[RJ] Em novo protesto comunidade escolar exige volta às aulas no Colégio Federal Pedro II

Repercutido de A Nova Democracia

No dia 12 de fevereiro, cerca de 500 estudantes, pais, professores e apoiadores tomaram as ruas do bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro, em uma vigorosa manifestação exigindo o retorno imediato às aulas 100% presenciais no Colégio Pedro II (CPII), e em outras instituições de ensino público federal administradas diretamente pelo Ministério da Educação (MEC). Essas mobilizações tem como objetivo barrar os ataques à educação pública que busca implementar a privatização através da política de “sucatear para privatizar”.

Por volta das 10 horas da manhã, a comunidade escolar se concentrou em frente ao CPII, na unidade de São Cristóvão (onde está localizada a Reitoria), e iniciaram o protesto com confecção de cartazes e palavras de ordem como Volta CPII! e Queremos aula presenciais!.

Após a concentração, os manifestantes realizaram uma passeata pelo bairro, onde pode-se notar um grande apoio dos transeuntes e motoristas que passavam pelo local. As palavras de ordem “Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o Movimento Estudantil”, “Cadê minha aula, Oscar [reitor]? O estudante quer estudar!”, “Oscar Halac, presta atenção! A sua casa vai virar ocupação!” foram entoadas com vigor. 

Durante o ato, os estudantes rechaçaram ainda o governo militar de Bolsonaro e generais, cujo MEC, órgão do governo federal, é diretamente responsável pelas instituições ainda não retornaram às aulas presenciais.

A manifestação teve fim por volta das 13 horas, quando em frente à reitoria, a comunidade estudantil fixou seus cartazes, pronunciou falas e declarou que seguirão em protesto até que as reivindicações sejam atendidas.

“Nosso ato foi muito vitorioso. Nós não temos 100% ainda, mas vamos lutar para ter, nem que a gente tenha que ocupar esse colégio, o Cefet, a Uerj também!”, afirmou uma das estudantes ao final do ato.

PORQUE A COMUNIDADE ESCOLAR RETORNOU ÀS RUAS?

Após a vitoriosa manifestação ocorrida em 07/02, foi definido em reunião do Conselho Superior do Colégio Pedro 2 (Consup) que as aulas retornariam de forma semipresencial, com 50% dos alunos, em alternância semanal. A carga horária diária também seria reduzida com duração de no máximo três horas.

A estudante Ana, em entrevista ao AND, ao ser questionada sobre a motivação do ato, afirmou: 

— A manifestação de hoje é graças à decisão arbitrária do reitor, que aconteceu no dia 07/12, na qual ele proibiu que tivéssemos aula. Depois de muita luta, teve um outro Consup e decidiram que teremos 50% de aula presencial, mas estamos na luta porque queremos 100% presencial. 

A jovem afirmou ainda: 

— O plano contingencial não é cabível no momento porque os funcionários dos campus já estão vacinados, os alunos já estão vacinados e com conscientização, com o uso de máscaras é completamente possível a volta do presencial.

A rede municipal e estadual de ensino público do Rio de Janeiro retornou às aulas no último dia 03/12. Há ao menos dois anos, o ano letivo dos estudantes vêm sendo comprometidos. Os estudantes e responsáveis denunciaram nestas últimas manifestações o fechamento das escolas e a consequente manutenção do Ensino à Distância (EaD). 

MEC, REITORIA E CONSELHO SÃO COBRADOS

Durante o protesto, um cartaz denunciava: “90% dos estudantes e pais e 77% dos professores e servidores exigindo o retorno das aulas, o conselho novamente votou de modo contrário”. Porém, esta não foi a única manifestação de indignação contra as diretrizes traçadas pela direção da instituição.

Patrícia, mãe de uma das estudantes que participou da reunião do conselho ocorrida na última semana, afirmou: 

— Agora eles [estudantes] têm duas horas de aula, metade da turma, enquanto metade não assiste nada, fica fazendo dever de casa. Que proposta é essa? Queremos 100% já, para ontem! Eles tiveram 700 dias para se planejar, eles têm que tomar uma atitude. Ouvir essa comunidade!

Segundo a mãe, a direção do colégio afirmou que ouvirá o MEC. Ela então exigiu: “MEC se pronuncie, manda este reitor voltar!”.

Rodrigo, padrasto de uma das estudantes, disse também que há necessidade de pressionar os conselheiros do Consup a acatar o desejo da maioria da comunidade e afirmou também que é necessário realizar novas eleições para o conselho. Rafael, pai de um dos estudantes, denunciou que os emails dos conselheiros não constam no site do colégio, e garantiu que a comunidade segue se organizando, tendo inclusive por conta própria conseguindo os endereços eletrônicos.

REPRESSÃO E SEUS GRUPELHOS

Um expressivo número de viaturas da Polícia Militar estavam no local antes mesmo da chegada dos estudantes ao protesto. Durante todo evento os policiais filmaram e fotografaram os manifestantes. Dois provocadores tentaram ainda tomar a frente da passeata com uma bandeira do Brasil, porém os estudantes não se deixaram intimidar e retomaram a frente do ato conduzindo qual o percurso deveria ser percorrido pelos manifestantes.

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