“O ensino híbrido é o ensino do futuro”, diz CEO da Cogna

Repercutido de Universidade à Esquerda

Em entrevista para o programa Liderança Digital, Rodrigo Galindo, CEO da Cogna, descreveu como o processo de digitalização e hibridização do ensino já era uma tendência anterior à pandemia. Segundo ele, o conglomerado educacional já apostava na substituição do ensino presencial desde ao menos 2011. Na época, a então Kroton comprou a Universidade Norte do Paraná (Unopar), que era dona da maior rede de ensino a distância do país.

Segundo Galindo, a pandemia apenas acelerou o processo de digitalização do ensino em curso há muito tempo. Mas com a pandemia, essa tendência se consolidou e ganhou mais força, pois acabou sendo legitimada e rompendo com o “preconceito” ao EaD.

A já existente estrutura de digitalização da Kroton, atual unidade de graduação da Cogna, permitiu converter toda a estrutura de ensino superior em apenas dois dias após começar o lockdown no Brasil, no primeiro semestre de 2020. Passados 48 horas, “todas as aulas de graduação estavam sendo acessadas virtualmente”, afirmou Galino.

De acordo com o CEO, isso foi possível devido a uma intensa mudança da Cogna desde 2017, para favorecer a digitalização do ensino. No terceiro trimestre de 2020, o oligopólio contava com mais de 817,6 mil alunos de graduação — 860% do número de alunos da USP, maior universidade pública do Brasil.

Na educação básica, o processo de digitalização das unidades também aconteceu de maneira intensa com o começo da pandemia. O Plural, plataforma que concentra as atividades de educação básica da Vasta Educação (empresa da Cogna) foi disponibilizado para cerca de 4 mil escolas. Segundo o CEO, com isso, 1 a cada 4 estudantes da educação básica privada tem suas aulas hoje através da plataforma Plural.

Segundo descreve o CEO, a plataforma Vasta já era a plataforma mais robusta de ensino digital antes da pandemia. Com o fechamento das escolas e a necessidade das aulas remotas, a empresa expandiu a oferta da plataforma Plural para demais escolas. No final de 2020, 45% do tráfego de conteúdos on-line da educação básica brasileira passava pela plataforma Plural.

Para o CEO do maior conglomerado educacional do Brasil, essa consolidação e domínio das tecnologias na área educacional mostram como “o ensino híbrido é o ensino do futuro”.

Atividades práticas

Galindo relata que o conglomerado conseguiu avançar inclusive na digitalização de aulas práticas. Parte das atividades práticas e de laboratório foram convertidas para o modelo virtual. É o caso por exemplo das atividades de cursos de engenharia, que foram transferidas para “laboratórios digitais”.

Segundo o CEO, “essa é uma mudança que veio para ficar”, pois mesmo com a retomada dos cursos que se mantiverem presenciais, permanecerá a possibilidade de manter as atividades práticas que forem possíveis de realizar remotamente, pois são menos custosas e permite ao aluno repetir o experimento quantas vezes quiser. 

Crescimento do EaD

Para Galino, a pandemia, além de acelerar a digitalização do ensino, teve o papel de legitimar essa modalidade e acabar com “preconceitos” que se tinha em relação ao EaD.

Para o CEO, o crescimento do EaD a taxas superiores ao ensino presencial, mesmo antes da pandemia, revelaria um aumento no interesse dos estudantes pelo ensino remoto. 

Só em 2020 houve um crescimento de 30% nas novas matrículas de alunos no EaD, o que demonstraria esse “maior interesse” pela modalidade. 

Nas palavras de Galino, esse crescimento “gera pra gente uma percepção de que sim, aquele antigo preconceito de que se o EaD podia ou não entregar um ensino de qualidade, está sendo gradativamente vencido”. Mas Galino não dá nenhuma prova dessa suposta equivalência na qualidade de ensino entre as duas modalidades.

“Caráter social”

Para o CEO da Cogna, o “caráter social [do EaD] não pode ser esquecido”, pois com o ensino digital, é possível baratear os custos da formação e cobrar mensalidades mais baratas.

Dessa forma, o ensino superior fica disponível para mais gente acessar. No ensino superior, o EaD tem crescido a taxas superiores ao ensino presencial há anos, o que significa, para Galino, que “na graduação [o EaD] é uma tendência que veio para ficar”.

A compra da Unopar

Em 2011, a Universidade Norte do Paraná (Unopar) foi comprada pela Cogna. Na época, a universidade era dona da maior rede de ensino a distância do país na época.

No começo do século XXI, a Unopar havia descoberto a mina de ouro chamada ensino a distância. Entre 2003 e 2011, a rede passou de um quadro de 1 800 alunos para 145 600.

A rentabilidade da empresa, medida pela geração de caixa, era uma das maiores do ramo: 28%. Isso tudo era devido aos baixos custos com infraestrutura, força de trabalho etc. Na época, um único professor chegava a lecionar para 7 mil alunos ao mesmo tempo em até 399 cidades, via satélite.

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