Vitorioso Seminário de Formação em São Paulo!

No dia 18 de julho foi realizado o Seminário de Formação, debate de preparação para 24° Fórum Nacional de Entidades de Pedagogia (FoNEPe), que será realizado em Guarulhos, São Paulo nos dias 30, 31 de julho e 1 de agosto.

O evento ocorreu no prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unifesp. Os protocolos sanitários de prevenção ao coronavírus foram aplicados rigorosamente, tais como uso obrigatório de máscaras – foram distribuídas máscaras do tipo PFF2 aos participantes -, distanciamento social de um metro e meio, álcool em gel em todos os espaços, todos os participantes tiveram a temperatura corporal auferida e ampla ventilação do ambiente.

A primeira mesa do evento tratou sobre a Situação Política, com um convidado do Comitê de Apoio do Jornal A Nova Democracia. Ele fez uma exposição do processo histórico da luta de classes desde 2011, com as greves do PAC, e os grandes levantes que incendiaram o país em junho e junho de 2013 até os dias atuais, com as manifestações nacionais que tem rompido com o imobilismo e combatido todos os ataques do Estado aos direitos do povo, como o corte de verbas na educação, o desemprego, a fome, o genocídio da covid-19 provocado pelo descaso do governo que já ceifou mais de meio milhão de pessoas.

Também foi abordada a trama política do país. As Forças Armadas, espinha dorsal do Estado, são convocadas para salvaguardar a ordem, realiza o golpe militar através das urnas e buscam cumprir a missão de salvar o Brasil da crise, retirando direitos para poder aumentar a exploração e, assim, o lucro das classes dominantes, como a contrarreforma da previdência, contrarreforma trabalhista e até o corte nas universidades. Ao mesmo, deve recrudescer  a repressão para combater a luta popular, perseguindo, criminalizando e prendendo ativistas e movimentos democráticos. Apesar disso, o aumento da repressão não deve ser motivo para temer, mas ao contrário, deve ser um motivo maior para irmos à luta nos manifestar, pois demonstra que as classes dominantes já não dominam e controlam mais as massas como antes e recorrem a violência mais escancarada por medo do povo.

A segunda mesa do evento abordou o tema da Base Nacional Comum da Formação Docente (BNC da Formação) com o convidado prof. Filipe Gervásio da UFCG e sobre a privatização da educação e o corte de verbas com um representante da ExNEPe.

Gervásio ressaltou que a imposição da BNC da Formação vem para adaptar a formação de professores à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), segundo essa última a ossatura que orienta a BNC-Formação. Ao mesmo tempo que o projeto ataca a autonomia universitária e a autonomia docente, ele esvazia os currículos do conhecimento científico, reduzindo a formação ao pragmatismo e tecnicismo, isto é, citando Saviani, submeter o professor, os alunos e o processo de ensino-aprendizagem às ferramentas. Essa contrarreforma tornou-se necessária para formar docentes para aplicar a BNCC nas escolas, reproduzindo esse conhecimento tecnicista aos filhos dos trabalhadores. É um processo que muitos intelectuais tem denominado de desintelectualização dos professores.

Em sua fala, o representante da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) fez um histórico da fundação das faculdades e universidades no Brasil, comparando com outros países da América Latina, ressaltando o atraso das instituições brasileiras e a necessidade de lutar por um novo tipo de ensino. Desde o surgimento da universidade há uma luta entre o caminho privatista e o caminho democrático. O primeiro seguindo na esteira de programas como o acordo MEC/USAID durante o regime militar fascista, FIES, ProUni, e hoje se manifestam principalmente pela imposição da Educação à Distância, que tem enchido os bolsos dos conglomerados da educação privada, como Cogna Educação e Ser Educacional, além de monopólios estrangeiros de plataformas online como Google, Microsoft e outros. E a privatização é escancarada, pois há pouco o governo anunciou o Reuni Digital, com a criação da Universidade Federal Digital.

Embora seja escancarada a farra dos tubarões da educação, o maior objetivo das classes dominantes com a privatização é o controle político e ideológico da população, com uma formação tecnicista, esvaziando o conhecimento científico dos currículos e cada vez mais doutrinária com disciplinas baseadas no empreendedorismo, para que, dessa forma, os filhos dos trabalhadores não compreendam os fenômenos sociais de maneira profunda e radical e não saibam intervir nessa realidade para transformá-la.

O caminho do movimento estudantil diante disso é a luta presencial. As grandes manifestações nacionais são importantíssimas, mas será a luta diária e cotidiana, através de comitês de solidariedade fundados por estudantes e bairros, que vai organizar o povo para resistir aos ataques aos seus direitos mais fundamentais e que hoje estão ameaçados.

Por fim, foi feita uma atividade cultural. Houveram participantes que apresentaram músicas populares ao violão, voz e carão. Também foi aberto para declamação de poemas, foram ouvidos poesias de Bertolt Brecht e “Os Homens da Terra”, de Vinicius de Morais.

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