Com aval do MEC interventores criam Associação de reitores paralela

Com informações de saibamais.jor.br e jornalggn.com.br

No último dia 3, cinco reitores interventores criaram a Associação dos Reitores das Universidades do Brasil (Afebras). A criação da associação se deu após reunião com o ministro Milton Ribeiro, no gabinete do Ministério da Educação – sob abraços entusiasmados e sorrisos – deixando clara a colaboração do MEC com as intervenções nas reitorias de institutos federais, uma vez que os cinco reitores que criaram a associação foram nomeados reitores por Bolsonaro sem que tivessem tido a maioria dos votos na consulta à comunidade acadêmica.

José Candido Lustosa Bittencourt, interventor da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi escolhido presidente da entidade, que terá como secretaria-executiva a interventora Ludimila Serafim, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Além destes, compõe a entidade os reitores interventores Herdjania Veras Lima, da Universidade Federal da Amazonas (UFRA); Paulo César Fagundes Neves, da Universidade Federal do Vale São Francisco (UNIVASF) e, Janir Alves Soares, da Universidade Federal dos Vales de Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

A nomeação de reitores-interventores nos IFES, que já passa de mais de 20 casos desde 2018 (ver lista ao final da matéria), aponta para o grave ataque à já débil autonomia universitária e é parte do plano privatista do MEC/ Banco Mundial para as universidades e instituições federais brasileiras. A criação da Associação, com aval do MEC, mostra que o caminho intervencionista de Bolsonaro e generais para as IFES têm ganhado contornos cada vez maiores e mais organizados. A tentativa de aniquilar com o pouco que há de democracia e autonomia nas universidades tem como objetivo preparar o terreno para a privatização das universidades públicas brasileiras. Não é mera coincidência que a autonomia das universidades era um dos principais alvos dos regimes militares fascistas da América Latina e também da Itália sob Mussolini.

Intervenções escancaram a falta de autonomia e democracia nas universidades

A nomeação de reitores escolhidos a dedo por Bolsonaro é exemplo cristalino da ausência de autonomia e democracia no interior das universidades e institutos federais em nosso país. A famigerada Lista Tríplice, lei 9.192/1995, sancionada durante a gerência FHC, garante ao Presidente da República o poder de decisão a respeito da escolha dos reitores nas IFES. Dessa forma, a consulta à comunidade acadêmica não passa de mero enfeite para o processo de escolha do reitor, que, em última instância, será escolhido pelo Presidente do país. Cabe destacar, que esse processo perdurou durante os 13 anos do governo oportunista do PT, que cacareja aos quatro cantos suas políticas de “democratização do acesso à universidade” – leia-se aprofundamento da privatização – porém não moveu uma agulha sequer para a mudança da lei que institui a Lista Tríplice, muito pelo contrário, utilizou-se dela a seu bel prazer como forma de elevar seu domínio e coorporativização de parte do professorado e do velho movimento estudantil.

Fechamento das universidades fortalece os ataques à autonomia e democracia universitárias

A coorporativização de setores da universidade citada acima mostra já seu sinal de falência. É esta burocracia acadêmica – que compreende a universidade como seus feudos e igrejinha – quem tem se acovardado perante os mandos do MEC e feito de tudo para manter as universidades fechadas. Não bastasse a imposição da fracassada EaD após a suspensão das aulas presenciais em decorrência da pandemia do corona vírus e o trancamento das universidades à sete chaves, a burocracia universitária, de maneira criminosa, tem se negado a reabrir as portas das universidades e planejar a volta às aulas presenciais mesmo com a quase totalidade de funcionários e estudantes já imunizados com as duas doses da vacina contra a covid-19. A cada dia que passa fazem cair suas máscaras de humanistas preocupados com a vida de professores e estudantes e é revelada sua verdadeira face: obscurantista e anti-ciência, tanto quanto o bolsonarismo anti-vacina.

A manutenção das universidades fechadas, assim como o adiamento da volta às aulas presenciais é hoje o caminho privatista para a universidade pública brasileira. Aqueles que seguem defendendo-a estão tomando posição ao lado do MEC de Bolsonaro e dando o aval para que sigam aplicando o plano privatista. A desmobilização do movimento estudantil e outros setores da universidade em decorrência da implementação da EaD e ensino híbrido e a manutenção de seus portões fechados facilitam os intentos privatistas, uma vez que com os portões abertos e as aulas presenciais os estudantes e demais setores, como professores e funcionários, tem maiores possibilidades de se mobilizarem e organizarem.

Só a luta classista e combativa conquistará a verdadeira autonomia e democracia universitárias

Como já afirmamos em nosso Boletim N 007 de Julho de 2019: o caminho para a conquista da autonomia e democracia universitárias é o co-governo estudantil. Somente os estudantes elevando sua organização sob a bandeira da independência, do classismo e da combatividade é que poderemos dar passos adiante na conquista do direito de governar a universidade. Assim como na histórica ocupação do bandejão da UERJ e na mais recente combativa ocupação do bandejão da UFPR, onde os estudantes mostraram serem capazes de tomar os rumos da universidade em suas mãos, o movimento estudantil classista e combativo tem hoje a grandiosa tarefa de quebrar os cadeados das universidades, de escancarar suas portas, colocar seus espaços a serviço do povo e exigir a volta às aulas presenciais.

A única forma de barrar a crescente organização e articulação do intervencionismo autoritário do MEC de Bolsonaro e generais nas universidades públicas brasileiras, é respondendo com a crescente e cada vez mais contundente organização estudantil de forma combativa e classista. Com a bandeira dos revoltosos de córdoba erguida bem alto abriremos as universidades, nem que seja na marra, derrubaremos seus muros, expulsaremos os interventores e burocratas e a transformaremos numa verdadeira trincheira da luta de classes e numa fortaleza em defesa da ciência a serviço do povo e do progresso da nação.

ABAIXO A INTERVENÇÃO DO MEC/BOLSONARO NAS IFES!

DEFENDER A AUTONOMIA E DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIAS COM UNHAS E DENTES!

REABERTURA IMEDIATA DAS UNIVERSIDADES

: VOLTA ÀS AULAS PRESENCIAIS JÁ!

Instituições que ainda estão sob intervenção são:

1) Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

2) Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

3) Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

4) Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

5) Universidade Federal do Ceará (UFC)

6) Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

7) Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB)

8) Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA)

9) Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)

10) Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)

11) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

12) Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)

13) Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

14) Universidade Federal do Piauí (UFPI)

15) Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

16) Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC)

17) Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

18) Universidade Federal da Campina Grande (UFCG)

19) Universidade Federal de Itajubá (Unifei)

20) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)

21) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

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