Viva o vitorioso 5º Encontro Sul-Mato-Grossense de Estudantes de Pedagogia!

O vitorioso 5º Encontro Sul-Mato-Grossense de Estudantes de Pedagogia aconteceu nos dias 05, 06 e 07 de Dezembro no período da noite no anfiteatro da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul em Dourados com o tema “Abaixo o corte de verbas e a privatização das universidades! Revogação imediata da BNC-FP e do Novo Ensino Médio! Pelo direito de estudar e aprender!”

No dia 05 tivemos a mesa de abertura onde um representante da executiva nacional explicou sobre o funcionamento do evento e saudou todos os presentes afirmando a necessidade dos estudantes de pedagogia discutir e se organizar para fazer valer os seus interesses. Também falou o coordenador do curso de pedagogia, o professor Fábio Perboni fazendo uma saudação ao evento em nome da coordenação do curso e da Faculdade de Educação da UFGD. 

A seguir houve a mesa de situação política com o tema “A luta por terra, território e o Brasil atual” com a participação do professor Souza do Comitê de Apoio a Luta dos Povos Indígenas – CALPI. O professor explanou sobre a situação política do país, partindo dos problemas estruturais no Brasil, como o monopólio da terra, que vem desde os tempos de colônia e que ainda permanece, de como nosso país vive submisso ao imperialismo e com uma economia atrasada, sendo tais questões é o que estão por trás dos conflitos hoje por terra e território. Falou sobre a crise atual, que não tem solução em curto prazo, que as eleições não irão mudar essa realidade e como que os militares ocupam hoje o centro da política, e não irão sair. Além de discorrer sobre o crescimento dos atos terroristas da extrema direita, mas que, longe de nos fazer intimidar deveríamos enfrentá-los. Ao final, mostrou fotos da vida e luta das aldeias e retomadas mostrando a realidade vivida pelo povo Guarani Kaiowá.

Após a mesa, houve uma atividade cultural com estudantes do curso de história do “som do bloco A” que fizeram uma excelente apresentação cantando músicas populares e nacionais.

No segundo dia, ocorreu a mesa “Os cortes de verbas e o impacto nas universidades públicas”. Participaram dessa mesa o professor Etienne, pró-reitor de Administração e Planejamento da UFGD e reitor eleito, mas impedido de assumir pela intervenção e o companheiro Antônio, presidente da ExNEPe.

O professor Etienne explanou inicialmente sobre a necessidade de defender a universidade pública, além de discorrer sobre a situação geral da universidade, da drástica situação de evasão e dos cortes sucessivos no orçamento, além de somados a intervenção que durou três anos e serviu para aplicar os planos privatistas do governo na universidade. Também explicou sobre os recentes cortes, afirmando que a situação atual era crítica e tínhamos que lutar para reverter a situação. Afirmando ao final que apesar de reitores, professores e estudantes lutarem em diferentes frentes e formas, a luta era o que mudava e era mais que necessária.

Já o companheiro Antônio, fez um apanhado histórico da formação da universidade latino americana e brasileira, sobre problemas históricos e ainda pendentes da universidade brasileira e, junto a isso, as tentativas de privatização e sucateamento do ensino público tentado por diversos governos. Também sobre a história da luta dos estudantes com inúmeros exemplos de como combater esses ataques apontando os casos recentes das greves de ocupações pelo país e essa tática como o caminho para barrar a privatização e sucateamento

Foi ressaltado também sobre o 25º FONEPe que será realizado ano que vem em Dourados e de sua importância para a luta contra todos os ataques que estavam sendo debatidos no encontro, sendo apoiado pelo professor. 

Ao final do dia tivemos os grupos de discussão na qual todos os presentes puderam falar o que acharam das mesas e dar contribuições para o plano de lutas. Todos se manifestaram com muita animação, sendo que um dos problemas mais evidentes levantados foi a questão dos ônibus que há anos vem prejudicando os estudantes tanto da UEMS como da UFGD.

O ultimo dia do encontro, iniciou com a mesa “Ensino tecnicista x educação a serviço do povo” onde palestrou a professora Alessandra da pedagogia da UFGD e a professora Flavieli, professora da rede estadual e coordenadora do projeto da escola de reforço popular. A professora Alessandra expôs sobre o histórico do ensino tecnicista, suas manifestações e exemplos, como durante o regime militar. Já Flavieli expôs primeiro sobre o Novo Ensino Médio e como têm afetado os estudantes nas escolas. Depois apresentou o trabalho da escola no bairro, divulgando para os presentes enquanto uma prática que, se apoiando em suas próprias forças, tem levado educação ao povo. Uma das professoras presentes apontou como criminoso o que estão fazendo com o ensino médio afirmando posteriormente que “enquanto os professores da universidade ficam discutindo só, o mundo tá se acabando lá fora”, já a professora Alessandra que estava palestrando apontou espantada que o Novo Ensino Médio seria mais tecnicista do que  o próprio ensino no regime militar.

Logo após, foi realizada a plenária final onde foi lido e aprovado um vitorioso plano de lutas. Além disso, também foi aprovada uma moção em apoio a luta dos Guarani Kaiowá. Por último, foram eleitos os representantes da nova Executiva Sul-Mato-Grossense de Estudantes de Pedagogia e também os indicados do MS para a executiva nacional.

Dessa forma, o vitorioso 5º Encontro Sul-Mato-Grossense de Estudantes de Pedagogia foi encerrado com grande ânimo e muita energia. Cumprindo o papel de debater os temas mais candentes relacionados a luta dos estudantes, contando com mais de 100 pessoas em seus 3 dias de evento, aprovando um contundente plano de lutas e conformando uma nova entidade com grande energia para barrar todos os ataques privatistas à educação pública e já animados para organizar  o  próximo FoNEPe que ocorrerá ano que vem em Dourados-MS!

Plano de Lutas do 5º Encontro Sul-Mato-Grossense de Estudantes de Pedagogia

1) Lutar contra todos os cortes de verbas na educação pública que ameaçam as universidades de fecharem suas portas definitivamente. Defender a manutenção das bolsas de permanência e iniciação científica, bem como a assistência estudantil em geral. De forma mais imediata, lutar por barrar o recente corte de 9,8 milhões que atingiu a UFGD, assim como os cortes no pagamento das bolsas da CAPES e diversas áreas de pesquisa, ciência, projetos e assistência estudantil que comprometem as bolsas de estudantes, salários de funcionários, contratos, serviços, etc. nesse final de ano. Dessa forma, lutar com unhas e dentes denunciando através de cartazes, panfletagens e participando das manifestações como a do dia 08 de Dezembro. Também participar do chamado da ExNEPe para a realização de uma vigorosa manifestação nacional no dia 12 de Dezembro (segunda-feira) nos juntando aos estudantes de pedagogia do Brasil inteiro na luta pra barrar os recentes cortes e manter as universidades de pé!

2) Lutar pela revogação imediata da BNC-FP (resolução 02/2019), entendendo essa resolução como o maior ataque específico ao curso de Pedagogia e demais licenciaturas em toda história recente. Defender a concepção do Pedagogo Unitário aplicando a indissociabilidade entre docência, gestão e pesquisa na formação;

3) Lutar contra a BNCC e pela revogação imediata do Novo Ensino Médio nas escolas, impulsionando o movimento estudantil nas escolas, os grêmios estudantis e junto com os professores e a comunidade, defender uma educação  que sirva ao povo, o direito dos jovens de estudar e aprender e os professores de ensinar;

4) Apoiar e participar da Escola de Reforço Popular e demais iniciativas lutando por trazer ao povo o direito ao conhecimento e aprendizagem que lhe é negado. Combatendo o ensino tecnicista e defendendo uma educação a serviço do povo;

5) Derrubar os muros da universidade, se colocando ao lado do povo e suas lutas. Em especial defender os povos indígenas do MS que heroicamente lutam por seus territórios. Dessa forma, propagandear dentro da universidade essa luta, assim como denunciar os crimes que são cometidos pelo latifúndio contra os povos originários. Além disso, promover visitas aos tekohas como forma de conhecer cada vez mais a realidade do povo;

6) Lutar contra todas as consequências e precarizações advindas do fechamento e sucateamento das universidades na pandemia como precarização dos laboratórios, extinção de projetos, evasão, salas de computadores ainda fechados, etc.

7) Contrapor o fechamento e sucateamento das Universidades Públicas com greve de ocupação, tática historicamente comprovada e ainda mais com as recentes e vitoriosas ocupações encabeçadas pela ExNEPe, como forma de garantir nossos direitos, o funcionamento das instituições e colocá-las a serviço do povo;

8) Lutar pela melhoria do transporte público para a UFGD e UEMS. Lutando por melhores e mais horários, maior frota de ônibus e condições dignas, uma vez que os estudantes há tempos são prejudicados pela situação do transporte público de Dourados;

9) Reivindicar melhoria na iluminação dos campus e segurança para os estudantes, principalmente às estudantes que por esse descaso tem sido alvo de assédios e ameaças a sua integridade física;

10) Lutar pelo co-governo estudantil e avanço da democracia nas universidades e espaços de deliberações, fazendo valer os interesses dos estudantes. Uma vez que muitas questões como não aceitação de atestados, organização de cronogramas e grades horárias acabam não levando em conta os interesses estudantis;

11) Na UFGD, lutar por maior assistência às mães com crianças de colo. Pois hoje não há fraldários e a brinquedoteca não é capacitada a atender essa demanda, prejudicando o acompanhamento das aulas por essas mães. Além disso, lutar pela conquista de RUs e brinquedotecas onde não tem, como na UEMS, sendo este um direito dos estudantes à permanência dentro da universidade;

12) Lutar contra o Ensino Híbrido e a política de substituição das aulas presenciais por EaD, entendendo como uma forma de precarização, barateamento e privatização do ensino. Ameaça ainda presente em nossas escolas e universidades públicas;

13) Elevar a organização dos estudantes de pedagogia no Mato Grosso do Sul, ajudando a difundir as lutas em mais cursos e universidades, ajudando a formar CAs onde não existam, impulsionando a luta independente em cada universidade e fortalecer a Executiva Sul-Mato-Grossense para que seja cada vez mais capaz de servir aos interesses dos estudantes de pedagogia do MS e se contrapor as medidas privatizantes e tecnicistas em nosso ensino;

14) Participar e realizar atividades políticas como atos, panfletagens, colagens de cartazes, debates públicos etc, no Dia Nacional de Luta da Pedagogia (23 de novembro) assim como do Dia do Estudante Combatente (28 de março) e demais campanhas e atividades nacionais convocadas pela ExNEPe;

15) Realizar atividades de autossustentação para garantir a independência e o funcionamento das entidades estaduais e locais.

16) Reforça e  defender a cultura popular e democrática em nossas atividades e eventos;

17) Reafirmar o compromisso de organizar o Fórum Nacional de Estudantes de Pedagogia que será realizado em 2023 em Dourados e onde receberemos estudantes de pedagogia do Brasil todo, nos empenhando para que seja um excelente evento;

Dourados, 07 de Dezembro de 2022

PEDAGOGIA É UNIÃO,  NÃO DEIXA O MEC ACABAR COM A EDUCAÇÃO!

PELO DIREITO DE ENSINAR, ESTUDAR E APRENDER!

Moção política do V ESMEPe:

Todo apoio aos Guarani-Kaiowa e toda luta pela terra!

Por uma universidade que sirva a luta do povo!

Nós, estudantes de Pedagogia, reunidos no V ESMEPe entre os dias 5, 6 e 7 de dezembro, viemos por meio desta moção declarar nosso sincero apoio a combativa e guerreira luta desenvolvida pelos Guarani-Kaiowa no Mato Grosso do Sul. Acreditamos ser necessário reafirmar quantas vezes necessário for, nosso compromisso em denunciar todos os ataques do latifúndio àqueles que lutam por seus territórios, bem como agitar a resistência contra a miséria e opressão no campo em nosso país. Os indígenas, particularmente, resistem há mais de 500 anos contra o genocídio, revestido de várias formas, se tornando para nós, futuros professores, um grande exemplo de combatividade.

No último período, vários Guarani-Kaiowas foram atacados pelos bandos de pistoleiros organizados pelo latifúndio ou diretamente pelas forças policiais, expressão do aprofundamento da crise em nosso país como incremento da repressão contra as massas em luta. Mesmo assim, os indígenas não recuaram sua luta histórica pela retomada de seus territórios originários. Em Coronel Sapucaia, pistoleiros assassinaram o jovem Alex Lopes, quando este buscava lenha para seu tekoha. A resposta dos indígenas foi avançar a fazenda onde o crime ocorreu, se levantando a retomada Jopara, que permanece de pé até hoje. Pouco tempo depois, dezenas de Policiais Militares, a serviço do latifúndio, atacaram a recém erguida retomada Guapoy Mirim, assassinando com tiros a queima-roupa o guerreiro Vitor Fernandes, e ferindo inúmeras pessoas, incluindo uma criança de 12 anos. Seguindo as fustigações contra o território, o latifúndio em conivência com o Estado assassinou as lideranças Márcio Pereira e Vitorino Sanches.

Também denunciamos juntamente o papel nefasto dos monopólios de comunicação que endossam a propaganda mentirosa do governo, axuliando na criminalização dos idígenas. Inclusive afirmando que as vítimas não eram indígenas, não eram brasileiras, ou outras mentiras descaradas, tudo com a finalidade de justificar ou amenizar os crimes cometidos pelo Estado e latifundiários. 

A luta deste e de outros territórios continua, contra toda sorte de ataques, pois a solução para os problemas dos indígenas passa necessariamente pelo restabelecimento de seus territórios tradicionais. Esse é o motor da luta combativa e independente dos Guarani-Kaiowa! Todos os guerreiros que tombaram nestas batalhas seguirão na memória como heróis do povo, sempre serão lembrados nas batalhas até a autodemarcação de todos tekohas e a conquista do inalienável direito a autodeterminação – pois não basta o acesso a terra, é necessário respeitar a autonomia das nações indígenas viverem ao seu modo, com sua cultura, sua língua, sua educação e saúde, etc.

Como estudantes classistas, aqui deixamos não apenas nossa declaração de apoio como também o compromisso de se vincular a esta luta, denunciando todos os crimes do latifúndio e do Estado. A Executiva Sul-mato-grossense dos Estudantes de Pedagogia se coloca a disposição do Conselho Aty Guasu e toda nação Guarani-Kaiowa: a luta é o que muda, o resto só ilude!

Derrubar os muros da Universidade! Servir ao povo do campo e da cidade!

Só a autodemarcação dará terra aos indígenas!

Abaixo o Marco Temporal!

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