[Pe] Pós-ENEPe estremece Centro de Educação da UFPE

No dia 28 de julho, estudantes de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco realizaram o Pós-ENEPe colocando como tema “Em defesa da formação do pedagogo: contra os cortes e a BNC Formação” contando com a participação de 54 estudantes!

A realização do evento, organizado de forma independente pela C.O (Comissão Organizadora) que tomou a concretização da atividade em suas próprias mãos, se deu num momento de extrema insatisfação dos estudantes com a falta de garantias mínimas de permanência dentro do Centro de Educação, onde anteriormente, em menos de uma semana, estudantes prepararam um massivo abaixo assinado por bebedouros e micro-ondas, resultando em 523 assinaturas e numa vigorosa campanha por condições dignas no CE.

Os preparativos para o evento iniciou-se pela manhã com uma célebre colagem de cartazes em que diziam: “Não dá para estudar com sede! Conquistar os bebedouros com luta combativa!”, “Em defesa de condições dignas no CE! Pelas trancas das portas do banheiro feminino!”, “Chega de burocracia! Pela reabertura imediata do RU para todos!”.

Em seguida, foi a vez do preparo das cartolinas na sala do Diretório Acadêmico de Pedagogia – Remís Carla para a ornamentação do evento, sendo notável o ânimo da Comissão Organizadora na confecção dos materiais. Estudantes de pedagogia que observavam curiosamente toda aquela movimentação se voluntariavam na atividade para fortalecer a luta estudantil.

Algumas das palavras de ordem expressas foram: “- Calor, + ar gelado, por todas as salas com ar condicionado!”, “1, 2, 3, 4 mil ou parem os cortes ou paramos o Brasil!”, “Pedagogia é pra lutar!”, “Ou reabre o RU ou vai ter ocupação!”. Na pintura do cartaz “Remís Carla presente na luta!” foi ressaltado que a companheira travou duras batalhas contra toda sorte de oportunismo no movimento estudantil, representando a Executiva Pernambucana de Estudantes de Pedagogia nos ENEPes que participou, também unindo suas bandeiras com a luta classista dos camponeses pobres e dos posseiros da Zona 6. Também foi explicado o significado do mural de grafitagem na sala do D.A feito pelo Coletivo Bagaço, coletivo que Remís compunha, onde se observa um camponês de punho erguido com um boné da Liga dos Camponeses Pobres em meio as grandiosas manifestações de 2013 e 2014 – mural este que foi pintado em 2015 no período em que Remís Carla encabeçava a gestão Ânimo na Luta.

Antes do início do Pós-ENEPe, a C.O propagandeou o evento fazendo passagens nas salas de aula, alertando os estudantes e professores pela necessidade de se dar a devida atenção a BNC Formação e ao momento histórico em que estamos situados. O evento foi marcado para acontecer na Sala D14 do CE, porém devido a quantidade de estudantes que compareceram, o evento teve de ser realizado no anfiteatro do centro!

O Pós-ENEPe deu início com uma introdução acerca das lutas travadas pela ExNEPe, partindo do surgimento da entidade nos anos 80 em meio as discussões do curso acerca da formação do pedagogo e das críticas aos currículos vigentes, indo até o fato histórico do curso ter sido o primeiro a romper com a União Nacional dos Estudantes – e assim, explicando do que se trata o cartaz “Fora UNE inimiga dos estudantes” que deixou muitos dos presentes curiosos – enfatizando que o rompimento se deu no olho do furacão das manifestações e paralisações contra a regulamentação do curso (as DCNs) proposta pelo MEC de Fernando Haddad que limitava a Pedagogia ao âmbito da docência, homologada de forma antidemocrática sem a participação da comunidade acadêmica, enquanto a UNE se reunia com o MEC as portas fechadas; o rompimento também deu-se no contexto dos levantes estudantis contra a “reforma” universitária que impôs cobrança de taxas nas universidades públicas, redução da carga horária e da compra das vagas em faculdades privadas como “solução” ao acesso ao ensino público superior, explicitando que o rompimento com a entidade governista separou o movimento estudantil em dois caminhos: o independente e o burocrático. Expondo também uma das principais vitórias da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia que foi a conquista da gratuidade do ensino público superior!

Em seguida foi exposto a luta da ExNEPe durante a pandemia, na conformação de Comitês Estudantis de Solidariedade que levou aulas de reforço escolares em meio ao fechamento das escolas para crianças que não tinham infraestruturas para acompanhar a EaD, das mobilizações pela reabertura das universidades contra os cortes de verbas promovidos pelo governo militar genocida de Bolsonaro e do combate sem quartel ao EaD como carro-chefe da privatização dos IES, que tal acúmulo de conteúdo classista resultou no vitorioso 41° Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia colocando os ataques ao ensino público no centro das mesas.

Dando prosseguimento, a palavra foi passada para o Professor Max Silva, Mestre em Educação pela UFPE, em que foi ressaltado o fato de que as universidades são um campo de disputa, esclarecendo que tais ataques não são uma novidade mas que já acompanha sucessivos governos de turno. Enfatizou também a abertura dada pelo governo de Luiz Inácio para os grandes tubarões da educação, como a Fundação Lemann, principais responsáveis pela investida privatista na área educacional.

A exposição seguiu com o perigo por trás da BNC Formação em que mistifica a realidade culpando a má formação docente como problema da educação brasileira, onde que no cerne da questão se encontra o aprofundamento de tal problema e a completa desintelectualização dos professores do nosso país, transformando os mesmos em meros reprodutores de conteúdo. Também foi denunciada a nota técnica de julho de 2022 exposta pelo MEC onde diz que as universidades brasileiras devem impor a resolução do CNE 02/2019 (responsável pela aplicação da BNC) até o final do ano, alertando para a necessidade do levantar dos estudantes de pedagogia e licenciaturas para derrotar a BNC.

No evento, a ExNEPe se posicionou criticamente acerca dos sinistros cortes de verbas promovidos pelo governo militar de Bolsonaro e generais, apontando também para a conivência dissimulada da burocracia universitária com as imposições do MEC que prefere tirar os direitos dos estudantes ao invés de juntar- se no combate ao sucateamento do ensino público superior, exemplificando tal prática com a própria situação do Centro de Educação e da UFPE como um todo. “O corte de verbas é uma verdade indiscutível…” colocou a ExNEPe, e continuou: “Mas e aí? Os estudantes vão ficar com fome? Os estudantes vão ficar com sede? A burocracia universitária está fazendo o jogo do governo militar de Bolsonaro!”

A finalização do evento deu-se de forma magistral onde os estudantes presentes, colocando em prática a luta na defesa de permanência nas universidades, ergueram seus cartazes animosamente e partiram para uma manifestação para a entrega do abaixo assinado com 523 assinaturas de estudantes do CE exigindo bebedouros, micro-ondas e condições dignas de permanência.

Os estudantes, vibrando pela combatividade, estremeceram todo o CE com as palavras de ordem: “Pedagogia é união! Não deixe o MEC acabar com a educação!”, “Pedagogia é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!”, “Avante, avante, avante juventude! A luta é o que muda! O resto só ilude!”, “Ir ao combate sem temer! Ousar lutar, ousar vencer!”. Estudantes presentes também reivindicavam a abertura do RU, e outras convocavam os estudantes a “ocupar a casa do reitor Alfredo” – por fim, a última palavra de ordem expressa foi: “Chega! Chega! De burocracia! Ou abre o RU ou ocupamos a reitoria!”

Como reduto do reitor e Czar da UFPE, a burocracia do Centro de Educação – cães de guarda da antidemocracia universitária que são – impediu que os estudantes colassem seus cartazes no hall, porém, isso não foi suficiente para apagar o ímpeto destes que vão reerguer um novo tipo de movimento estudantil para varrer toda podridão que paira sob a Universidade Federal de Pernambuco. A vitoriosa atividade foi expressão máxima das reivindicações dos estudantes de pedagogia e de outras licenciaturas do CE em consonância com a ExNEPe, refletindo a capacidade da persistência dos estudantes independentes e desmascarando de uma só vez estes que se escondem sob fraseologias desprovidas de conteúdo.

OBS: devida a faísca iniciada com os estudantes tomando posição acerca dos seus direitos, a Diretoria do CE fez passagens em salas na segunda-feira (01/08) justificando o injustificável, passivamente jogando a questão para os cortes de verbas sofridos, mas ainda assim não deu um prazo para entrega das reivindicações estudantis.

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