Carta-convite ao 41° ENEPe!

Carta-Convite ao 41º ENEPe

A Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) convida as entidades e estudantes de pedagogia, licenciatura, pós-graduação, professores, pesquisadores em educação, ativistas e militantes em defesa do ensino público de todo o Brasil para participarem do seu 41º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe), a ser realizado presencialmente nos dias 20 a 24 de Abril de 2022 na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro.

O ENEPe é um Encontro nacional de caráter político, científico e cultural organizado pela ExNEPe com o intuito de congregar entidades de estudantes de pedagogia e demais interessados de todo o Brasil para debater o atual cenário do ensino em nosso país, bem como a luta para defender o ensino público e gratuito. O 41º ENEPe terá como tema: Em defesa da ciência e das aulas presenciais: pelo fim da EaD, contra o ensino híbrido e o corte de verbas!

Esta edição do Encontro tem significado particularmente importante por ser a primeira, desde 2019, a realizar-se no campus de uma instituição federal de ensino presencialmente. Durante estes mais de dois anos em que as universidades de nosso país permaneceram fechadas, passando por todo tipo de ataques por parte do Estado e sufocadas pela burocracia universitária, a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia foi a única entidade estudantil, a nível nacional, a insistir na necessidade da luta presencial combativa e na reabertura das escolas e universidades como única forma de resistir aos desmandos do governo federal e lutar por uma verdadeira democracia, autonomia e gratuidade em nosso ensino público superior, hoje tão ameaçado pelas constantes ameaças de fechamento e privatização.

A ExNEPe foi a primeira a denunciar que por trás da política de fechamento das escolas e universidades, e consequente imposição da EaD, defendida pelo Estado como única forma de ensino possível durante a pandemia, se escondiam os mesmos planos privatistas de sempre, agora alavancados pela situação pandêmica. A gerência do fascista Bolsonaro nunca escondeu suas intenções de acabar com a universidade pública em nosso país, todos seus ministros foram categóricos ao defender a agenda do Banco Mundial para a Educação brasileira que prevê corte de verbas, redução do quadro de professores, extinção da assistência estudantil e redução drástica nos investimentos de pesquisa e extensão universitárias, tudo isso possibilitado pelo ambiente das “novas tecnologias e paradigmas” da “era digital” onde o que vale é o “aprender a aprender”, o estímulo ao empreendedorismo e outras sandices mais. O objetivo do capitão do mato Bolsonaro é declarado. Quer mais é acabar com toda a ciência que possa representar um entrave a suas ambições fascistas, quer acabar com a verdadeira ciência, aquela que dá resposta aos problemas do povo, que é desenvolvida junto às massas e por meio da prática, e para isso, o inveterado capitão e seus asseclas não poupam esforços. Porque então deveríamos de confiar neles quando dizem que fecham a universidade pública para o nosso bem? Que humanidade súbita deve ter tomado a estes burocratas de coração frio que nunca se importaram com o povo, que nunca viram além de seus gabinetes e contracheques, para estarem dispostos a fechar as maiores instituições de ensino e pesquisa do país, por um suposto bem maior? Bolsonaro, Doria, Ratinho, Witzel, da noite para o dia converteram-se todos em grandes humanistas? Coisa alguma! Uma vez mais estavam apenas prezando por seus interesses políticos e econômicos.

Sob a alcunha de combate à pandemia o Estado fechou de uma vez só todas as universidades públicas do país e passou a implementar sistemáticos cortes de verbas que visavam impossibilitar a continuidade do funcionamento das mesmas. Bilhões foram retirados da pesquisa. CAPES e CNPQ são hoje sombras do que um dia foram, este último com orçamento inferior ao gasto anual de picanha do exército (82 milhões de reais). PIBID e Residência Pedagógica chegaram a ficar quase três meses sem pagar seus bolsistas pois não havia recursos disponíveis. Em meio à pandemia o MEC passou a intervir diretamente na escolha de reitores de maneira muito mais profunda, de modo que hoje temos mais de 20 IFE’s administradas por interventores. Ademais de que muitas universidades e institutos federais já declararam não ter recursos para retornar às aulas presenciais ainda em 2021, isso antes mesmo do governo aplicar seu mais novo corte de 15,3% nas verbas de todas as IFES. A estes intentos privatistas se soma a descomunal cumplicidade da burocracia universitária, em sua maioria dominada por partidos políticos eleitoreiros e oportunistas, cujo silêncio diz muito. Mesmo vendo a rampante evasão fazer sumir milhares de estudantes da universidade, mesmo presenciando seus alunos constantemente denunciarem as precárias condições de ensino e aprendizagem, quando não as próprias condições de vida que levaram milhões de estudantes à miséria nos últimos anos, mesmo vendo a população definhar e morrer aos milhares por conta do genocídio perpetrado por Bolsonaro e seus generais, grande parte do professorado e do movimento estudantil das universidades brasileiras, especialmente de sua parte mais corporativizada, incrustada na administração de departamentos e reitorias, bem como sindicatos pelegos, preferiu fazer coro com o capitão fascista, fechar as universidades públicas, virando as costas para o povo uma vez mais.

Já denunciamos, mas não cansamos de insistir: a Educação à Distância é o principal instrumento para fazer avançar o processo de privatização de nosso ensino superior público! Quem tem a ganhar com a imposição da EaD são apenas os grandes conglomerados de educação privada e as gigantes do setor de tecnologia da informação. Os Tubarões da Educação, como são conhecidos os monopólios da educação no Brasil lucram milhões com a evasão das universidades públicas, uma vez que absorvem essa grande massa de alunos em seus cursos rápidos e aligeirados, ao mesmo tempo que buscam ávidamente se apropriar de recursos do próprio MEC, caso do FIES, os quais disputam com as universidades públicas. Para as classes dominantes, em especial o grupelho fascista de Bolsonaro, tal fechamento corrobora a seu favor na constante disputa pela opinião pública, uma vez que, alienadas as universidades do povo, se torna muito mais fácil impor sua visão obscurantista e deturpada do mundo para as amplas massas, o que ficou patente durante a pandemia, quando vimos um claro influxo nas mobilizações e atos de rua, historicamente protagonizados pela juventude, bem como o alastramento de um sem fim de teorias anticientificas que visavam enganar o povo, causar divisão entre as classes exploradas e causar ainda mais mortes. No ensino público temos que observar que os sucessivos cortes de verbas que temos enfrentado são produto direto desta política do MEC e contam com a conivência da burocracia universitária! Com a universidade pública fechada torna-se quase impossível organizar um movimento de resistência que esteja à altura dos ataques que nos assolam. Restritos pela falta de convivência e organização diárias o movimento estudantil e de professores são presas fáceis para a rapina do MEC. Por tudo isso dizemos: abaixo a EaD! Queremos aulas presenciais imediatamente!

Se já era difícil fazer passar o fechamento das universidades por medida científica e humanista antes, quem dirá agora que praticamente toda a comunidade acadêmica está vacinada e as escolas já voltaram a funcionar sem que isto acarretasse um aumento expressivo no número de casos. As condições sanitárias para um retorno mais que seguro existem! A vacinação e o cumprimento dos protocolos de saúde nos asseguram sim formas de lecionar e aprender presencialmente. As universidades públicas que ainda insistem no contrário estão apenas reafirmando sua política antipovo nessa postura que é se não a mesma de Bolsonaro, pois que nega a eficácia das vacinas em última instância. Hoje cabe lutarmos não mais apenas para que as universidades estejam abertas, como já fizemos anteriormente, tendo inclusive garantido esta conquista na UEM e UFGD, mas para que todas as universidades públicas retomem as aulas presenciais definitivamente. Os problemas e as dificuldades, inerentes a esta retomada, serão, sem dúvidas, infinitamente menores e mais fáceis de resolver do que os problemas geracionais, sistêmicos e quase irreversíveis que uma formação exclusivamente virtual de nossos estudantes virá a ter em nosso país nas décadas a seguir.

A ExNEPe tomou a frente das lutas em defesa da universidade pública durante a pandemia. Ao contrário de grande parte do movimento estudantil, domesticado pelo oportunismo, como UNE, UBES e afins, tomamos a dianteira do embate sério contra o MEC e a burocracia universitária corporativista. Organizamos centenas de eventos, online, mas principalmente presenciais, de forma conjunta com entidades de base e executivas estaduais, discutindo a educação hoje e a necessidade de lutar. Levamos a cabo dezenas de agitações junto ao povo em bairros pobres, terminais de ônibus, escolas, locais de trabalho. Nos unimos aos trabalhadores nos Comitês Sanitários de Defesa Popular, espalhados pelo Brasil, nos quais tivemos parte ativa nas atividades de reforço pedagógico, alimentação da população, organização de eventos políticos, produção de máscaras e EPIs etc. Colamos milhares de cartazes pelo país afora, realizamos importantes manifestações públicas e urdimos os estudantes a tomarem a greve de ocupação como a forma mais consequente de impormos nossa vontade e retomar em nossas mãos a universidade, como foi feito em 2021 na ocupação do Restaurante Universitário da UFPR. A ExNEPe organizou os dois únicos eventos estudantis de caráter nacional presenciais dos anos de 2020 (40º ENEPe em Curitiba) e 2021 (24 FoNEPe em São Paulo), tudo de forma independente e sem que houvesse nenhuma contaminação por covid-19, uma vez que munidos da ciência, aplicamos rígidos protocolos sanitários e preparamo-nos para seguir lutando nessas condições adversas. Estes foram eventos importantíssimos para a mobilização, politização e organização do estudantado da pedagogia nacionalmente, bem como para todo o movimento estudantil. Seus Planos de Lutas tem sido aplicados resolutamente nas cinco regiões do Brasil, gerando grandes resultados para a luta dos estudantes e para o povo todo.

Agora, uma vez mais confrontados com o estado derradeiro de coisas, com o sucateamento e ameaças de fechamento de nossas universidades, quando não da possibilidade de manter-se a EaD indefinidamente em várias delas, convocamos em espírito altivo toda a juventude brasileira, aos estudantes de pedagogia, aos professores e futuros professores de nosso país, a comporem este importante evento que realizaremos no Estado do Rio de Janeiro, um dos mais relevantes palcos da luta popular e de defesa do ensino público e gratuito de toda a nação, onde se organizaram os mais combativos protestos de 2013 e a mais importante ocupação universitária da última década, a do Bandejão da UERJ de 2017. Em 2020 assumimos a posição de lutar sem quartel contra a imposição da EaD, que em 2022 possamos enterrar de vez com essa educação anticientífica e sua influência destruidora! Façamos pulsar na cidade de Niterói a defesa da ciência e da universidade pública! Façamos um grande 41º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia.

Pela reabertura imediata das universidades e retorno das aulas presenciais já!

Abaixo os cortes de verbas no ensino público!

*Reiteramos desde já a necessidade do cumprimento estrito de todas as medidas sanitárias para participação no evento, bem como da apresentação do comprovante vacinal.

A divulgação de demais informações e inscrições serão realizadas através da página oficial do encontro no site da ExNEPe: exnepe.org

Dúvidas e demais informações podem ser consultadas através do e-mail: exnepe@email.com

Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia – ExNEPe

11 de fevereiro de 2022.

BAIXE AQUI A CARTA-CONVITE EM PDF

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