Paralisação docente na USP em defesa da universidade

Repercutido de Universidade à Esquerda

Durante esta quinta-feira (24), os docentes da Universidade de São Paulo (USP) paralisarão suas atividades em defesa de melhores condições de trabalho e estudo para toda a comunidade universitária.

A ação foi deliberada na Assembleia Geral da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), no dia 15 deste mês.

São diversos motivos que levaram os docentes da USP a decidirem pela paralisação. O trabalho docente na universidade tem sofrido com a precarização — reflexo do sucateamento que vêm sofrendo as universidades mantidas pelo estado de São Paulo.

De acordo com a Adusp, desde 2015 os salários dos docentes e técnicos administrativos da USP, Unesp e Unicamp vêm sendo corroídos devido ao baixo reajuste, que não acompanha a realidade econômica do país.

Além disso, a não reposição de novos docentes quando em casos de desligamentos voluntários e aposentadorias também impacta significativamente nesse sucateamento.

Com o déficit de professores, a reitoria da USP tende a contornar o problema através da contratação de professores temporários. Sob estes contratos, os professores lecionam diversos blocos inteiros de disciplinas por salários muito inferiores. A exemplo, em abril deste ano, a USP abriu editais para professores temporários lecionarem em um novo curso de medicina — o edital tinha abertura para contratação até mesmo de graduados sem títulos de mestrado ou doutorado, com salários de R$ 975.

A gravidade da situação da USP também se expressa no descaso com o qual a moradia estudantil, o Conjunto Residencial da USP (Crusp), vem sendo tratado pela administração central da universidade.

Denúncias sobre má infraestrutura do Conjunto já circulam há anos na USP. Entretanto, com a pandemia e o ensino remoto, a precariedade da infraestrutura do local: cozinhas e lavanderia desativadas por falta de manutenção; pias quebradas; falta de água prolongada em diversos blocos; e não há internet banda larga disponível no prédio — o que dificulta o acesso às aulas remotas para muitos dos 400 estudantes que permaneceram residindo no CRUSP em meio à pandemia.

A atual reitoria, composta por Vahan Agopyan e Antonio Carlos Hernandes, tem atuado no sentido de gerir a crise que a USP enfrenta, buscando alternativas para manter a universidade mesmo que ela perca seu sentido no caminho.

Confira a divulgação da Adusp e a programação para o dia de hoje:

Conforme deliberado na Assembleia Geral de 15/6, docentes da USP vão parar nesta quinta-feira (24/6), e razões para isso não faltam. São as condições de trabalho e estudo de toda a comunidade universitária que estão em jogo.

Muito ao contrário do que propala a Reitoria, a USP não está bem. O enfrentamento da pandemia de Covid-19 tem sido conduzido de maneira temerária pelos dirigentes universitários, que se deixam orientar pelo fracassado “Plano SP” do governo estadual (com 122 mil mortes no estado até agora). Na USP, 35 funcionários técnico-administrativos e pelo menos seis docentes foram a óbito por Covid-19, sem que o reitor tenha se dignado sequer a lhes fazer uma homenagem protocolar.

O arrocho salarial imposto nos últimos anos pela política de “austeridade fiscal” provocou enorme perda do poder aquisitivo de docentes e de funcionária(o)s técnico-administrativa(o)s. A não reposição de vagas abertas por aposentadorias e desligamentos voluntários (PIDV e outros) e a crescente precarização da carreira docente ameaçam a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

Finalmente aprovadas em 2017, as cotas provocaram uma inédita democratização do acesso à USP. Infelizmente, porém, a Reitoria não oferece condições de permanência estudantil à altura para esses e essas estudantes egressos dos bairros populares. A crise do Conjunto Residencial (Crusp) é o sintoma mais visível dessa política da gestão V. Agopyan-A. Hernandes de “empurrar com a barriga” os problemas da permanência.

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