NOTA DE REPÚDIO AOS ATAQUES TERRORISTAS DA POLÍCIA DO MATO GROSSO DO SUL CONTRA O POVO GUARANI KAIOWÁ

NOTA DE REPÚDIO AOS ATAQUES TERRORISTAS DA POLÍCIA DO MATO GROSSO DO SUL CONTRA O POVO GUARANI KAIOWÁ

A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia manifesta seu repúdio ao covarde massacre realizado contra o povo Guarani Kaiowá no tekoha retomada Guapoy no município de Amanbai, Mato Grosso do Sul, onde tropas da polícia militar em conjunto com pistoleiros a mando de latifundiários assassinaram Vitor Fernandes de 42 anos e feriram outras 9 pessoas, muitas ainda em estado grave.

No dia 24 de Junho, dezenas de agentes da tropa de choque em conjunto com pistoleiros realizaram uma verdadeira operação de guerra contra as famílias do Tekoha Guapoy Mi Tujury. A ação de reintegração foi realizada de forma ilegal, sem mandato judicial e inclusive com um helicóptero, utilizado como plataforma de tiro contra as famílias da retomada, incluindo crianças e idosos. Choveram imagens da selvageria com que os indígenas foram atacados tendo sido alvejados com balas de borracha e armamento de grosso calibre, resultando no assassinato de Vitor Fernandes, além de outros 9 feridos, muitos deles em estado grave.

A covardia continua com a polícia impedindo que os indígenas feridos pudessem ter atendimento médico, o conseguindo só depois de muito tempo. Além disso, como se não bastasse, enquanto os policiais assassinos permanecem impunes, o Aty Guassu (a grande Assembléia do povo Guarani Kaiowá) denuncia que um juiz estadual pediu a prisão de 8 indígenas sob falsas acusações, sendo que 7 nem ao menos saíram do hospital ainda, se recuperando dos ferimentos causados pelos próprios policiais que os mantém sob vigilância e ameaças constantes.

Tudo isso mostra a farsa da “justiça” e o caráter de classe do Estado e suas instituições, que longe de condenar os ataques dos policiais e latifundiários (repletos de ilegalidades), mostram que estão do mesmo lado. Criminalizam o povo e a sua luta, enquanto mantêm os policiais assassinos impunes e legitimam o terrorismo de Estado.

As terras do tekoha Guapoy Mi Tujury pertencem ao território e povo Guarani Kaiowá sendo parte da reserva indígena de Amambai (a segunda maior do estado com uma população de 7000 pessoas), tendo sido roubada e ocupada por latifundiários. A retomada do tekoha Guapoy foi uma resposta à morte do jovem Guarani Kaiowá Alex Lopes de 18 anos ocorrida em 21 de Maio, que foi assassinado por pistoleiros da fazenda Taquaperi no município de Coronel Sapucaia enquanto ia buscar lenha. Após o episódio, os Guarani Kaiowá também retomaram o território tradicional onde ficava a fazenda, e hoje batizado de Japora,  local onde o crime foi cometido.

Além do massacre realizado no tekoha Guapoy, ainda no dia anterior a polícia realizou um ataque armado ao tekoha Kurupi/São Lucas no município de Naviraí mais uma vez sem mandato de reintegração e de forma totalmente ilegal. Estão mantendo um terrorismo as famílias com ataques constantes, tendo inclusive montado uma base na fazenda vizinha com essa finalidade.

Denunciamos também a tentativa de criminalizar a luta do povo Guarani Kaiowá em defesa do seu território como o demonstra a fala do genocida Antônio Carlos Videira, Secretário de Segurança Pública, e endossada pelos monopólios de imprensa, defendendo a brutal ação e tentando demonizar e criminalizar os indígenas, forjando justificativas para as barbaridades cometidas.

Dessa forma, nós da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia repudiamos mais esse crime bárbaro e prestamos nossa solidariedade com a família de Vitor e todo o povo Guarani Kaiowá. Como estudantes classistas, adotamos a postura de nos colocar ao lado do povo e defender sem reservas todas as suas lutas. Chamamos a todos os estudantes a também denunciarem esse crime com todas as forças e se colocarem ao lado do povo Guarani Kaiowá na sagrada luta por seu território!

Viva a autodemarcação dos povos indígenas!

Viva a luta do povo Guarani Kaiowá!

Liberdade para os indígenas presos!

Lutar não é crime!

Guerreiro Vitor Fernandes: presente na luta!

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