziçi iniciaram o mês de fevereiro com protestos contra o reitor interventor imposto pelo presidente fascista Recep Tayyip Erdoğan, no dia 02 de fevereiro, em Istambul. Enfrentando a repressão, os manifestantes atiraram pedras no policiais, resultando em mais 150 pessoas presas.

Os estudantes, que estavam acompanhados de outras organizações populares, se reuniram em Kadıköy, bairro da cidade próximo a universidade, durante a tarde. Alguns estudantes que partiam de Hisarüstü, ao chegarem próximos da universidade, foram imediatamente presos por policiais nas paradas de ônibus.

Sendo logo reprimidos pelos policiais que usavam escudos e porretes, atirando gás lacrimogêneo no povo em protesto, que carregava cartazes escritos com Você nunca será nosso reitor!. Segundo autoridades do velho Estado turco, a manifestação estava proibida sob a alcunha de enfrentar a disseminação do coronavírus.

A Universidade Boğaziçi, durante anos, teve seus reitores escolhidos pela própria universidade. A lei da escolha do reitor pelo presidente, no entanto, entrou em vigor em 2016, após a tentativa falha de golpe na Turquia. No dia 01/01, Erdoğan apontou Melih Bulu, membro do seu partido AKP, como novo reitor. Os estudantes e professores da universidade, como resposta, organizaram protestos já para o dia 05/01, exigindo a abdicação do novo reitor e eleições próprias da universidade.

Como resposta, Erdoğan acusou os estudantes de serem “terroristas” querendo provocar caos nas ruas. Na mesma semana que se iniciaram os protestos, policiais fortemente armados invadiram casas de estudantes, levando-os presos.

GRÉCIA: ESTUDANTES RECHAÇAM PRESENÇA DA POLÍCIA NAS UNIVERSIDADES

Próximo à Turquia, na Grécia, estudantes tomaram as ruas de diversas cidades em protesto no dia 28 de janeiro, contra a nova lei que visa criar uma força policial para as universidades, levando a uma maior militarização das instituições de ensino. 

Além da força policial específica para universidades, onde haveria cerca de mil policiais nas universidades com autoridade em chamar tropa de choque para reprimir estudantes. A lei também visa introduzir “conselhos disciplinares”, para poder suspender ou expulsar alunos. 

Cerca de 4 mil pessoas tomaram as ruas de Atenas em protesto, e outras 1500 em Thessaloniki, enfrentando as medidas impostas pelo velho Estado grego para proibir as manifestações, sob a alcunha de enfrentar a pandemia.  

Em Atenas, a polícia reprimiu os manifestantes com bombas de efeito moral. O povo logo respondeu a repressão atirando pedras e tinta nos agentes do velho Estado.

Já em Thessaloniki, segunda maior cidade do país, policiais atiraram bombas de efeito moral contra os manifestantes, que responderam com pedras e coquetéis molotov. O confronto ocorreu próximo à Universidade Aristóteles.

Manifestações ocorreram também nas cidades de Patras e em Ágios Nikolaos.

FRANÇA: ESTUDANTES NEGAM VOLTA ÀS AULAS SEM MEDIDAS SANITÁRIAS CABÍVEIS

Ainda na Europa, na França, estudantes prosseguem com protestos em diversas cidades contra as medidas impostas pelo Estado reacionário francês, que deixam os estudantes à mercê da pandemia e promovem a precarização do trabalho docente.

No dia 26/01, em Paris e Marselha, professores e estudantes marcharam nas ruas das cidades com faixas denunciando a falta de medidas para enfrentar a pandemia presencialmente nas escolas, com os dizeres Sem medidas para o vírus, sem escola!. Sob palavras de ordem Chega de Zoom! (em referência ao aplicativo usado em escolas para o ensino remoto), estudantes universitários denunciaram o ensino remoto, que afirmam que além de não manter a qualidade do ensino presencial, agrava a situação psicológica dos estudantes com a quantidade de material imposto, a falta de assistência para solucionar as dúvidas e o isolamento, o que teria ocasionado até mesmo suicídios entre os alunos.

Em Rennes, os professores denunciaram a queda na qualidade de vida em relação ao salário, com um dos professores presentes afirmando que os professores “perderam uma média de 275 euros por mês em poder de compra na última década”, segundo o monopólio de mídia msn. Também afirmaram a necessidade de mais professores na rede de ensino, uma vez que quando adoecem, raramente ingressam novos.

No dia 21 de janeiro, a organização Jeunes Révolutionnaires (Jovens Revolucionários) participou de um dos atos, com um dos militantes afirmando, em discurso:

“Estamos em uma era revolucionária na qual este sistema será varrido. Queremos uma sociedade na qual a educação não dependa das exigências dos empregadores, mas seja organizada de tal forma que a sociedade funcione no interesse de todo o povo! Isto só é possível em uma sociedade liderada pela classe operária. Nossa tarefa hoje é a conquista do poder através da revolução socialista. Para cumprir esta tarefa, devemos nos organizar para lutar e resistir. Ousar lutar, ousar vencer!”

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