[MS] Viva a combativa ocupação na reitoria da UFGD pela manutenção dos cursos da FAIND!

Os cortes de verbas
No último 27/05, o Governo Federal de Bolsonaro e generais, anunciou um bloqueio de verbas para as despesas do MEC no montante de R$ 3,23 bilhões. Um corte de 14,5% da verba atual do órgão. Como consequência, todas as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) sofreram um bloqueio orçamentário proporcional. Na UFGD, o bloqueio criminoso chega à cifra de R$ 7 milhões servindo ao plano de sucatear para privatizar.

A FAIND (Faculdade intercultural indígena) que abrange cursos como a Leduc (Licenciatura em Educação do Campo) e o Teko Arandu (Licenciatura Intercultural Indígena) tem um regime de alternância, no qual os estudantes indígenas e camponeses vão à universidade para etapas presenciais e realizam outras atividades de campo nas suas comunidades de origem. O interventor anunciou que a partir do semestre seguinte não iria mais repassar dinheiro para custear o transporte, alojamento e alimentação dos estudantes da FAIND. Dessa forma, os cursos do Teko e LEDUC, que há anos tem sua existência ameaçada, tendo que lutar constantemente para sua continuação, corre grave risco de fechamento, pois a imensa maioria dos alunos não teriam a sua permanência garantida pela universidade.

A ocupação
Todavia, na manhã do dia nove de junho, os estudantes da FAIND ocuparam a reitoria, na unidade 1 da UFGD. O reitor interventor que estava “de férias na praia” se recusou a falar com os estudantes para atender as justas reinvindicações. Como resposta os estudantes deram um exemplo na aplicação da tática de greve de ocupação e do co-governo estudantil. Foram organizadas comissões para realizar a limpeza e a organização dos espaços, bem como para garantir a segurança e alimentação, máscaras foram distribuídas para todos os presentes.

Em uma carta aberta o movimento aponta suas reivindicações:

– Garantia de recursos para alojamento, transporte e alimentação para a estadia dos
estudantes da Licenciatura Teko Arandu e da Licenciatura em Educação do Campo
para as próximas etapas de aulas na universidade, que ocorrerão a partir de agosto;

– Viabilização de um espaço temporário para alojamento dos estudantes da FAIND e
garantia da construção de um espaço próprio da UFGD (Casa da Alternância) para
alojamento;

– E a implementação dos cursos da FAIND na Matriz OCC (Orçamento, Custeio e Capital), para que haja a segurança do orçamento destinado à faculdade.

Dentro da ocupação foram feitas apresentações oficiais de TCC, com banca avaliadora, houveram aulas públicas ministradas por professores, que inclusive passaram a lista de presença das aulas dentro da ocupação em apoio e solidariedade a luta.

Dentre as aulas um professor convidado apresentou sobre a questão orçamentária e os cortes de verbas, outra mesa debateu a importância da pesquisa para a luta no campo. A defesa da cultura popular também esteve presente na ocupação com canções regionais e também tradicionais indígenas, inclusive com canções compostas pelos próprios estudantes na língua guarani, chamamé e havendo até uma apresentação de quadrilha junina.

Durante toda a ocupação estiveram presentes em solidariedade, estudantes de pedagogia representando a ExNEPe. No dia 10/06 foi realizado um ato na reitoria, com apoio de estudantes, professores e sindicatos com a pauta contra a intervenção e o corte de verbas do governo federal e que se juntou a ocupação que seguia no seu segundo dia. Na ocasião, um representante da ExNEPe fez uma fala colocando que só a luta é capaz de garantir as reinvindicações, combatendo as ilusões institucionais e eleitorais que já se demonstraram fracassadas, foi apontada a necessidade de derrubar a intervenção que há três anos vigora contra a autonomia e democracia universitárias.

De forma combativa, os estudantes resolviam com luta e organização todos os problemas. Como foi o caso do transporte dos estudantes que estavam no alojamento para a ocupação. No segundo dia de ocupação, a reitoria proibiu os ônibus que levavam os estudantes que estavam no alojamento (distante da reitoria ocupada) de levar estes para as atividades da ocupação, direcionando eles até a outra unidade do campus, o que esvaziaria a ocupação.

Sem desanimar, os estudantes que passaram a noite na ocupação, em coordenação com os estudantes que embarcaram no ônibus que supostamente iria para às aulas no outro campus, organizaram uma forma de interceptar o ônibus no meio da rodovia, forçando sua parada num ponto próximo da reitoria. Com faixas e cartazes a ação foi vitoriosa e os estudantes que estavam no alojamento desceram do ônibus e marchando em ato pela cidade, vitoriosamente se juntaram aos demais na ocupação para as atividades do dia.

Voltaremos mais fortes e mais preparados
A interventora, com medo da mobilização dos estudantes tratou de criminalizar a luta, conseguindo rapidamente a reintegração de posse, fomentando a perseguição política, violando o direito a livre manifestação. Ameaçando professores com o risco de processos internos entre outros intentos covardes.

Após três dias de ocupação da reitoria, ao acabar o prazo determinado para a reintegração de posse, os estudantes camponeses e indígenas da FAIND em assembleia decidiram se retirar.

Porém, saíram com moral elevada e deixaram um recado para a intervenção da UFGD “Voltaremos mais fortes e mais preparados!”. Se não houver uma resposta concreta até a próxima etapa, iremos ocupar de novo! A luta continua!

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