Pelo cancelamento do ENEM e realização de novas provas após a volta às aulas presenciais e reposição das aulas perdidas!

Um grande fracasso! É assim que podemos definir a realização do último ENEM no mês de janeiro. E a maior prova desse fracasso foi o acachapante boicote feito pelos estudantes em todos os dias de prova. Se o ENEM serve como forma de acesso a milhões de jovens ao ensino superior, sua realização nessas condições, na verdade, serviu a ampliar enormemente a exclusão (que sempre existiu) dos jovens do nosso povo, principalmente os mais pobres de escolas públicas, ao ensino superior público e gratuito.

         O boicote atingiu 51,5% dos estudantes inscritos no primeiro dia e 55,3% no segundo, sendo este um recorde em toda a sua história. Para não falar das provas onlines, em que o boicote chegou a 68,1% dos 93 mil candidatos inscritos, além de vários problemas técnicos que prejudicaram muitos dos que compareceram às provas. Tais números representam nada menos que a exclusão de mais da metade dos inscritos no processo do ENEM, antes mesmo do lançamento das notas e da abertura do Sisu.

        A primeira razão desta exclusão, é que muitos estudantes decidiram não se arriscar ao contágio do vírus em meio a uma segunda onda da pandemia. Choveram relatos de problemas decorrentes da falta de condições sanitárias para a realização das provas. Houve até vestibulandos que foram expulsos do exame devido à superlotação das salas, planejadas pelo MEC para terem 80% de ocupação, o que não garantiria o distanciamento social. Chegou-se ao absurdo de não haver sequer a orientação do MEC para a medição de temperatura dos estudantes nos locais de prova, um dos mais simples indicadores da possível presença da doença. Numa desculpa esfarrapada, o MEC declarou que contava com um alto número de abstenções para “garantir as medidas sanitárias”. Isso é completamente falso, pois o MEC não assegurou nenhuma medida sanitária. Além disso, demonstra uma vez mais a desfaçatez desse governo que, no lugar de proteger a saúde dos jovens, afirma oficialmente que contava de antemão com a exclusão destes para a própria realização do exame.

     A segunda razão, é que a maior parte dos estudantes, isto é, os de famílias pobres e da escola pública, durante o ano de 2020 não tiveram a menor condição de se preparem para as provas. Para 2021, não será difícil adivinhar quem ocupará as vagas das principais universidades públicas, que mesmo duramente atacadas e sucateadas seguem como as melhores do país. A causa disso está na imposição da retomada do ano letivo através da EAD, junto à vergonhosa aprovação automática dos estudantes sob esse formato, o que, na prática, significou a perda de uma ano de conteúdo escolar.

          A EAD representa a negação do direito de estudar e aprender. Enquanto uma ínfima parte dos estudantes de famílias ricas possuem toda uma estrutura para estudar em casa e até professores particulares, os jovens de famílias pobres tem que se contentar com “aulas” via whatsApp, rádio, TV, textos impressos, tudo com funcionamento precário e totalmente insuficiente. Grande parte não têm acesso à internet, nem computador em casa, a maioria utiliza apenas o celular e mesmo os que possuem tais equipamentos não estão conseguindo acompanhar e aprender de fato. A verdade é que a Educação à Distância imposta pelo governo de generais/Bolsonaro impediu que a imensa maioria dos estudantes, os mais pobres, pudessem estudar e aprender. A aprovação automática apenas legitima esse absurdo. A realização do ENEM tal como vimos serve de um carimbo a mais nesse processo. Além de perderem o último ano do ensino médio, ainda serão excluídos do acesso ao ensino superior público. Os estudantes dos ensinos fundamental e médio estão sendo impedidos de aprender e os professores impedidos de ensinar.

        Dessa forma, esse ENEM também mostrou as consequências nefastas da imposição da EaD, ampliando enormemente a desigualdade no ensino. E a imposição definitiva da EaD é parte das políticas educacionais defendidas pelo governo, Banco Mundial e grandes monopólios de ensino e tecnologia.

          Diante desse caos devemos nos perguntar, quem são os culpados e a quem serviu a realização do ENEM nessas datas e nessas condições? Os responsáveis por esse absurdo é o governo de generais/Bolsonaro que prefere atender aos interesses dos grandes conglomerados de ensino privado. Estes, lucram milhões por ano com a venda de cursos aligeirados, tecnicistas; e necessitam da realização da prova do ENEM para a entrada de novas matrículas e clientes. Por isso exigiram que a realização do ENEM fosse a mais rápida possível.

           Vale lembrar que a maior parte dos jovens que realizam a prova do ENEM vão parar nas faculdades privadas e não nas universidades públicas. Isso comprova o crescente processo de privatização do ensino superior aprofundado nas últimas décadas, dos quais programas e projetos como implantação da EaD, FIES e Prouni tiveram papel destacado. Tais programas foram, inclusive, responsáveis pelo fortalecimento dos tubarões do ensino privado, que hoje são os mesmos que atentam contra os estudantes pressionando pela realização do ENEM mesmo durante o pico da pandemia.

          Mais da metade dos jovens inscritos no ENEM foram excluídos e prejudicados pela forma como o governo de generais/Bolsonaro conduziu as provas. Devemos nos perguntar, que validade tem um ENEM com esses resultados e feito dessa forma? Nenhuma! Esse ENEM não tem validade nem legitimidade e não deve ser reconhecido pelos estudantes, professores, pais e trabalhadores do ensino comprometidos com o ensino público e gratuito.

      Defendemos de forma irrestrita o direito de ensinar, estudar e aprender e o direito ao acesso aos filhos do povo aos conhecimentos teóricos e científicos produzidos pela humanidade. Sua exclusão desse processo de forma deliberada pela forma como foi realizada o ENEM, além do próprio atentado à vida dos jovens e suas famílias com a exposição ao vírus, é um verdadeiro crime e mostra o caráter reacionário deste velho Estado, devendo ser combatido com unhas e dentes.

        Defendemos assim, O CANCELAMENTO IMEDIATO DO ENEM, que o processo seja refeito, sendo adiado para quando os jovens, principalmente de escolas públicas e mais pobres possam ter tempo para se preparar e repor presencialmente os conteúdos que perderam durante a pandemia! O cancelamento do ENEM representa justiça para os jovens de nosso povo, uma grande derrota à imposição da EaD e aos interesses do governo e dos conglomerados privados de ensino!

Pelo cancelamento imediato do ENEM e a realização de novo exame!

Pelo Direito de Ensinar, Estudar e Aprender!

Abaixo a imposição da EaD nas Escolas e Universidades!

Reabertura Imediata das escolas e universidades!

BAIXE AQUI O PANFLETO

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