Pré-ENEPe é realizado na UFPE!

Na última sexta-feira (08), estudantes da UFPE realizaram o Pré-Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia no Centro de Educação, na Universidade Federal de Pernambuco. O evento contou com duas mesas, sendo a primeira sobre “O histórico de lutas da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia e a importância do 41º ENEPe”, contando com discussões acerca do tema e passando para a segunda mesa “Em defesa da ciência e das aulas presenciais: pelo fim da EaD, contra o ensino híbrido e o corte de verbas!” que finalizou o evento contundentemente.

O Pré-ENEPe iniciou com a apresentação do Vídeo de Convocação para o 41º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia, seguindo de uma rodada de perguntas e respostas sobre as dúvidas mais frequentes que possuíam os estudantes presentes acerca da realização do encontro.

O evento prosseguiu com uma dedicatória a companheira Remís Carla, estudante de pedagogia que batalhou para colocar as universidades a serviço do povo, participando ativamente da ExNEPe e dos ENEPe’s, ligando-se a luta camponesa na construção de Escolas Populares nas áreas da Liga dos Camponeses Pobres e na luta por moradia se tornando dirigente da Associação de Moradores dos posseiros da Zona 6, próximo a UFRPE.

A partir disso, foi feito o paralelo das lutas que a companheira Remís travou em sua época (como a da inclusão de bebedouros para os estudantes do Centro de Educação) junto com as necessidades atuais que incluem, novamente, a adição de novos bebedouros, já que os antigos estão desativados mesmo após o retorno presencial de algumas turmas, e a aquisição de novos micro-ondas para a Área de Convivência, pois os que estão disponíveis estão quebrados. Uma estudante de pedagogia afirmou já ter denunciado o problema dos micro-ondas para a coordenação do curso, em que os burocratas culparam, audaciosamente, os próprios estudantes, e não o fato do abandono do espaço da universidade durante os últimos 2 anos, e, consequentemente, o não uso dos eletrodomésticos. Foi concluído que, se na época da companheira Remís Carla os bebedouros foram conquistados com luta, atualmente não poderia ser diferente, onde apenas com os estudantes ocupando o espaço da universidade e exigindo seus direitos é que os bebedouros poderão ser novamente ativados, assim como a garantia de novos aparelhos para os estudantes do Centro de Educação, onde nisso se inclui também a volta do funcionamento do R.U desativado há mais de 3 anos.

Na primeira mesa foi discutido o histórico de lutas que a ExNEPe travou nos seus mais de 40 anos de existência, sendo o reflexo do que há de mais avançado nos combates que se gestam dentro do ensino público e do movimento estudantil. Neste momento, a mesa colocou que se o ensino público não consegue suprir as demandas educacionais correspondentes ao nosso tempo, é porque temos um sistema de ensino que não só reproduz as mazelas de nossa sociedade mas que também está a serviço do capital burocrático e empresarial instalado no país. Assim, foi colocado a importância dos Encontros Nacionais de Estudantes de Pedagogia onde é debatido não só o cenário do ensino no país, mas é onde se aponta para o a mobilização dos estudantes e professores democráticos para transformar as universidades em trincheiras de combate da luta de classes, em defesa de um ensino público, gratuito, científico e com autonomia.

Na segunda mesa, se aprofundou o debate em torno dos problemas trazidos pela Educação a Distância, em que foi afirmado a transmissão de “conteúdo” dessa forma de ensino como a negação da educação como prática social, que impõe aos estudantes um ensino mal aprofundado, dissociando a teoria da prática social, e consequentemente tendo em sua base um caráter anticientífico e obscurantista – assim como o falso argumento da “propagação do vírus” para justificar o fechamento das universidades, que na verdade, nega a eficácia das vacinas e os métodos de segurança sanitária comprovados cientificamente.

A mesa enfatizou o papel social das universidades e a importância que seu funcionamento poderia obter no período da pandemia, principalmente para os setores mais empobrecidos do povo, denunciando o setor imobilista do movimento estudantil e da burocracia universitária que foram coniventes através de seu silêncio e falta de ação com o governo militar de Bolsonaro, em que usou do fechamento das universidades para aprofundar os cortes de verbas e atacar cada vez mais a gratuidade do ensino público superior. Foi relembrado o estrago causado pela EaD no âmbito da Educação Básica, intensificando ainda mais o persistente problema da alfabetização das crianças brasileiras.

No momento das intervenções, foi denunciado o esgotamento psicológico agravado pela EaD, fazendo com que os estudantes fossem expulsos de forma acachapante das universidades, ocasionando na intensa evasão estudantil durante a pandemia. Um estudante de pedagogia afirmou que os ataques ao ensino público e a EaD são fomentadores da desigualdade social. No final do vitorioso Pré-ENEPe, a mesa colocou que ser contra a EaD é defender o direito de ensinar e de aprender nas escolas e universidades, é também assimilar que a prática social passa pela luta em sua experimentação científica, além disso, é compreender o caráter científico e social da prática pedagógica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s