Estudantes conformam Grupo de Estudos Remis Carla na UFPR

No dia 27/08, sábado, foi inaugurado o Grupo de Estudos Remis Carla (GERC) por estudantes de pedagogia da UFPR. A proposta do GERC é aprofundar estudos referentes à educação, filosofia, economia política, e sobre a opressão das mulheres do povo, partindo da perspectiva marxista. Para além dos estudos, o grupo buscara realizar ações práticas após os debates, por compreender que não basta conhecer a realidade, é preciso transformá-la.

Neste encontro foi tratado sobre a história de Remis Carla, estudante de pedagogia que compunha a ExNEPe até ser assassinada em 2017. O grupo tratou sobre a sua memória e seu histórico enquanto estudante de pedagogia que se lançou à luta combativa, classista e independente, junto ao povo do campo e da cidade. Frente à injustuça de seu assasinato, levado à cabo pelas mãos do ex-namorado, e com a cumplicidade do Estado brasileiro, os estudantes denunciarão que as leis só servem aos burgueses e latifundiárias, demonstrando todo o descaso com que as denúncias feitas por Remis, de agressão, eram amesquinhadas. Ela chegou mesmo a ter os roxos em seu corpo, fruto das agressões, taxados de manchas de caneta pelos policiais da delegacia. Não fosse o protesto popular, o corpo de Remis não teria sido encontrado e o Paulo César, seu assassino, não teria sido julgado punido, mesmo que apenas em 2021. Denunciamos também os casos de feminicídios que seguem impunes e a necessidade de organizar as mulheres do povo na luta por uma nova sociedade.

Após a apresentação do GERC, iniciaram o estudo sobre a experiência da Escola Popular Orocilio Martins Gonçalves, de Minas Gerais. O grupo discutiu a importância da EPOMG como um instrumento de alfabetização e politização dos operários da construção civil de Belo Horizonte. Exemplo de organização independente do Estado que contou com a participação de educadores e ativistas populares. Deram destaque ao lema da EPOMG: “Escola, trabalho e Luta” que sintetiza os princípios marxistas de educação: luta de classes, luta pela produção e luta pela experimentação científica.

No debate os estudantes destacaram o papel importante que a EPOMG tem em educar os trabalhadores a ter uma consciência coletiva a partir do trabalho e participação ativa dos operários nas decisões político-pedagógicas da Escola, seguindo exemplo da pedagogia de Makarenko. Reforçaram como o trabalho e o coletivo são fundamentais no processo do conhecimento e o seu desenvolvimento em saltos, sendo eles sintetizados em: prática-teoria-prática.

Foi problematizado o sistema de ensino em nosso país, a falta de liberdade de poder exercer a profissão de educador, o controle político exercido por determinar e padronizar os currículos através da BNCC e BNC-FP. Sobre os ataques da educação, levados à cabo nos diferentes governos e que tem se aprofundado cada vez mais. A falta de democracia escolar, sem participação da comunidade. E a compreensão de que a educação serve como instrumento para a transformação da sociedade, portanto não é um fim em si mesma. Uma educação verdadeiramente popular só será possível em uma nova sociedade, que coloque a ciência e a técnica a serviço do povo.

Por fim, os estudantes conversaram sobre a experiencia do apoio pedagógico dos comitês sanitários e a necessidade de se derrubar os muros da universidade, colocar o conhecimento a serviço do povo e ajudar na construção da organização popular e independente. Haverá mais encontros do grupo de estudo, junto a uma campanha de arrecadação para apoiar os CSDP de Curitiba e região metropolitana nas atividades de dia das crianças em Outubro.

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