[PR] Aula Presencial de Psicologia é organizada por CA e Frente Estudantil

No dia 5 de fevereiro, o CAP-UFPR (Centro Acadêmico de Psicologia) realizou sua segunda aula pública, com apoio da Frente Estudantil Contra a EaD. Essa atividade tem o intuito de fomentar o ensino crítico, perspectiva que foi especialmente afetada na educação à distância, ao ministrar aulas cujos temas encontrem-se no núcleo de disputas no campo da Psicologia. O ERE (forma que a reitoria da UFPR apelida seu programa de EaD) teve vários efeitos devastadores no ensino, como a compartimentalização dos conteúdos e a falta de reflexão e debate ativo nas aulas. A Frente iniciou uma campanha por aulas públicas presenciais em vários cursos com o intuito de denunciar e suprir essa lacuna pedagógica, que se aprofunda a cada passo dado pelos privatistas da educação e seus asseclas coniventes na Reitoria.

A segunda aula pública no curso de Psicologia teve como tema o paradigma cartesiano, o debate formado a partir das diferentes formas de se entender a relação entre a mente e os sentidos. Tal conteúdo não é ministrado com detalhes em nenhuma disciplina do curso, mesmo que o embasamento das principais teorias psicológicas curriculares dependa da resolução que cada uma dá à questão. Além disso, é um tema muito importante para entender como se dá a produção de conhecimento ao longo da história e como instituições como a universidade devem comprometer-se a trilhar caminhos para o progresso científico, e não submeter-se àqueles que gostariam de tornar a educação um produto; o conhecimento, palavras estéreis; e as instituições de ensino, estabelecimentos elitistas e tecnicistas com o intuito de gerar novas patentes para lobistas.

A aula pública no curso de Psicologia contou com 59 inscritos, mais alunos que apareceram no dia. Infelizmente, pelas dificuldades em encontrar um horário que todos os alunos pudessem participar (resultadas da desorganização que a Reitoria instalou entre os estudantes ao suspender as aulas presenciais em cima da hora) e pela chuva torrencial, apenas 26 deles, divididos em duas turmas, puderam comparecer. Ainda assim, a aula presencial mantém sua importância pedagógica e seu nível qualitativamente superior ao ERE, que mesmo sendo obrigatório muitas vezes não consegue reunir essa quantidade de estudantes em frente ao computador para fingir que aprendem.

O CAP aderiu ao programa de aulas públicas em definitivo, visto a excelente receptividade que elas tiveram entre os alunos que ingressaram durante o periodo EaD, suscitando muitos elogios e relatos sobre a qualidade do conteúdo. As aulas públicas são mais uma vitória da Frente em sua campanha pelo ensino presencial, gratuito e que sirva ao povo. Denunciando as medidas autoritárias da Reitoria da UFPR, que postergou a volta das aulas presenciais mesmo após a enorme maioria dos estudantes ter votado a favor dela, a Frente segue demonstrando como a educação presencial é necessária ao ensino crítico. Além disso, é condição para a organização estudantil e a luta por seus direitos, como os Restaurantes Universitários, que só abriram após vitoriosa ocupação do RU, e incluíram em sua logística demandas estudantis antigas, como a opção de retirar a refeição em marmitas.

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