PE: UM ESPECTRO RONDA A UFPE

O dia 27 de junho marcou a volta das aulas 100% presenciais na Universidade Federal de Pernambuco, e desta forma, foi realizada uma Aula Magna na Concha Acústica Paulo Freire. O evento contou com a participação de centenas de estudantes, tendo na mesa representantes da UNE e setores da burocracia universitária.

Um representante da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia em Pernambuco dialogou com os organizadores do evento no interesse de realizar uma fala saudando todos os calouros presentes em um dia tão importante na história da universidade. Contudo, todos eles foram vagos em suas respostas. Após muita insistência e percebendo que a entidade não iria acatar a falta de resposta da direção do evento, foi repassado que seria necessário perguntar ao “magnífico” REItor sobre a possibilidade de fala da nossa entidade nacional (risos!). 

Confrontado, o Czar da UFPE afirmou que “se abrir fala para um, seria obrigado a abrir para todo mundo” ao mesmo tempo permitindo que, na abertura do evento, a ExNEPe fosse saudada nominalmente junto de seu representante em Recife.

A ignávia dos que traficam com fraseologias “democráticas” não se encontra no “não” como resposta mas sim na ambivalente sentença manifesta – essencialmente – como negação. Mas que gestão democrática e inclusiva é essa que não concede o direito de fala para os estudantes que resistiram ao turbilhão da crise geral durante o fechamento das universidades? Definitivamente, para eles, o cerne da questão não estava no problema de abrir o microfone para os estudantes, mas sim que, inicialmente, o que seria uma fala da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia de saudação aos calouros, poderia desdobrar-se na necessidade da defesa da universidade pública e gratuita com táticas de luta a altura do momento correspondente, vindo então a queda do véu da burocracia universitária conivente com as imposições das políticas do governo militar para o ensino público superior. Até porque somos a única força política da universidade que vem denunciando tal questão de forma contundente, e a REItoria sabe disso tão bem quanto nós. 

Calejados de suas artimanhas, existia uma carta na manga.

Prosseguindo o evento, Alfredo Gomes, o REItor, apresentou uma palestra sobre “políticas públicas para a educação superior no Brasil” reafirmando o que já vem colocando desde o início do mês de junho sobre mitigar o bloqueio de recursos do MEC através da demissão dos trabalhadores terceirizados e redução das bolsas de pesquisa, extensão e pós-graduação. Defendeu, cinicamente, que a EaD não representa a precarização do ensino, também colocando as eleições presidenciais como único horizonte possível de transformação da universidade. A exposição da REItoria foi ainda mais baixa do que numa reunião aberta realizada no dia 8 de junho, também no mesmo local, onde o Dom Alfredo afirmou que sua gestão “não é um feudo” – em referência a grandiosa manifestação estudantil pela revogação de um Ad Referendum e pelo retorno presencial realizado no início deste ano, onde os estudantes colaram cartazes por toda reitoria e ergueram uma faixa com os dizeres “Reitor, a UFPE não é seu feudo! Retorno presencial já!“. 

Ainda durante a Aula Magna, ativistas independentes irromperam a palestra com uma vitoriosa panfletagem onde denunciavam os sinistros ataques às universidades perpetrados pelo governo militar genocida de Bolsonaro e generais e a já citada conivência dos burocratas universitários, mostrando a falta de garantias de permanência como resultado de tal política, incitando a Greve de Ocupação como única forma de responder cabalmente ao sucateamento das universidades.

O cerco foi furado. O panfleto, escrito de forma corrida e simples, porém didático e incendiário em conteúdo, irradiou a Concha Acústica da UFPE. As atenções que antes se dirigiam a dicção confusa e amedrontada do palestrante – possivelmente imaginando que algo estava para acontecer – deu lugar aos ativistas que conversavam com os calouros e veteranos humildemente entregando aqueles papéis que, de longe, pareciam tão inofensivos. Muitos estudantes começaram sair dos seus lugares e iam até os ativistas para pegar o material distribuído. Enxergar aquele otimismo era como se olhar no espelho! Calouros presentes afirmaram não ter entendido o que o REItor estava falando, expressando surpresa com a situação calamitosa que se encontra a UFPE.

A burocracia universitária engana-se ao achar que a ExNEPe se contenta com migalhas. A mera menção e saudação ao representante recifense da entidade não foi suficiente para os estudantes mais ativos que se mobilizaram nos últimos 2 anos em que a universidade esteve fechada, enxergando na ExNEPe como uma de suas vanguardas do movimento estudantil, intervindo  heroicamente na última parte da palestra. Uma grande faixa com os dizeres “Barrar o corte de verbas na educação com Greve de Ocupação!” foi erguida na parte superior da arquibancada da Concha Acústica, e não satisfeitos, os estudantes foram descendo as escadas vagarosamente e deixando a palavra de ordem à vista de todos. Os presentes apontavam entusiasmadamente para os dizeres e registravam o ato em seus celulares. 

A faixa erguida continuou sendo levada até o piso inferior onde foi sustentada firmemente no local em que acontecia a palestra. A vitoriosa atividade encerrou-se com o término dos panfletos entregues aos estudantes na saída da Aula Magna. Um espectro ronda a UFPE…

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