EXECUTIVA PARANAENSE DE ESTUDANTES DE PEDAGOGIA REALIZA HISTÓRICO E MASSIVO PÓS-ENEPE EM MARINGÁ/PR!

Na data de 24 de agosto de 2022, a Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia (ExPEPe) e o Centro Acadêmico de Pedagogia (CAPED) do campus sede da Universidade Estadual de Maringá (UEM) realizaram o Pós-ENEPe. O evento ocorreu em dois períodos para atender tanto as turmas matutinas quanto noturnas e contou com a participação massiva dos estudantes, com um total de mais de 230 participantes! Na parte da noite, o auditório ficou completamente lotado e foi necessário trazer cadeiras das salas para acomodar a todos. Participaram do evento, além da comunidade acadêmica da UEM, uma delegação formada de estudantes de pedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acompanhada pela professora Gisele Masson, conjuntamente com o Centro Acadêmico de Pedagogia (CAPED) desta universidade.

O antecedente

Após a Resolução 02/2019 ser quase implementada no curso de Pedagogia da UEM enquanto os estudantes estavam de férias e sequer tinham conhecimento da destruição que ameaça o curso, o CAPED e a ExPEPe tomaram a frente da luta contra a Resolução 02/2019 e passaram a promover discussões, eventos e passagens em sala para tratar do tema. Em resposta a essa movimentação dos estudantes, a coordenação do curso chamou, subitamente, todas as turmas do período matutino para o auditório, sem sequer comunicar os professores do dia, para “discutir a BNC-FP”. Na exposição, abordaram o trâmite burocrático da Resolução dentro da UEM, tentando convencer de que tudo estava normal e o CAPED estava fazendo alvoroço à toa. Contudo, esse joguinho não convenceu nenhum dos estudantes, que começaram a fazer perguntas e foram censurados pelo coordenador adjunto do curso. Sem entender nada e indignados, estudantes e professores ouviram por quase 2h a coordenação falar e voltaram para suas salas sem entender nada acerca da BNC-FP. Em resposta a isso, o CAPED se organizou para estar presente em peso quando a coordenação chamasse os estudantes do noturno para promover a mesma enganação. Assim, no dia seguinte, à noite, a coordenação do curso pinçou poucas turmas para descerem ao auditório, o que foi prontamente percebido pelo CA, que chamou as demais turmas e professores para estarem também presentes.

O resultado esperado pela coordenação do curso e obtido parcialmente com a turma da manhã – de passar uma boa imagem do seu trabalho e da inevitabilidade de se acatar com a Resolução – nem de longe foi alcançado, muito pelo contrário. Os estudantes, ainda durante a exposição tremula da coordenadora do curso, começaram a questionar quando iriam expor o que realmente era a BNC, pois o trâmite burocrático pouco interessava. Nervosa, a coordenação do curso disse que os estudantes deviam esperar ela terminar de falar e só assim seriam abertas pras perguntas. Tal resposta só fez aumentar a indignação dos estudantes, que exigiram ser ouvidos e, aos gritos, diziam que já daria o horário do intervalo e não poderiam fazer nenhuma pergunta. O reacionário coordenador adjunto tentou começar a dizer que não haveria espaço para perguntar, que o intuito não era aquele, e o resultado foi uma revolta generalizada entre os estudantes, que não só se fizeram ouvir naquele exato momento, como exigiram e conquistaram a utilização de todas as aulas do noturno para aquele debate.

Assim, logo após o término da fala da coordenação, alunos passaram a expor sua indignação com a falta de democracia que impera no curso, onde os alunos sequer sabem do que se está pautando para a profissão do Pedagogo e a imensa maioria dos docentes sequer os envolvem no assunto, sendo que eles são os mais atingidos. A discussão durou toda a noite, com alguns professores convidados pela coordenação tentando apaziguar e defender uma “adequação” à Resolução ou mesmo a capitulação perante ela, chegando ao absurdo de terem falas argumentando que “sem o Lula, tudo estava perdido”.

Enxotando todo pessimismo e derrotismo, toda ilusão com as falsas soluções eleitoreiras e transbordando combatividade, os estudantes entoaram palavras de ordem até o fim daquela reunião, exigiram saber o que era a BNC-FP e construíram o seu vitorioso pós-ENEPe para organizar a sua luta.

Nesse interim, como comprovação da justeza da luta estudantil, uma outra vitória veio à tona – o reacionário coordenador do curso, conhecido pelo seu desprezo com os estudantes e com a própria educação pública, defensor do home schooling e merecedor de elogios de sujeitos da pecha de Olavo de Carvalho – renunciou ao cargo de coordenador adjunto após a combativa resposta dos estudantes do curso perante sua enganação.

Tal mudança na coordenação do curso foi motivo de alegria generalizada entre os estudantes e há um grande otimismo em relação à nova coordenação, que demonstra confiança e apoio aos estudantes na luta contra a Resolução.

O pós-ENEPe

O principal assunto do Pós-Enepe foi o debate sobre a Resolução 02/2019, que tramita a nível nacional e consiste em um ataque deliberado ao curso de Pedagogia e demais licenciaturas. A apresentação da Resolução foi realizada pelo presidente da ExNEPe, que vinculou sua aplicação à implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e denunciou seu caráter anti-científico e privatista. A discussão do tema na UEM soma-se à mobilização nacional de estudantes e educadores pela REVOGAÇÃO da Resolução, vanguardeada pela ExNEPe.

Já na entrada, todos os participantes receberam o boletim 08 da ExNEPe, que trata da luta pela revogação da Resolução e convoca todos à luta, especialmente no dia 15 de setembro, no Dia Nacional de Luta Contra a BNC-FP.

Foi apontado pela apresentação que a aprovação da BNC representaria um apostilamento e padronização nacional das aulas por completo, de seu conteúdo e sua forma, nos mínimos detalhes, encerrando com o papel propriamente dito de professor de preparar aulas e ensinar, e suplantando-o pelo simples papel de aplicador de apostilas, dador de aula. Expôs-se sobre a proposta de divisão do curso de pedagogia em 3 diferentes habilitações (anos iniciais do ensino fundamental, educação infantil e gestão) fragmentando assim o conhecimento científico e o conteúdo do curso, algo atraente para o Estado não apenas para atender aos interesses das grandes corporações de educação, que agora ao invés de vender um curso de pedagogia, poderão vender três, mas também, principalmente, do ponto de vista ideológico, pois é um esvaziamento de conteúdo e de seu valor científico.

Ocorreu a denúncia pela plenária dos diversos e grandes cortes tanto na educação nacional, quanto na estadual, o crescimento e predominância atual da Educação à Distância (EaD) no curso de Pedagogia a nível nacional e foram abordados dois documentos importantes para a compreensão do contexto de tentativa de instauração da Resolução 02/2019.

O primeiro deles foi o Um Ajuste Justo do Banco Mundial (BM) de 2017, que defende uma série de medidas e políticas privatistas para o Estado brasileiro no interesse das potências estrangeiras e das classes dominantes locais. No tocante a educação, este afirma que um de seus problemas seria não os cortes e a falta de recurso, mas o “excesso de professores”. Outra afirmação elucidadora seria de que o “absenteísmo” dos professores de escolas e universidades públicas constitui um problema. Dentro desse conceito de “Absenteísmo”, como define o documento, inclui-se também o tempo do professor para a preparação da aula, como se esse fosse um tempo perdido, um tempo vago a ser preenchido. Percebemos que a Resolução 02/2019 entra aí como uma luva, no sentido que, com o apostilamento, a preparação de aulas perde o sentido.

O segundo documento é o Projeto de Nação – Brasil 2035, elaborado por oficiais da reserva do Exército, que imagina, numa fantasia ideal, como seria o Brasil em 2035. Nesta fan-fic reacionária, o SUS teria instituído mensalidades, bem como as universidades públicas, deixando evidente e patente o interesse privatista dos militares. Foi esclarecedor ver como pensam as Forças Armadas, espinha dorsal do Velho Estado brasileiro, que estão hoje mais presentes que nunca no governo. A BNC – FP é parte e caminho desse mesmo projeto privatista e, no caráter ideológico, obscurantista e anticiência.

Em resposta a essa ofensiva reacionária capitaneada pelo Estado brasileiro, a ExNEPe apontou o caminho da mobilização e da luta para todos os estudantes em geral e em particular para os de pedagogia. Muitos presentes falaram da necessidade de uma união dos estudantes a nível estadual e também foi destacado a importância e a dimensão nacional da luta, sendo divulgadas várias fotos de manifestações, colagens de cartazes e a realização de reuniões ao redor de todo país, demonstrando a força e a robusteza do movimento dos estudantes de pedagogia Brasil a fora e do movimento estudantil como um todo. A ExNEPe indicou também a tática necessária à luta estudantil, a greve de ocupação, que em diversas ocasiões teve sua efetividade comprovada, sendo seus exemplos mais recentes na UERJ/2017 e UFPR/2022.

No decorrer do evento, um clima de elevada animação e entusiasmo contagiou vigorosamente a todos os presentes. As palavras de ordem ecoaram vibrantes por todo auditório, as falas enérgicas e firmes da plenária prenderam a atenção dos presentes e, conjuntamente com as intervenções comovidas de professores e estudantes, construiu-se unanimidade tanto pela posição de revogação da Resolução, quanto pela confiança na força do movimento estudantil para a concretização de tal posição.

Ao fim do evento, a ExNEPe reafirmou a convocação a todos os presentes para a construção do Dia Nacional de Luta Contra a BNC-FP no dia 15 de setembro, ressaltando os estudantes de pedagogia como a vanguarda do movimento estudantil. Foi lido o plano de lutas para o dia 15/09 e levantadas propostas como colagem de lambes e cartazes, panfletagens e manifestações de rua.

Após o final do evento, membros do CAPED e da ExPEPe realizaram uma avaliação conjunta do encontro. Consideraram o evento uma grandiosa vitória dos estudantes e expuseram, estarem emocionados com o sucesso no evento, pois conseguiram ver nesse pós-ENEPe da UEM o mesmo tipo de mobilização encontrada no 41º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe) em Niterói: pujante, firme, combativa e cada vez mais massiva. Demarcou-se e salientou-se que o evento marca um novo início, um novo momento, prelúdio de importantes e massivas mobilizações estudantis em Maringá e todo o Paraná, que abrem o caminho para um vitorioso 28º Encontro Paranaense dos Estudantes de Pedagogia ainda nesse ano e um triunfante 42º ENEPe em 2024, ambos a serem realizados na UEM.

Pedagogia é união, não deixa o MEC acabar com a educação!

Pedagogia é pra lutar, o imobilismo não vai nos segurar!

Avante juventude, a luta é o que muda, o resto só ilude!

Abaixo a BNC-FP! Abaixo a Resolução 02/2019!

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