Contundente Manifestação pela Condenação do Assassino da Companheira Remís Carla

No último dia 09 de novembro, mais de uma centena de manifestantes prestaram contundente Homenagem à Companheira Remís Carla, combativa ativista estudantil que foi cruelmente assassinada em 2019. A manifestação ocorreu no dia do julgamento do canalha e réu confesso Paulo César Oliveira da Silva, em frente ao fórum Thomas de Aquino Cyrilo, em Recife. Participaram do ato dezenas de jovens ativistas do MFP, do MEPR, do coletivo MV, representantes da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia, membros da recém inaugurada Escola Popular Pedagoga Remís Carla e muitos camponeses da LCP para os quais a companheira havia dado aulas e participado de suas lutas.

Delegações vindas do interior de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Paraíba viajaram centenas de quilômetros após dias de mobilização. Jovens camponeses fizeram questão de tomar parte no protesto, seguindo o exemplo de luta de seus pais e avós. Ao longo do percurso, vieram já entoando canções revolucionárias, puxando palavras de ordem, e os mais velhos contavam histórias sobre a companheira Remís nas lutas. Estudantes de pedagogia de Recife, Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) também marcaram presença para demarcarem em protesto a posição de luta daquela que dá hoje nome ao Centro Acadêmico de Pedagogia da UFPE, o C.A Remís Carla. O atual reitor da UFPE, e que na época de seu assassinato era diretor do Centro de Educação, onde estudava a companheira, o professor Alfredo Gomes, se fez presente para prestar solidariedade à familiares e amigos.

Ao chegarem no Fórum, logo no início da manhã, os manifestantes cercaram a viatura onde o assassino era transportado ao som dos gritos “Assassino!” e palavras de ordens como “Companheira Remís carla, presente na luta!” e “Despertar a fúria revolucionária da mulher!”. Com isso, o assassino teve ainda que ficar por muito tempo esperando dentro do camburão, sentido o calor da fúria combativa de companheiros e companheiras de Remís.

Todos permaneceram no local das 9h até às 19h da noite, agitando sem parar suas bandeiras vermelhas, faixas e cartazes, e com o megafone denunciaram a todo o momento o descaso e os crimes odiosos do velho Estado contra o povo pobre, especialmente às mulheres do povo, duplamente oprimidas nesta podre sociedade de exploração. Um camponês apoiador pegou o megafone durante o ato e começou a cantar muitas toadas sobre a luta pela terra e em homenagem a Companheira Remís, transformando em arte a emoção e o sentimento de todos os presentes.

A manifestação gerou grande repercussão e comoção na cidade, recebendo o apoio de diversos trabalhadores que passavam pelo local. Dentro do Fórum, no entanto, a juíza do velho Estado chegou a ameaçar dizendo que suspenderia o julgamento caso houvesse “agitação” ou “comemoração”, enviando um policial para coagir a mãe de Remís! Ora, familiares, amigos e companheiros perderam uma companheira valorosa de modo absolutamente covarde e cruel e no dia do julgamento de seu assassino, deixariam de protestar? Claro que não!

Réu confesso e isolado, sem ninguém da sua família acompanhando o julgamento, o assassino permaneceu de cabeça baixa durante o júri e não deu uma palavra sequer durante os depoimentos. A mãe da companheira Remís falou e se emocionou perante o público, mas ele permaneceu impassível, não demonstrou qualquer arrependimento, como cinicamente havia mencionado em seu depoimento à polícia. O conjunto de jurados o considerou culpado de todos os crimes e agravantes, tendo sido condenado por assassinato triplamente qualificado (motivo torpe, sem chance de defesa da vítima e feminicídio) e ocultação de cadáver. No entanto, a pena definida pela juíza Fernanda Moura Carvalho foi de apenas 18 anos e 3 meses de cadeia, ou seja, a juíza do velho Estado definiu pena mínima para este assassino!

Com certeza, para o velho Estado este é o valor da vida de uma mulher do povo, de uma estudante rebelde como a Companheira Remís. Assassinos como Paulo César são produzidos todos os dias por essa sociedade. São produtos do regime de opressão e exploração que tem como base a propriedade privada, sobre a qual se sustenta uma verdadeira montanha de opressão sobre as mulheres do povo. Crimes como este seguirão acontecendo enquanto sobreviver o já apodrecido capitalismo burocrático, que alimenta e sustenta tal barbaridade. O mínimo que se deve fazer frente a esse problema é punir rigorosamente os agressores sem dar margem para qualquer hesitação. Nós nunca esperamos justiça da parte deste velho Estado e de seu podre sistema judiciário! Assim, com punhos erguidos e entoando canções revolucionárias, os manifestantes do ato expressaram, tal como acreditava e defendia a companheira Remís, que a única e verdadeira esperança de mudança e justiça para o povo em nosso país está na Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo. As palavras de ordem entoadas pelos companheiros e companheiras de luta de Remís, ressoaram até dentro do Fórum e deixaram clara a mensagem de que homens e mulheres do povo seguirão lutando contra todos os que se colocam covardemente contra as massas e sua luta, até a completa e radical transformação desta velha ordem.

Ao encerrar o julgamento, companheiras e amigos de Remís entoaram novamente, desta vez dentro do Fórum, e de frente ao assassino e a juíza anti-povo, que tiveram que engolir as palavras de ordem: “Companheira Remís Carla, presente na luta!” e “Despertar a fúria revolucionária da mulher!”, erguendo cartazes com a foto de nossa companheira e reafirmando que a verdadeira justiça para esse caso, como para tantos outros, só virá com a destruição dessa velha ordem, base sobre a qual se sustenta a opressão milenar sobre as mulheres e as classes populares. Continuaremos erguendo a mesma bandeira que Remís Carla ergueu, honrando sua memória e sua luta!

Companheira Remís Carla, presente na luta!

Despertar a fúria revolucionaria da mulher!

SOBRE A COMPANHEIRA REMÍS CARLA

Remís foi  militante do Movimento Feminino Popular – MFP e do Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR, uma estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) profundamente interessada pela docência. Adorava as crianças, a arte e cultura popular e era conhecida pelo sorriso doce e a sua firmeza para a luta. Teve atuação destacada nas gloriosas Jornadas de Lutas de Junho/Julho de 2013, se forjando com a juventude combatente na linha de frente das manifestações no Recife, enfrentando a repressão deste velho Estado e erguendo bem alto a bandeira da luta combativa.

Em 2014, esteve na linha de frente da campanha de boicote à farsa eleitoral. Remís era uma militante de poucas palavras, mas de muita disposição e capacidade de ação. Quem a conheceu apenas nos corredores da Universidade, talvez não imaginasse que aquela jovem foi quem comandou uma das maiores campanhas de pichação de nosso Movimento, espalhando a consigna: Não votar! Viva a revolução! MEPR, por toda a Região Metropolitana do Recife.

Em 2016, a militância de Remís se concentra principalmente fora da Universidade, particularmente no apoio à luta camponesa e em defesa da moradia, participando do início da luta dos posseiros da chamada “Zona 6” da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), atuando como dirigente da Associação de Moradores. Na luta pela terra no campo, Remís apoiou diretamente a construção das Escolas Populares nas áreas da LCP (Liga dos Camponeses Pobres) e também atuou diretamente na resistência camponesa às reintegrações de posse, como se deu em 2016, quando passou mais de quinze dias junto aos camponeses da Área Revolucionária Renato Nathan, em Messias – Alagoas.

“DENTRO DO MEU PEITO VIVA,

E VIVA ESTARÁS PARA SEMPRE

DENTRO DO MEU PEITO E DE TANTA GENTE

CANTA EM NÓS A TUA VOZ COMBATIVA”

Trecho de música da banda palafitas “Remís Vive!”

Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR

Movimento Feminino Popular – MFP

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