UFPR planeja retomada do Calendário Acadêmico via EaD

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) vinha aplicando um modelo de ensino remoto desde meados do ano passado. De acordo com a explicação da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograd), esse ensino remoto, o qual é caracterizado por ERE (Ensino Remoto Emergencial), não equivale ao Calendário Acadêmico oficial e possui um caráter “emergencial”, pois “a universidade não poderia ficar parada durante a pandemia” e “deveria manter algum vínculo com os alunos”, sendo apenas uma modalidade de ensino “opcional” para quem queira e possa fazer. No entanto, o que muitas entidades estudantis denunciaram na época da implementação do ERE, era que esse ensino remoto seria um laboratório para a implementação da EaD durante a pandemia com o retorno do calendário acadêmico, e que essa sempre foi a intenção da Reitoria da Universidade, apesar de todo o seu discurso demagógico. Além disso, o próprio ERE que condensava disciplinas semestrais em três meses de aula remota, apesar de todo o discurso de ser uma modalidade “opcional”, equivale às disciplinas oficiais para quem realizá-lo, fazendo com que alguns estudantes se adiantem no curso com uma formação extremamente precária.


Como foi previsto por muitos estudantes, a reitoria da universidade agora deseja retomar o Calendário Acadêmico oficialmente através da EaD. E com uma argumentação demagógica e vazia, afirma que “o balanço do período especial mostra que, nos dois ciclos (do ERE), foram atendidos 23.988 alunos, o equivalente a 90,1% dos estudantes com matrícula. Foram ofertadas mais de 210 mil vagas e a soma das cargas horárias chega a 88%, se comparada a um semestre letivo.” Além de não estar nada claro como a Prograd chegou a esses números, o que com certeza não é levado em conta na conclusão apresentada pela mesma é que uma quantidade muito grande de alunos apenas se matriculou em um número bem reduzido de disciplinas do ERE por diversas razões, e uma grande quantidade desses desistiram das disciplinas e deixaram de prosseguir com essa modalidade, por conta da qualidade reduzida desse “ensino”. Isso tem sido observado professores e estudantes em diversos cursos, principalmente naqueles mais proletarizados. Diante disso, a UFPR apresenta agora três propostas de retomada do calendário acadêmico via EaD:


“Na primeira alternativa proposta, haveria a oferta de mais um período especial via ERE, o calendário acadêmico de 2020 seria retomado em agosto de 2021 e o início do ano letivo de 2021 seria em junho de 2022. A segunda proposta prevê uma retomada simples do calendário acadêmico em maio de 2021 e o início do ano letivo de 2021 em janeiro do ano que vem. Quem passar no vestibular deste ano, teria aulas a partir de janeiro de 2022.
A terceira alternativa contempla uma retomada conjugada, com o retorno do calendário 2020 em maio deste ano e o início do ano letivo de 2021 em agosto de 2021. Nessa proposta, os dois períodos especiais seriam equivalentes a um semestre letivo e as coordenações teriam liberdade de ofertar disciplinas de primeiro e segundo semestre letivos, segundo planejamento próprio e quem passar no vestibular deste ano já terá aulas em agosto de 2021.”


Nota completa pode ser vista no site oficial da instituição https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ufpr-se-prepara-para-retomada-do-calendario-academico/

Desde que o ensino remoto começou a ser cogitado na UFPR, muitos estudantes se manifestaram contra este, e com o apoio de muitos professores, afirmaram e argumentaram que a EaD é uma modalidade de ensino que está totalmente ligada ao processo longo de sucateamento e privatização das Universidades Públicas, o que é provado quando o Conselho Nacional de Educação (CNE) afirma em uma reunião com o Banco Mundial (BM) que a pandemia é um bom momento para intensificar a implementação da EaD no Ensino Básico e no Ensino Superior. Isso tem se expressado de forma feroz no ensino básico (como denunciam muitos trabalhadores em educação e entidades estudantis) e no ensino superior principalmente com as universidades privadas através da alteração de muitos currículos de cursos que antes eram totalmente presenciais e agora estão com a modalidade EaD permanentemente, seja de forma parcial ou total.


Prova cabal disso é dada pelo recente questionário no qual a Reitoria da UFPR indaga aos estudantes se estes creem ser interessante manter a EaD após o fim da pandemia.


As universidades públicas são instituições extremamente importantes para o desenvolvimento da ciência nacional e instrução pública do povo – ainda que sejam poucas, extremamente sucateadas e muito controladas pelo mercado privado. Contribuem para a defesa da produção nacional e científica, como se tem provado com alguns exemplos no enfrentamento ao Covid-19, e estas não podem abrir nenhuma brecha para as armadilhas dos tubarões da educação que no momento se dão principalmente através da tentativa gradual da implementação da EaD, passando de demagogia sobre “período emergencial”, para grande oportunidade de negócios na “nova situação mundial pós pandemia”. Essa modalidade de ensino é totalmente defasada, desprovida de bom conteúdo científico, transformando a formação no ensino superior em uma formação tecnicista, aligeirada e pragmática. Os estudantes e professores nada tem a ganhar com a EaD, apenas os grandes monopólios privados.


O que as Universidades Públicas devem fazer durante a pandemia é prosseguir na produção científica que sirva no combate ao Coronavírus. Somando a isso, também devem utilizar todos os seus recursos possíveis para ajudar a população nesse momento crítico, seja disponibilizando seus espaços físicos, recursos humanos e expertise técnica, ou seja fazendo com que cada curso da universidade realize variados projetos de extensão que possam auxiliar a população, principalmente a população trabalhadora que reside em bairros pobres, bem como viabilizando projetos de pesquisa e parcerias com a comunidade. Já que nos baseamos no Ensino, na Pesquisa e na Extensão, nesse momento estes dois últimos devem ter caráter prioritários, pois é para servir à população que as universidades devem dispender maior quantidade de energia, não na implementação de uma modalidade extremamente atrasada de ensino que só irá contribuir para o processo gradual de privatização das universidades públicas e no seu isolamento cada vez maior da comunidade externa. Os estudantes seguirão firme em toda essa luta por boicotar a modalidade EaD e por criar mais projetos de extensão que sirvam diretamente à população brasileira!

PELO DIREITO DE ENSINAR, ESTUDAR E APRENDER!

ABAIXO A IMPOSIÇÃO DA EAD NAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES!


Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia (ExPEPe)

ato em frente à Reitoria da UFPR (40º ENEPe)

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