Trabalhadores da educação denunciam ataques dos governos durante a pandemia no Rio e em São Paulo

Reproduzido de A Nova Democracia

Durante a pandemia, os profissionais da educação (professores, merendeiras, funcionários da limpeza, porteiros dentre outros) seguiram sofrendo todo tipo de precarização. Os atrasos de salários, a falta de repasses e também assédios sofridos pelos profissionais motivaram protestos e manifestações no Rio de Janeiro e em São Paulo.

NO RJ, TRABALHADORES ESTÃO COM CINCO MESES DE SALÁRIOS ATRASADOS

Funcionários de 203 creches conveniadas à prefeitura do Rio de Janeiro, fizeram uma ato em frente à sede da administração municipal, na Cidade Nova, centro da cidade, no dia 23 de fevereiro. Os trabalhadores exigem o repasse das verbas às instituições. Eles estão sem receber salários há cinco meses, desde o governo do antigo prefeito Marcelo Crivella. O atual prefeito Eduardo Paes (DEM) dá prosseguimento a estes ataques contra os trabalhadores da educação.

O ato fechou uma das vias da avenida Presidente Vargas durante o período da manhã. A Associação das Creches e Pré-Escolas Conveniadas, Confessionais, Comunitárias e Filantrópicas do Município do Rio de Janeiro (Acreperj), informou que R$ 60 milhões não foram pagos às instituições, o que impactou no atendimento de 22 mil crianças. A entidade informou também que 5 mil trabalhadores estão sem salários.

Os manifestantes carregavam faixas e cartazes com frases como: “Educação não é gasto, é investimento” e “Estamos com os repasses da prefeitura atrasados“.  

“Estamos há cinco meses sem salário, com dívidas atrasadas e sem colocar comida na mesa. Cadê o amor ao próximo? Nosso trabalho não é só voltado aos alunos, mas à comunidade da Zona Oeste, que já tem a tendência de ser ignorada pela prefeitura do Rio”, denunciou a auxiliar de creche, Ana Regina da Silva, da escola comunitária sítio Alegre, em Sepetiba, na zona oeste do Rio.

Durante a pandemia o serviço presencial das creches foi interrompido, contudo, os profissionais continuaram trabalhando de maneira remota.

“Nós pedimos a regularização do repasse dos recursos atrasados de outubro até dezembro, e que seja regularizado os nossos pagamentos para que possamos trabalhar dignamente. Já tivemos duas creches fechadas, nós não queremos que as unidades conveniadas fechem, são 5 mil funcionários, alguns deles sem salário desde o mês de outubro. Nós só queremos fazer o nosso trabalho dignamente”, afirmou a diretora da Acreperj, Regina Luzia Ferreira Gomes. A diretora afirmou ainda que sequer foi recebida pelo Secretário de Educação, Renan Ferreirinha (PSB), para tratar das reivindicações dos trabalhadores.

Regina também denunciou que por conta da falta de repasse de verbas por parte da prefeitura, crianças que recebem cestas básicas pelas creches estão sem o benefício.

“Desde outubro não estamos entregando mais as cestas básicas para as crianças que nós assistimos. Precisamos de condições dignas e dos repasses para as nossas contas para que possamos prestar o atendimento dignamente”, afirmou.

No dia 22 de fevereiro, foi a vez de profissionais terceirizados que prestam serviços em escolas e creches municipais protestarem.

Os trabalhadores levaram faixas e cartazes com frases como: “Paes, pague nossos salários e garanta nossos empregos“.

Merendeiras, serventes, auxiliares de serviços gerais, controladores de acesso e outros trabalhadores de diversas empresas terceirizadas denunciam que não recebem salários há quatro meses. De acordo com os trabalhadores, nem o 13° foi pago. Os profissionais denunciam também o retorno às aulas justamente quando os casos de Covid-19 voltam a crescer no Rio.

“A gente está nessa situação, do ano passado isso já veio se arrastando, mas agora está muito difícil, especialmente com o anúncio de retomada das aulas, isso significa a retomada do trabalho. O pessoal vai ficar na linha de frente, se expondo, aferindo temperatura, distribuindo álcool, conferindo se tem máscara, é justamente o pessoal que está sem salário, e pior, sem nenhuma garantia de que vai manter esse contrato”, denunciou a professora e diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, Bárbara Sinedino.

PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO PAULISTA NA ENCRUZILHADA DA PANDEMIA

Os professores do ensino público no Estado de São Paulo vêm sofrendo em meio à crise econômica e sanitária as mais diversas calúnias e arbitrariedades por parte do secretário Rossieli Soares na gestão João Dória (PSDB). Como sempre se posicionaram em desfavor ao professorado, no presente ano de 2021 não foi diferente e já se inicia com uma lista de irregularidades que vem galopando desde o ano anterior. Não só isso, a situação de calamidade se instala no chão da escola.

Com uma parcela significativa dos profissionais da educação impedidos de se efetivar e sem previsão de concurso público, os chamados trabalhadores da Categoria O e V, contratados e temporários, são os que mais penam dentro das unidades escolares, nesta amarga situação em que se encontra a educação no estado. Não bastando o modelo de contratação que não assegura os mínimos direitos, essa fração da categoria, que corresponde a 40.000 professores e mantém a escola pública, é desmerecida em sua função, sendo vítimas de rechaço e desprezo pelos efetivos e gestores.

No ano de 2020 os professores eventuais, categoria V, ficaram impossibilitados de dar aula devido à implantação do ensino remoto com o aplicativo Centro de Mídias São Paulo. Não bastando os problemas que vão desde a falta de equipamentos e ferramentas para os estudantes manterem seus estudos em dia, essa fração dos professores sequer foi contemplada com um auxílio emergencial que lhe garantisse o mínimo no período de proliferação do novo coronavírus. 

O professor substituto é ainda mais desvalorizado. De acordo com muitos relatos a situação de desespero se instalou, fazendo o professor dividir seu espaço de tempo com bicos, exercendo mais que uma função e sobrecarregando sua rotina já incerta em relação a seu cargo e função, ainda que no ensino remoto e a distância.

O ano letivo começou com uma greve sanitária encabeçada pela APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. O sindicato reivindica a greve com a manutenção do Ensino Remoto/EaD. Apesar da não obrigatoriedade dos estudantes frequentarem a escola em meio a pandemia, os professores são obrigados a cumprirem seu horário.

O mês de fevereiro fecha com a professora Maria Tereza Couto de Lourenço, 32 anos, no município de Caçapava, e a professora Regina Aparecida dos Santos Tomaz, diretora da Escola Estadual Professora Luíza Rofsen, município de Araraquara, interior do estado, mortas pelo corona. Além da professora, a Escola Estadual Rachel de Queiroz em Campinas comunica o falecimento de uma aluna do oitavo ano. A virada do mês também conta com mais de 1000 casos de contaminação. A greve continua e a categoria luta pela vacinação dos profissionais do ensino público da rede.

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