Nota da ExNEPe: Erguer alto a bandeira da independência e da combatividade para derrotar os cortes de verbas e a privatização do ensino público!

Erguer alto a bandeira da independência e da combatividade para derrotar os cortes de verbas e a privatização do ensino público!

As manifestações dos últimos dias 29 de maio e 19 de junho trouxeram um novo impulso para a luta em defesa do ensino público e gratuito. Em ambas as datas, de norte a sul do país, estudantes, professores, trabalhadores de ensino, intelectuais progressistas e todo aquele comprometido com a defesa do ensino público e gratuito tomaram as ruas demonstrando seu repúdio ao corte de verbas e ao plano privatista do governo Bolsonaro. A Pedagogia de todo o Brasil esteve na linha de frente das grandes manifestações do dia 29 de maio e 19 de junho, erguendo alto a bandeira do classismo, da combatividade e da independência, atendendo à convocação da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia, demonstrando mais uma vez que a ExNEPe encabeça a luta dos estudantes universitários, em especial da Pedagogia, na resistência contra os ataques privatistas do Banco Mundial e do governo militar ao ensino superior público e gratuito.

Por um lado, as grandes manifestações demonstraram a enorme disposição dos estudantes, professores, trabalhadores em geral, de se colocarem no campo da resistência aos ataques privatistas do MEC/Banco Mundial. As bandeiras levantadas em repúdio ao genocídio do governo federal, pela vacinação da população, por auxílio emergencial digno, emprego e melhores condições de vida, que se somaram à bandeira de rechaço aos cortes de verbas na educação e em defesa do ensino público e gratuito, são expressão de que a maioria da população já não aguenta mais a situação de calamidade em que tem vivido e que, mesmo em meio a pandemia, tem se organizado para lutar por seus direitos mais elementares.

Por outro lado, os atos vitoriosos mostraram, uma vez mais, a falência completa de entidades corporativistas como UNE, Ubes, CUT, entre outras. Estas, que desde o início da pandemia tem agido como camisa de força, limitando a mobilização ao ambiente virtual e adotando a palavra de ordem do “fique em casa” – mesma propagada pela Rede Globo e outros humanistas de ocasião como João Dória, Eduardo Paes, Alexandre Kalil, Ronaldo Caiado e etc – foram arrastadas pelos setores mais mobilizados da população e dessa forma, viram-se obrigadas a irem às ruas. Todavia, engana-se quem acha que essa decisão partiu de uma autocrítica em relação à defesa da consigna imobilista de “fique em casa” e que as entidades citadas compreenderam a necessidade de lançarem-se para a luta presencial e consequente. Muito pelo contrário, sua participação nas manifestações escancara seu oportunismo, uma vez que tem tentado traficar com a justa luta do povo, buscando usá-la cinicamente para os anseios eleitoreiros dos partidecos que as dirigem.

O que se viu em ambas manifestações por parte dessas entidades imobilistas foi a canalhice de sempre: tentativa de sabotar as mobilizações, acusação dos setores mais combativos de baderneiros e arruaceiros, esvaziamento das pautas em defesa do ensino público e gratuito e até mesmo a distribuição de flores para a polícia que reprimiu violentamente as manifestações em Recife. A palavra de ordem do “fique em casa” foi substituída pelo – tão vazio quanto – “Fora Bolsonaro”. Não bastasse a tentativa de transformar as grandes manifestações em carnavais eleitoreiros, foram além: assinaram um “superpedido” de impeachment de Bolsonaro ao lado de MBL, PSDB, DEM, PSL, etc. Mais do que isso, junto a estes citados, buscaram transformar a manifestação do dia 03 de Julho numa grande festa para o impedimento de Bolsonaro, enquanto digladiam-se para ver quem assumirá o posto deixado vazio, para seguirem aplicando as mesmas medidas privatistas e antipovo.

Não restam dúvidas de que o governo Bolsonaro é genocida e corrupto. Este deve sim ser posto abaixo. Entretanto, é preciso abandonar as ilusões de que o impeachment de Bolsonaro e a consequente substituição do fascista por Mourão ou por um dos vários bandidos encastelados na velha política brasileira irá solucionar os problemas do povo. Somente a mobilização popular pelos trilhos do caminho independente e combativo será capaz de impor derrotas aos projetos privatistas para o ensino público e gratuito e defender nossos direitos. O povo não quer desperdiçar sua energia de luta acumulada há tanto tempo em mais um teatro eleitoral que já vem sendo preparado.

A santa aliança destes setores põe a nu que todos eles estão sedentos pelas eleições de 2022. O genocídio que já ceifou a vida de mais de 520 mil brasileiros passa a um mero detalhe para estes canalhas. Centram todo seu discurso na corrupção do governo de Bolsonaro, como se todos eles mesmos não estivessem também envolvidos até o pescoço em grandes esquemas de corrupção. Mobilizam-se somente para atingir seus interesses egoístas e mesquinhos, enquanto dão a mínima ao aprofundamento da fome e da miséria de milhões de famílias.

Não há uma linha sequer no texto do famigerado “superpedido” de impeachment que demonstre o repúdio ao Projeto de Lei (PL) 490. E não poderia ser diferente, uma vez que este projeto que é parte do plano de genocídio contra os povos indígenas, é de autoria do deputado federal Arthur Maia do DEM, um dos partidos signatários do “superpedido”. A UNE jura que é ao lado destes genocidas que os estudantes devem depositar suas esperanças. Mais uma “supervergonha” desta entidade falida.

Não abrem a boca para falar da crescente criminalização da luta pela Terra muito menos das raivosas e mentirosas acusações de Bolsonaro contra a luta dos camponeses pobres de Rondônia. Uma vírgula sequer foi escrita em suas chamadas para a manifestação a respeito da prisão dos 4 camponeses, presos políticos do acampamento Manoel Ribeiro. Cabe destacar que as ameaças e intimidações aos camponeses em luta são parte da crescente criminalização da luta popular em geral e os estudantes democráticos também estão na mira deste governo militar.

Lembremos que os setores mais combativos do Movimento Estudantil foram intensamente perseguidos durante o regime militar fascista, fruto do golpe de 1964. Os generais tentaram a todo custo, com prisões e torturas, aniquilar a mobilização dos estudantes. Coisa que para o pelegão Boulos não há problema algum, até mesmo porque este defende que com o impeachment de Bolsonaro, Mourão deve dar continuidade ao governo militar. É com os generais responsáveis pelos mais horrendos crimes contra os lutadores do povo que o oportunismo se junta para combater a corrupção. É ao lado dos nossos maiores carrascos que a UNE jura que irá defender as Universidades Brasileiras. Quem quiser que acredite.

O corte de verbas na educação, anunciado em maio, que atinge a cifra de 1 bilhão de reais coloca o funcionamento de inúmeras universidades públicas em risco. Dezenas delas já anunciaram que não terão verba adequada para o pagamento de despesas, correndo o risco de fecharem suas portas a partir de julho, como por exemplo, a UFRJ, UnB, UFSC, UFF, UFBA, UFG, UFPA, UNIFESP, dentre outras. O futuro das universidades está em jogo e somente a luta independente será capaz de derrotar os intentos privatistas.

Portanto, a pressão em torno do impeachment não passa de cortina de fumaça para tentar esconder a privatização do ensino público no Brasil, a criminalização da luta pela terra, a falta de leitos e oxigênio, a lentidão na vacinação, as chacinas nas favelas, o genocídio levado a cabo contra a população brasileira, dentre outros crimes praticado por este governo.  Os que o assinam, pintam-se de radicais aos bradarem contra Bolsonaro, porém corroboram com sua política e preparam o terreno para que todas suas medidas privatistas e antipovo continuem, com ou sem Bolsonaro.

Cabem aos estudantes, professores, trabalhadores do ensino, intelectuais progressistas e todos aqueles comprometidos com a luta consequente enfrentar e resistir contra todas as medidas privatistas deste governo contra o ensino público, principalmente a EaD, que é o carro-chefe do atual processo de privatização, se mobilizando para enfrentar a imposição da EaD ligando o conhecimento científico das Universidades às demandas e necessidades mais urgentes da população. Mais do que nunca, é preciso levantar alto a bandeira da independência, do classismo e da combatividade. Só assim seremos capazes de elevar nossa organização e nos preparar para junto às amplas mobilizações populares reforçar as fileiras de luta contra os ataques do governo de Bolsonaro e generais, contra o genocídio, exigindo a vacina para o povo já e em defesa do ensino público, gratuito, democrático, com autonomia universitária e a serviço do povo.

PEDAGOGIA É PRA LUTAR, O IMOBILISMO NÃO VAI NOS SEGURAR!

DERROTAR O IMOBILISMO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL: ERGUER ALTO A BANDEIRA DA INDEPENDÊNCIA, CLASSISMO E COMBATIVIDADE!

ABAIXO AOS CORTES DE VERBAS NA EDUCAÇÃO: DEFENDER O ENSINO PÚBLICO E GRATUITO COM UNHAS E DENTES!

CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO E GRATUITO: COLOCAR AS ESCOLAS E UNIVERSIDADES A SERVIÇO DO POVO!VACINA PARA O POVO JÁ!

Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia

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