Famílias do Rio se preocupam com alfabetização dos filhos

Repercutido do monopólio de imprensa G1

As dificuldades no acesso à internet complica o acesso à educação de estudantes em fase de alfabetização no Rio de Janeiro. O problema atinge, principalmente, alunos que vêm de famílias de baixa renda. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que o número de estudantes sem acesso à educação no período cresceu 15 pontos percentuais durante a pandemia da Covid-19. A exclusão escolar que era de 2,1% dos estudantes entre 4 e 17 anos em 2019 saltou para 17,2% em 2020.

Carlos Eduardo, que vive no Morro do Fallet, em Santa Teresa, Zona Central do Rio, está há mais de um ano longe da Escola Municipal Machado de Assis. Ele passou para a segunda série sem saber ler e nem escrever. O que o menino consegue colocar no papel repetidamente se resume ao próprio nome.

“Ele é muito interessado em aprender. Ele é perguntador demais. ‘Mãe, o que está escrito aqui?’, aí eu leio para ele”, disse Fabiane dos Santos Ferreira, mãe de Carlos Eduardo.

Fabiane vende salgados para ajudar na renda da casa e tenta conciliar o trabalho com a educação do filho.

“O momento que eu sento para enrolar os salgados, para fazer alguma coisa, eu o chamo. Eu, fazendo o meu trabalho, e ensinando a ele. O que ele está tendo de ensinamento é o que eu, sem ser professora, tento ensinar para ele”, disse a mãe.

Famílias como a de Carlos Eduardo, que raramente conseguem acesso à internet, se queixam das aulas on-line pelo aplicativo da Prefeitura do Rio.

“Este aplicativo não funciona, ainda mais a gente, que não tem um celular tão possante. Eles dizem que a internet é gratuita, mas não é. Quando eu cheguei para fazer o aplicativo, a professora perguntou se eu tinha internet. E eu disse que não. ‘Ah, mas você disse que a internet é gratuita’. E ela: ‘Mas não pega não’”, disse Fabiane.

A Secretaria Municipal de Educação do Rio afirmou que prioriza a segurança da comunidade escolar para a retomada das atividades presenciais e que oferece ensino remoto em três modalidades. A pasta afirmou ainda que vai começar um programa de esforço escolar permanente.

“Apenas dois de cada dez estudantes estão tendo algum tipo de aula presencial. Outro estudo que foi feito mostra que são mais de cinco milhões de crianças e adolescentes que estão desvinculados da escola. Isso nos leva duas décadas para trás, com impacto que isso significa um aumento da exclusão e isso afeta, sobretudo, as crianças e adolescentes mais vulneráveis”, afirmou Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

A representante do Unicef é favorável ao retorno das atividades presenciais com segurança para garantir direitos às crianças e adolescentes.

“Em qualquer emergência, a recomendação é que a escola seja a última a fechar e a primeira a reabrir. Ela precisa estar à disposição de crianças e adolescentes como uma referência”, afirmou Bauer.

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